Erros nos testes e omissões nos dados de vacina contra Covid-19 colocam AstraZeneca na mira de cientistas

Erros nos testes e omissões nos dados de vacina contra Covid-19 colocam AstraZeneca na mira de cientistas

Após anuncio que a vacina candidata contra a Covid-19 da farmacêutica britânica AstraZeneca; é mais em contra e de fácil produção; além disso possui eficácia de até 90% com recebida com grande comemoração.

Por outro lado, ao reconhecer equívocos cometidos na dosagem da vacina recebida por alguns participantes do estudo; a empresa acabou levantando dúvidas sobre a real taxa de efetividade do imunizante. A vacina é desenvolvido em parceria com a Universidade de Oxford, do Reino Unido.

Especialistas afirmam que o erro e uma série de outras omissões e irregularidades apontadas nos números apresentados pela AstraZeneca; tirou parte de sua confiança nos resultados. Cientistas se perguntam se os resultado supostamente possíveis irão se manter ao decorrer dos resultados dos ensaios clínicos.

No Brasil, a fórmula, batizada oficialmente de AZD1222 ou ChAdOx1 nCoV-19, os testes são coordenados no Rio e em São Paulo. Na capital paulista, os estudos são liderados pelo Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (Crie) da Unifesp. No Rio, o estudo está a cargo do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (Idor) e da Rede D’Or, que cobriu os custos da primeira fase da pesquisa.

Desencontros

Dessa forma, por conta dos problemas levantados; os desencontros coloca a AstraZeneca,  diante de um cenário inesperado: as inconsistências diminuíram as chances das agências reguladoras; nos EUA e no restante do mundo, aprovarem o uso emergencial da vacina.

Contudo; os resultados da vacina desenvolvida em parceria com Oxford; tiveram anuncio na sequência de números promissores dos imunizantes das concorrentes Pfizer e Moderna, que apresentaram índices de eficácia na faixa de 95%.

A AstraZeneca anunciou que sua fórmula tinha uma efetividade de até 90% quando administrada uma dose e meia, enquanto voluntários que receberam duas doses tiveram uma taxa mais baixa, de 62%.

Nesse ponto deu início a uma série de questionamentos. Cientistas indagaram o motivo de uma variação tão grande. Contudo; a farmacêutica e os pesquisadores de Oxford reconheceram que ainda não há uma resposta.

Falta de transparência

De acordo com Michele Meixell, porta-voz da AstraZeneca; os “foram conduzidos dentro dos padrões mais altos”. Em uma entrevista na última quarta-feira, o executivo de pesquisas da farmacêutica, Menelas Pangalos, por sua vez, defendeu a conduta da farmacêutica no processo de testes e na comunicação pública dos resultados.

Ainda; de acordo com ele o erro da dosagem a uma das partes contratadas para conduzir os ensaios clínicos e reforçou que, uma vez descoberta a falha; as reguladoras receberam notificação e assentiram quanto à proposta de continuar a testagem com diferentes doses.

Dessa forma, quando questionados pelo motivo no qual compartilhou informações com especialistas, autoridades e analistas de Wall Street; porém não com o público em geral, o executivo disse que a melhor forma de apresentar os resultados “é em um periódico científico com revisão de pares, e não em um jornal”.

Erro na dosagem

Além disso, informações importantes não receberam divulgação. De acordo com a empresa, a análise preliminar foi baseada em 131 voluntários que apresentaram casos sintomáticos de Covid-19; por outro lado não detalhou quantos casos foram detectados em cada grupo; bem como aqueles que receberam a dose menor, a regular e aqueles que tiveram um placebo inoculado.

A AstraZeneca também misturou resultados de dois ensaios clínicos diferentes, um conduzido no Brasil e outro no Reino Unido, com metodologias distinas. O processo confundiu ainda mais a análise dos resultados e rompeu com uma prática padrão na divulgação de resultados de testes de vacinas.

A situação logo se complicou. Pangalos disse à agência Reuters na última segunda-feira que a empresa não planejava aplicar a meia dose nos voluntários. Pesquisadores do Reino Unido que conduziam os ensaios e deveriam ter aplicado a dose inteira, acabaram errando os cálculos e inocularam metade da quantidade trabalhada nos testes. O executivo descreveu o equívoco como fruto da “sorte”, já que a a falha abriu margem para uma dosagem supostamente mais eficiente.

Para especialistas que não participaram dos estudos, no entanto, o erro afeta a credibilidade dos resultados, pois o planejamento meticuloso dos ensaios clínicos não leva em conta uma dose menor no seu desenho.

 

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