AS ANSIEDADES NOSSAS DE CADA DIA

Os distúrbios de ansiedade constituem o problema de saúde mental mais comum na atualidade. Isoladamente ou associada a outro transtorno psíquico, a ansiedade afeta um a cada quatro pessoas!

Como reconhecê-la? Pessoas apressadas ou que se viciam em ficar com o pensamento projetado no futuro e passando mal, que vivenciam uma expectativa ansiosa, tão fortemente, que se desprendem da realidade do aqui-e-agora e passam a viver em função do futuro. É óbvio que ter planos e metas de vida são processos mentais, importantes, pois é no presente que se prepara um futuro. O que não convém é ficar tão enfiado no futuro que acabe por desprezar o presente, pois afinal, a vida é hoje, amanhã é incerteza.

De fato a ansiedade pode ser compreendida como um transtorno psíquico correlacionado ao medo. Está comprovada a ação de um determinante genético, em correlação a estímulos desencadeadores – os estressores ou fatores de estresse presentes nas relações interpessoais da área profissional, casal, família e/ou social. O medo é uma emoção muito limitante! A vida de uma pessoa fica bem restrita em função de diversos medos, que variam, desde os autênticos e necessários à nossa sobrevivência, ante um estímulo ameaçador à nossa vida ou condição de vida, até aqueles desnecessários, “medos parasitas”, tipo fobias e síndrome do pânico.

Há pessoas que se rotulam como sendo preocupadas demais, e que exibem sintomas, ou somatizações: os efeitos do medo ao futuro, a tal ponto que chegam a ter crises de pânico. Para esta conduta viciosa, uma saída prática é treiná-las a que se habituem a viver diariamente, em módulos de 24/24 horas por dia, ou seja, que se ocupem só com as próximas 24 h. Sugerimos que abandonem o pré (da preocupação), e que passem a cuidar da ocupação,no aqui-e-agora de cada tarefa.

Para o tratamento destes distúrbios contamos, na atualidade, com os melhores medicamentos de todos os tempos, capazes de reverter, em curto prazo, um quadro de ansiedade, interferindo no mecanismo neuroquímico que estava desregulado, devolvendo o equilíbrio da química cerebral. Todavia, nenhuma destas drogas é capaz de elaborar os conflitos subjacentes, nem propiciam a oportunidade de crescimento pessoal, a exemplo do que ocorre em uma psicoterapia transacional.

A Análise Transacional (AT) dispõe de um instrumental que se revelou de enorme utilidade para o preenchimento desta lacuna no tratamento de clientes acometidos de um ou mais dos transtornos de ansiedade. No medo inautêntico ou fóbico, a respiração poderá ficar curta e breve, o que redunda em má oxigenação das células, a qual por sua vez, vai agravar o quadro com sintomas, tipo fadiga, desânimo, sonolência e uma sensação de falta de energia. A prática nos revela que, nos transtornos da ansiedade, o “medo de morrer é o próprio medo de viver”. Assim, o ataque do pânico pode ser a manifestação de uma situação mal-resolvida no relacionamento do casal e/ou profissional. Por exemplo, uma encrenca que a pessoa teme encarar ou continuar vivenciando.

Do exposto, fica evidente que convém instituir-se, o mais cedo possível, o devido tratamento medicamentoso e o psicoterápico como importante aliado no tratamento multidisciplinar deste transtorno. Para superar a ansiedade faz-se necessário reaprender a viver cada momento ou parar de morrer a todo instante. É um ponto fundamental a ser adotado, por quem deseja abdicar do mal-estar decorrente do vivenciar as agonias do amanhã, no dia de hoje. Assim, cumpre reaprender o hábito de estar bem no aqui-e-agora, livre da antecipação de sofrimentos ou agonias previsíveis, que, afinal, poderão se concretizar ou não.

Por tanto, convém ter em mente que há um tempo para tudo e, por isso, não desespere diante do que você ainda não conseguiu, atento a que “basta a cada dia, a sua própria agonia ou alegria”.

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