Estudo aponta que 40% dos casos de câncer podem ser evitados

Estudo aponta que 40% dos casos  de câncer podem ser evitados

Em torno de 40% dos casos de câncer podem ser evitados; de acordo com estudo da Escola de Medicina de Harvard, dos Estados Unidos, publicado na revista especializada JAMA Oncology. No Dia Mundial de Combate ao Câncer – 8 de abril, a informação continua valendo e é endossada pela oncologista Mayana Lopes. A médica alerta para a relação entre fatores externos e câncer, entre os quais destaca maus hábitos alimentares, sedentarismo; bem como consumo de bebidas alcoólicas, tabagismo e exposição a substâncias cancerígenas e ao sol sem proteção.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 14 milhões de pessoas desenvolvem a doença/ano. As estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontam para mais de 625 mil novos casos de câncer no Brasil (2020-2022), sendo 450 mil se excluídos os casos de câncer de pele não melanoma – o mais incidente com mais de 170 mil/ano. Na sequência, entre os mais prevalentes estão os tumores de mama e próstata (66 mil cada), cólon e reto (41 mil), pulmão (30 mil) e estômago (21 mil). A distribuição da incidência por região geográfica mostra que o Sudeste concentra mais de 60% da incidência, seguido pelas regiões Nordeste (27,8%) e Sul (23,4%). Na Bahia, o Inca estima 32.590 mil novos casos em 2022, dos quais 7.860 mil em Salvador.

“Apesar dos números, apenas entre 10% e 15% dos casos de câncer podem estar ligados a fatores genéticos, mas a maioria (90%) está relacionada à nossa interação com o meio ambiente, através de comportamentos pouco saudáveis ou exposição a fatores de risco”, explica Mayana Lopes, oncologista da Clínica AMO. A especialista cita, por exemplo, que apesar de haver registro de ligeira queda do número de casos de câncer ligados ao tabagismo (pela diminuição do hábito de fumar), com redução de cerca de um ponto percentual ao ano, os pesquisadores de Harvard chamam a atenção para a obesidade, fator de risco que ainda caminha na direção oposta, contribuindo para a elevação dos números, sobretudo nos casos de câncer de intestino, mama, útero e rins.

“Isso mostra que os hábitos de vida saudáveis estão diretamente ligados à prevenção do câncer e a alimentação está no topo da lista. Desta forma, continuamos reiterando a importância do consumo de alimentos ricos em fibras (muito presente em frutas, verduras e legumes), evitando-se os gordurosos, processados, enlatados e embutidos”, diz Mayana Lopes, que ressalta ainda o poder das vacinas contra doenças que podem evoluir para o câncer, como HPV e hepatites B e C, por exemplo, infecções responsáveis por cerca de 22% das mortes pela doença em países de baixa e média renda (Opas).

Avanços no tratamento

É consenso que, de modo geral, o diagnóstico precoce amplia para 90% as chances de sucesso no tratamento dos tumores malignos. Aliado a isso, continuam avançando as pesquisas que resultam na oferta de novas formas de tratamento, mais eficazes e menos agressivas; reduzindo os efeitos colaterais para o paciente, como destaca a oncologista Mayana Lopes.

Cirurgia, terapias-alvo, imunoterapia, imunogenética, terapias combinadas (quimioterapia e radioterapia), vacinas e novas drogas estão sendo aplicadas em contraponto às projeção que apresentam números mais sombrios. A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) aponta que o câncer é uma das principais causas de morte nas Américas, sobretudo América Latina e Caribe, e estima que a mortalidade nas Américas aumente para 2,1 milhões até 2030 (em 2008, houve 1,2 milhão de mortes).

“Vale destacar que cada paciente requer um protocolo de tratamento, a depender do caso e levando-se em consideração o tipo e o estágio da doença; bem como a idade e as condições clínicas do paciente”, salienta a oncologista Mayana Lopes.

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