Drogas , um grave problema social

Drogas , um grave problema social

drogas2Afinal, as drogas são um problema de família ou de policia? Na Tribuna da Bahia desta segunda-feira (27.07), o jornal publica reportagem do jornalista Albenísio Fonseca sobre a tentativa do governo do estado de engajar a sociedade civil nessa luta, através da campanha “Mais família, menos drogas”.

Assim, em paralelo às ações policiais, a campanha vem se espalhando em todos os meios visíveis de comunicação dos out-doors a painéis nas principais ruas e avenidas de Salvador, bem como veiculação nos rádios e televisores.

O secretário de Segurança Pública da Bahia, Maurício Barbosa, conforme a matéria, afirma que a parceria não significa que o estado está abrindo mão de sua responsabilidade, mas a sociedade civil também tem uma parcela de responsabilidade nessa luta, fazendo-se necessária a conjunção de formas onde todos possam contribuir.

Para o secretário, é preciso entender que família passa a ser o elo que pode impedir o tráfico de recrutar mais gente, principalmente crianças e adolescentes. Na opinião dele, as matérias-primas utilizadas pelo tráfico são as crianças e os adolescentes e a própria vulnerabilidade da família. Uma boa educação, orientação e assistência pode estancar essa matéria-prima para o tráfico.

O perfil dos principais líderes do tráfico de drogas na Bahia é cada vez mais jovem ficando entre jovens de 15 a 25 anos de idade. Em geral, fazem parte de famílias mal-estruturadas socialmente e financeiramente, com baixa escolaridade e que residem em áreas da periferia da cidade de difícil acesso e pouca estrutura.

Alerta
Já o psiquiatra e fundador do Centro de Terapia e Abuso das Drogas(Cetad) Antonio Nery Filho, de acordo com a mesma reportagem, considera a campanha equivocada por focar no consumo e colocar a família como responsável pelo sucesso ou insucesso no tratamento do usuário. Para Nery, o que se precisa é mais governo, mais políticas públicas, mais educação e mais saúde.

O Cetad é referência na Bahia no atendimento de viciados em drogsa e realiza uma média de nove mil atendimentos por mês. Na opinião de Nery, as campanhas como essa têm pouco resultado prático por não serem permanentes, enquanto o consumo de droga não é pontual e , ao contrário da campanha, permanente.

Para o psiquiatra, associar o consumo de drogas à questão da violência é outro equívoco, pois o tráfico é um problema da lei e o consumo um problema social. E focar a família como solução é equivocada, pois o usuário que não dispõe de uma família não necessariamente deverá ser associado às questão da violência.
A.V.

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