A bacia do rio Joanes

A bacia do rio Joanes
Fernando Borba
Desde os tempos primevos, enquanto a humanidade dava os seus primeiros passos, já era conhecido o papel fundamental da água para o desenvolvimento da vida, uma molécula tão simples, composta por dois átomos de hidrogênio e um átomo de oxigênio e ainda assim desempenhando as mais complexas funções para a manutenção da vida neste planeta.
É importante atentar ou relembrar a esta questão para visualizar a encruzilhada na qual a humanidade se encontra, onde um dos caminhos leva a negligência dos recursos hídricos e o outro a busca por uma nova abordagem das questões qualiquantitativas dos recursos hídricos para alcançar um futuro estável.
O Rio Joanes, assim como muitos outros rios, não apenas no Brasil, mas no mundo, sofrem com este dilema, entre a ganância cega da humanidade e a ação vigorosa de poucos para garantir a água em qualidade e quantidade para as gerações atuais e futuras. O Joanes, importante e estratégico curso d’água que abastece aproximadamente 40% da população de Salvador e Região Metropolitana, possui cerca de 75 km de extensão, marcados atualmente pelo cenário bucólico no qual se encontra, onde são despejados esgotos domésticos, industriais e hospitalares em diferentes trechos, até chegar a sua foz na praia de Buraquinho entre a divisa de Lauro de Freitas e Camaçari.
Entrementes, seus tributários foram contaminados e poluídos em função do crescimento desordenado, juntamente com o processo de industrialização cada vez mais acentuado, aumentando tanto a demanda de água quanto a contaminação da mesma, o que vem acelerando ainda mais o processo de degradação do Rio Joanes.
Dentre os seus tributários podemos elencar dois dos principais contribuintes para o seu estado atual, o Rio Ipitanga, nascendo no município de Simões Filho e desaguando no Rio Joanes, no município de Lauro de Freitas, e o Rio Camaçari, nascendo no anel florestal do Polo Petroquímico, percorrendo todo o município de Camaçari até encontrar as águas do Rio Joanes. Esses cursos d’água possuem em comum uma história de abandono, praticamente esquecidos e associados a um esgoto a céu aberto.
Seja pela carência da população quanto a orientação correta sobre os recursos naturais em sua região, seja pela necessidade de ações para mitigar a situação observada na bacia hidrográfica do Rio Joanes, fica evidente que a sobrevivência deste importante e estratégico curso d’água, sua restauração e a de seus tributários é uma urgência que deve ser compreendida por todos, pois sem água, não há vida e estamos envenenando a nossa fonte de vida, nosso ouro azul, finito e precioso, pois é imprescindível perceber os rios como organismos vivos, pertencentes a uma chance bacia hidrográfica que caminha lado a lado com o desenvolvimento da sociedade e não como esgotos a céu aberto.
Sabemos que só com a implantação do Saneamento Básico nos Municípios salvaremos os Rios da Bacia do Joanes, mas enquanto isto, as Prefeituras poderiam realizar ações pra minimizar a atual degradação, como: I- Fiscalizar, identificar, autuar e multar quem joga seus Esgotos nos Rios, Córregos, Riachos ou na Rede fluvial da Cidade.
Oscip Rio Limpo.
II- Como sabemos que inúmeras residências que não possuem uma simples fossa séptica, a Prefeitura poderia orientar e até ajudar na  construção. Exercer maior fiscalização sobre o funcionamento dos Sistemas de Tratamento de Efluentes dos grandes Empreendimentos e Conjuntos Residências.
III- Implantar nas Comunidades Carentes, Sistemas de Tratamento de Efluentes e Reuso de Águas, existem modelos de baixo custo, a exemplo do Sistema apresentado pelo professor Pedro Ornelas no Seminário SOS RIO JOANES, este modelo foi implantado e esta em funcionamento no Aeroporto de Porto Seguro.
Enfim, falta antes de tudo VONTADE POLÍTICA PARA SALVAR NOSSOS RIOS  E  PRESERVAR NOSSAS PRAIAS.
Jamais perderemos a esperança de devolver Vida aos nossos Rios.
Fernando Borba
Presidente da Oscip Rio Limpo
Membro do Movimento Rios Vivoe

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