O avanço da ciência e da tecnologia e o futuro da humanidade

O avanço da ciência e da tecnologia e o futuro da humanidade

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo demonstrar que a humanidade deve se preparar para enfrentar não apenas as ameaças imediatas à sua sobrevivência como a atual pandemia mortal do Coronavirus e outras que possam surgir no futuro e a mudança climática catastrófica que poderá ocorrer a partir de meados do século XXI, mas também as ameaças futuras representadas pelo afastamento da Lua em relação à Terra, a colisão de asteroides sobre o planeta Terra, a explosão de supernovas com a liberação da radiação gama e raio X, a colisão da Galáxia Andrômeda com a Galáxia Via Láctea onde se localiza o sistema solar, a morte do Sol e o fim do Universo em que vivemos. Tanto as ameaças imediatas quanto as futuras não serão enfrentadas com sucesso sem o avanço da ciência e da tecnologia que é o passaporte para a sobrevivência da humanidade.

As pandemias atuais e futuras poderão ser enfrentadas com o desenvolvimento das atividades de P&D visando a produção de antibióticos e vacinas, a mudança climática global poderá ser enfrentado com o desenvolvimento de tecnologias de produção de energia renovável e novos meios de transporte que não utilizem combustíveis fósseis, novos sistemas de produção que contemplem o desenvolvimento de tecnologias para reciclagem de materiais, economia de energia e o fim da emissão de gases do efeito estufa, de novas edificações com o desenvolvimento de tecnologias que contemplem a economia de energia, o planejamento de cidades sustentáveis com o desenvolvimento de tecnologias capazes de assegurar a racionalidade na ocupação do solo por edificações, a proteção do meio ambiente e o bem estar da população. As ameaças futuras vindas do espaço exigirão avanço científicos e tecnológicos cada vez mais maiores para assegurar a sobrevivência da humanidade que estão descritos nos próximos parágrafos.

O afastamento gradativo da Lua em relação à Terra será catastrófico para a humanidade quando a Lua estiver a 560 Km de distância que deve ocorrer dentro de 4 bilhões de anos quando deverá parar a rotação do planeta, os dias serão mais longos (1152 horas ao invés das 24 horas atuais) e, durante à noite, as temperaturas matariam todo mundo de frio e, ao longo do dia, ninguém suportaria o calor. No litoral, haveria ventos violentíssimos de 300 km/h. Em termos de vida não sobraria quase nada, a não ser bactérias e vermes super-resistentes. As mudanças climáticas drásticas e globais, decorrentes do desaparecimento das marés e da desestabilização do eixo de rotação da Terra, seriam os fatores que produziriam as consequências mais terríveis sobre a vida terrestre (ALCOFORADO, Fernando. Porque a Lua é importante para o planeta Terra. Disponível no website <https://www.academia.edu/…/PORQUE_A_LUA_%C3%89_IMPORTANTE_P…>).

A Terra pode estar em rota de colisão com algum asteroide gigante que tenha o potencial de aniquilar a humanidade por completo. O medo não é de forma alguma infundado porque estes monstros existem no espaço e podem se chocar contra a Terra. Na verdade, a história do nosso planeta é repleta desses impactos como o que levou ao fim dos dinossauros que há, aproximadamente, 65 milhões de anos desapareceram da Terra em consequência de um enorme meteoro que colidiu com a superfície terrestre e possuía um tamanho que oscilava entre 6 e 14 km desenvolvendo a incrível velocidade de 72.000 km/h, dando origem a uma cratera de cerca de 200 km de diâmetro, que se encontra na Península de Yucatán, no Golfo do México. A força do impacto do meteoro seria tamanha que romperia completamente a crosta terrestre da região atingida, lançando os detritos ao espaço que entrariam em uma órbita baixa e, conforme fossem caindo, destruiriam toda a superfície. Como se o cenário não fosse catastrófico o bastante, a destruição não para por aí: uma tempestade de fogo se espalharia pela atmosfera e vaporizaria qualquer forma de vida em seu caminho. Em apenas um dia, o planeta inteiro se tornaria inabitável. Outra ameaça vinda do espaço diz respeito às explosões de supernovas, estrelas de grande massa maior que o nosso Sol, no final de sua existência que poderiam exterminar a vida na Terra devido à liberação da radiação gama e raio X suficientes para aquecerem a superfície do nosso planeta e fazerem a atmosfera e os oceanos evaporarem (ALCOFORADO, Fernando. As ameaças sobre a vida na Terra vindas do espaço. Disponível no website <https://wordpress.com/read/blogs/125818766/posts/959>). Muitos asteroides mais ameaçadores estão sendo monitorados por telescópios e outros dispositivos que fazem com que se possa estimar a possibilidade de colisões com o planeta Terra. No entanto, é impossível estimar a ocorrência de explosões de supernovas no final da existência de estrelas de grande massa.

A colisão das galáxias Andrômeda e Via Láctea poderá ocorrer daqui a 4,5 bilhões da anos. A NASA afirmou que a Terra e o sistema solar não correm riscos de serem destruídos, mas o Sol será “arrastado” para uma nova região da nova galáxia resultante que pode causar sérios impactos em nosso planeta. É sabido cientificamente que toda a vida na Terra será varrida quando nosso Sol chegar ao fim de sua existência dentro de 5 bilhões de anos ao se tornar uma gigante vermelha que engolirá a Terra. Cálculos dos astrônomos indicam que, quando o Sol se tornar uma gigante vermelha, o diâmetro do Sol na sua linha do equador vai ultrapassar o planeta Marte, consumindo todos os planetas rochosos: Mercúrio, Vênus, Terra e Marte. A zona habitável em que se encontra nosso planeta desaparecerá por completo quando o Sol migrar para fora da órbita da Terra em cerca de 1 bilhão de anos. E esse será, de fato, o fim do planeta Terra. As gigantes vermelhas são estrelas que se encontram já numa fase avançada da sua vida e aumentam consideravelmente a sua massa, por conta do fim do seu hidrogênio, geralmente alcançando até 8 vezes a massa do nosso Sol. Quando isso acontece, o sistema solar vira um caos e o Sol perde uma tremenda quantidade de massa. O Sol irá morrer e levará ao fim nosso sistema solar (ALCOFORADO, Fernando. O Sol e sua importância para a vida no planeta Terra. Disponível no website <https://www.academia.edu/…/O_SOL_E_SUA_IMPORT%C3%82NCIA_PAR…>).

O destino do Universo ainda é desconhecido, porque depende criticamente do índice de curvatura k e da constante cosmológica Λ. Se o Universo fosse suficientemente denso, k seria igual a +1, o que significa que sua curvatura média é positiva e o Universo acabará colidindo em um Big Crunch (O Universo se contrai unindo toda a matéria e energia num único Grande Buraco Negro) possivelmente iniciando um novo Universo em um Big Bounce. Por outro lado, se o Universo fosse insuficientemente denso, k seria igual a 0 ou -1 e o Universo se expandiria para sempre, esfriando e finalmente atingindo o Big Freeze (O Universo se congela na escuridão total) com a morte térmica do Universo. Dados recentes sugerem que a taxa de expansão do Universo não está diminuindo, como inicialmente esperado, mas aumentando. Se esta taxa de expansão continuar indefinidamente, o Universo deixará apenas calor residual e buracos negros, podendo eventualmente alcançar um Big Rip (O Universo terá se expandido tanto que até átomos que formam planetas e galáxias começarão a se desintegrar, gerando o maior apocalipse de todos) (WIKIPEDIA. Universo. Disponível no website <https://pt.wikipedia.org/wiki/Universo>). Em qualquer destes cenários, a existência da humanidade estaria ameaçada. De qualquer forma, toda a vida no Universo desaparecerá para sempre.

Tudo isto significa dizer que nos defrontaremos com a morte de nossa espécie com as ameaças acima descritas a não ser que a humanidade promova avanço científico e tecnológico suficiente que possibilite superá-las. A humanidade terá que encontrar soluções científicas e tecnológicas para fazerem frente aos problemas resultantes do afastamento da Lua em relação à Terra, para evitar a colisão de grandes asteróides sobre o planeta Terra, para encontrar uma saída para a humanidade não estar na Terra antes de ocorrer a colisão entre as galáxias Andrômeda e Via Láctea e antes de acontecer a morte do Sol e, também, sobreviver com a ocorrência de quaisquer dos cenários previstos para o fim do Universo.

Para fazer frente aos problemas resultantes do afastamento da Lua em relação à Terra, a humanidade poderia buscar sua sobrevivência implantando no sistema solar colônias espaciais em Marte, Titan (lua de Saturno), Callisto (lua de Júpiter) e no planeta anão Plutão que são possíveis locais de fuga todos eles com inúmeros obstáculos que exigiriam grande avanço científico e tecnológico para superá-los. Para evitar a colisão de grandes asteróides sobre o planeta Terra, a humanidade deveria utilizar poderosos foguetes para desviá-los. Antes da colisão das galáxias Andrômeda com a Via Láctea, a humanidade teria que buscar sua fuga para um planeta em uma galáxia mais próxima como a Galáxia Anã do Cão Maior situada a 25.000 anos-luz. Antes da morte do Sol, a humanidade deveria sair do sistema solar e alcançar um novo planeta em outro sistema planetário que seja habitável para os seres humanos. Este planeta poderia ser o “Proxima b” orbitando a estrela mais próxima do Sol integrante do sistema Alpha Centauri. Com o fim do Universo em que vivemos, a humandade deveria buscar uma saída, isto é, um universo paralelo, para a humanidade escapar e sobreviver a todos os cenários catastróficos.

Atualmente, a humanidade teria condições de evitar a colisão de grandes asteróides sobre o planeta Terra porque dispõe de poderosos foguetes capazes de atingi-los. No entanto, não dispõe de recursos para implantar colônias espaciais em Marte, Titan (lua de Saturno), Callisto (lua de Júpiter) e no planeta anão Plutão. A humanidade não dispõe, também, de recursos científicos e tecnológicos para buscar sua fuga para um planeta em uma galáxia mais próxima como a Galáxia Anã do Cão Maior, alcançar outro planeta habitável, o “Proxima b”, orbitando a estrela mais próxima do Sol integrante do sistema Alpha Centauri e muito menos buscar uma saída para um universo paralelo antes do fim de nosso Universo.

Se é imenso o desafio científico e tecnológico para fugir para um planeta em uma galáxia como a Galáxia Anã do Cão Maior situada a 25.000 anos-luz, alcançar um novo planeta em outro sistema planetário que seja habitável para os seres humanos como o “Proxima b” orbitando a estrela mais próxima do Sol integrante do sistema Alpha Centauri, o desafio seria ainda maior em abandonar nosso Universo e se dirigir para universos paralelos. Segundo Michio Kaku, físico teórico estadunidense, professor e co-criador da teoria de campos de corda, o principal problema em abandonar nosso Universo e se dirigir para universos paralelos é se teremos recursos suficientes para construir máquinas capazes de realizar uma proeza tão dificil e se as leis da física permitem a existência dessas máquinas (KAKU, Michio. Mundos paralelos. Rio: Editora Rocco Ltda., 2005).

Kaku afirma que a humanidade terá pela frente bilhões de anos para encontrar a solução que possibilite abandonar nosso Universo em direção a universos paralelos. Kaku afirma que, para as missões interplanetárias de longa distância, os físicos terão que encontrar formas mais exóticas de propulsão de foguetes se esperam alcançar distâncias a centenas de anos-luz haja vista que os foguetes químicos atuais são limitados pela velocidade máxima dos gases de escapamento. Ele diz que o desenvolvimento de um motor solar/iônico pode proporcionar uma nova forma de propulsão de foguetes entre as estrelas. Um projeto possível seria criar um reator de fusão, um foguete que extrai hidrogênio do espaço interestelar e o liquefaz liberando quantidades ilimitadas de energia no processo.

Para a humanidade escapar para universos paralelos, Kaku afirma ser preciso superar uma série de grandes obstáculos. A primeira barreira seria completar uma teoria de tudo quando teríamos condições de verificar as consequências da utilização de tecnologias avançadas. Sobre a teoria de tudo, cabe observar que a Física moderna tem duas leis científicas básicas: física quântica e relatividade geral. Essas duas leis científicas representam campos de estudo radicalmente diferentes, pois enquanto a física quântica estuda os objetos pequenos da natureza, a relatividade estuda a natureza na escala dos planetas, das galáxias e do universo como um todo. O problema surge quando é preciso combinar as duas teorias, como por exemplo, para explicar o comportamento dos buracos-negros ou o Big Bang, pois elas acabam divergindo. Einstein passou parte da vida desenvolvendo sua Teoria do Campo Unificado, que seria um modelo capaz de explicar as 4 forças fundamentais da natureza: força gravitacional (a atração mútua entre corpos em razão de suas massas), força eletromagnética (a atração ou repulsão entre corpos em razão de suas cargas elétricas e/ou sua magnetização), força nuclear fraca (força desenvolvida entre os léptons e os hadrons responsável pela emissão
de elétrons em algumas substâncias radioativas) e força nuclear forte (força que mantém a coesão nuclear e a união entre quarks). Agora, cientistas deram continuidade ao trabalho de Einstein e o resultado é a teoria das cordas.

A teoria das cordas é uma tentativa de unificar a teoria da relatividade, a mecânica quântica e as 4 forças fundamentais da natureza, por isso é conhecida como a Teoria de Tudo. Ela é vista pelos físicos como a principal teoria que possa explicar o universo inteiro, desde o surgimento do Big Bang até o possível fim do universo. Segundo a teoria das cordas os quarks (prótons + nêutrons) seriam formados por pequenos filamentos de energia que poderiam ser comparados a pequenas cordas vibrantes em que o universo inteiro seria formado por essas pequenas cordas, que de acordo com seu comprimento e vibração, definem as características de cada partícula e explicaria a grande diversidade do universo ou multiverso que considera que nosso Universo não é único e que mais de um universo surgiu durante o Big Bang. Alguns cientistas afirmam que pode haver um quase infinito número de universos paralelos, cada um com suas próprias leis físicas.

Além da teoria de tudo, Kaku propõe encontrar buracos de minhoca e buracos brancos que são portões dimensionais e cordas cósmicas que possibilitariam alcançar universos paralelos, enviar sondas através de um buraco negro que funcionaria como escotilha de emergência para sair de nosso Universo, construir um buraco negro para propósitos experimentais, criar um universo bebê com um falso vácuo no laboratório, criar imensos colisores de átomos apesar dos grandes problemas de engenharia, criar mecanismos de implosão com o uso de raios laser, construir uma máquina de impulsionar a dobra com capacidade de cruzar imensas distâncias estelares, usar a energia negativa dos estados comprimidos com o uso de raios laser que podem ser utilizados para gerar matéria negativa para abrir e estabilizar buracos de minhoca, esperar por transições quânticas para escapar para outro universo e, finalmente, como última esperança, com a fusão de nossa consciência com nossas criações robóticas usando engenharia de DNA avançada, nanotecnologia e robótica.

A Inteligência artificial poderá contribuir decisivamente pata o avanço científico e tecnológico visando dotar a humanidade dos recursos necessários para enfrentar seus problemas de sobrevivência. Há a possibilidade de criarmos máquinas mais inteligentes do que nós, as chamadas superinteligências artificiais. Se algum dia os cérebros artificiais superarem a inteligência dos cérebros humanos, então esta nova superinteligência pode se tornar muito poderosa. O destino da humanidade se tornaria dependente das ações destas máquinas superinteligentes. A ideia é que tudo o que ocorre no cérebro, e mesmo no Universo, venha da informação e de sua transferência: a matéria apenas oferece suporte para o armazenamento e propagação de informação. Se for esse o caso, talvez seja mesmo uma questão de tempo até que a primeira superinteligência artificial seja criada, quem sabe até antes de 2045.

* Fernando Alcoforado, 80, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

 

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