Merecendo resgate

Merecendo resgate

Geraldo Leite.

Três médicos contribuíram sem recompensa para a grandeza do IBIT: Flaviano Marques, Manoel Ezequiel da Costa e Álvaro Pinheiro Lemos.
FLAVIANO MARQUES
Por ocasião da primeira viagem de Silveira à Europa, Flaviano o procurou oferecendo ajuda. Mais tarde tornou a procura-lo, com o mesmo propósito. A partir daí acompanhou Silveira, sempre firme em seus princípios de dedicação, filantropia e civismo. Integrou-se ao IBIT e a ele se dedicou de corpo e alma. Era impressionante o cuidado que dispensava aos documentos relativos a auxílios, subvenções, rendas, gastos e despesas da Instituição. Deixando o IBIT por razões pessoais, nunca o esqueceu; sempre o ajudou com donativos. Evitando o reconhecimento público, recebeu com constrangimento o título de “Sócio Grande Benemérito”. Vencendo sua excessiva modéstia, José Silveira conseguiu colocar um retrato seu na sala onde trabalhou gratuitamente, durante muitos anos.
MANOEL EZEQUIEL DA COSTA
Manoel Ezequiel da Costa aproximou-se de Silveira no ano de sua formatura. Chegara do interior, conduzido por seu pai, zeloso das companhias do filho. “Não sei porque, confiou em mim”— disse Silveira. “E num gesto de admirável pureza – que me sensibilizou pela vida afora – achou que a minha amizade seria a que mais convinha ao seu filho. Bendita a inspiração do velho Costa, que deu a mim, e indiretamente à esta Instituição, um amigo sem confronto, um colega perfeito, um colaborador admirável e fecundo… Desde então – e isso passou há muitos anos – temos vivido juntos e juntos trabalhado. Nele inoculei o vírus benfazejo do gosto pela Radiologia, que o transformou num cultor seu, primoroso e competente”.
ÁLVARO LEMOS
Álvaro Lemos veio do Rio de Janeiro ainda moço, com a esperança de conhecer o IBIT, Instituição cuja fama chegara aos seus ouvidos. Vivia-se o Governo de Octávio Mangabeira, que respeitava o prestígio do médico. Lemos queria trabalhar, sem qualquer espécie de recompensa, e nessa condição se manteve por muitos anos. “A princípio” – recorda Silveira – passava despercebido no meio dos colegas, pelo seu próprio temperamento. Depois, nos conquistou para sempre. Com assiduidade excepcional, à hora certa, diariamente estava ele no seu gabinete a redigir histórias clínicas, examinar doentes, fazer radioscopia, instalar e manter pneumotóraxes nos indigentes e pobres que nos procuravam então, em avalanches.”

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