IDH do Brasil fica estagnado

IDH do Brasil fica estagnado

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Em relação a 2014, o Brasil estagnou no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), no valor de 0,754, e se mantém na posição 79 do ranking entre 188 países. Na América do Sul, o Brasil é o 5º país com maior IDH, atrás de Chile, Argentina, Uruguai e Venezuela. No caso da Argentina, Chile e Uruguai, todos os indicadores são maiores que os brasileiros. Em relação à Venezuela, o Brasil apresenta melhores números para esperança de vida ao nascer e anos esperados de estudo, mas Renda Nacional Bruta (RNB) per capita e média de anos de estudo menores.

Considerando os 78 países analisados com IDH melhor que o Brasil, apenas Andorra, Arábia Saudita, Seicheles e Maurício tiveram desenvolvimento humano mais acelerado que o brasileiro entre 2010 e 2015. Entre 1990 e 2015, dos 65 países com IDH mais alto, e com essa informação disponível, somente Cingapura, Croácia, Maurício, Irã e Turquia tiveram crescimento do desenvolvimento humano maior ou igual ao brasileiro.

Nesse período (1990-2015), os brasileiros ganharam 9,4 anos de expectativa de vida e viram a renda aumentar 31,6%. Além disso, a expectativa de anos de estudo para uma criança que entra no ensino em idade escolar aumentou três anos e a média de anos de estudos de adultos com 25 anos ou mais subiu quatro anos.

O Índice de Desenvolvimento Humano é um indicador que vai de zero a um. Quanto mais próximo de um, maior o desenvolvimento humano. O índice mede o progresso de uma nação a partir de três dimensões: renda, saúde e educação.

Índices mostram piora na desigualdade– No IDH ajustado à desigualdade – um método que relativiza o desenvolvimento humano em função da diferença entre os mais e menos abastados de um país – o Brasil é o 3º país que mais perde posições, empatado com Coreia e Panamá e atrás somente do Irã (-40) e de Botsuana (-23). Em relação ao Coeficiente de Gini (2010-2015) – instrumento que mede o grau de concentração de renda em determinado grupo e aponta a diferença entre os rendimentos dos mais pobres e dos mais ricos – o Brasil é o quarto pior da América Latina e Caribe, atrás somente da Haiti, Colômbia e Paraguai.

Baixa participação política e econômica das mulheres derruba índice de igualdade- O Relatório detalha também a realidade das mulheres brasileiras, desagregando o IDH por gênero e avaliando saúde reprodutiva, empoderamento e atividade econômica feminina. No Brasil, o IDH dos homens fica em 0,751 e o das mulheres em 0,754, o que reflete melhor desempenho educacional e longevidade do segundo grupo. No entanto, apesar do maior nível educacional das mulheres, os homens ainda têm um indicador de renda significativamente mais alto (66,2%).

Já o Índice de Desigualdade de Gênero, por sua vez, avalia desigualdades em três dimensões sensíveis à questão de gênero: saúde reprodutiva, empoderamento e atividade econômica. Nesse indicador, o Brasil está na metade mais mal avaliada de 159 países. Com valor de 0,414, ocupa a 92ª posição.

Vale ressaltar que o país com menor IDH do mundo tem mais mulheres com assento no Parlamento do que o congresso brasileiro: o Brasil apresenta 10,8%, enquanto a República Centro-Africana tem 12,5%.

Apesar de todos os desafios para fazer esse salto qualitativo no desenvolvimento humano, o mundo sabe e tem os recursos necessários para incluir as pessoas deixadas para trás.

Mais informações sobre o Relatório de Desenvolvimento Humano 2016 aqui. 
Acesse o relatório aqui. 

Nos últimos 25 anos, o mundo registrou progressos importantes no desenvolvimento humano, mas os ganhos não têm sido universais: mulheres, grupos étnicos e raciais, populações rurais e cidadãos de alguns países não têm conseguido se beneficiar desses avanços. A conclusão está no Relatório do Desenvolvimento Humanos (RDH) 2016, lançado mundialmente nesta terça-feira (21/3), pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

O documento – que explica as razões por que alguns grupos foram deixados para trás – aponta também as políticas e estratégias nacionais e globais necessárias para alcançar as populações atualmente excluídas. Elas estão organizadas em quatro eixos:

Piso de proteção social – políticas universais de saúde e educação; de assistência social, como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC); benefícios previdenciários para grupos vulneráveis; inclusão financeira;

Políticas de ação afirmativa – para mulheres, negros, indígenas, pessoas com deficiência, entre outros grupos vulneráveis;

Desenvolvimento humano sustentável – para que choques, como recessões econômicas, epidemias, desastres naturais, não façam as pessoas voltarem à situação de pobreza;

Participação e autonomia dos excluídos – efetivar os tratados de direitos humanos, garantir o acesso à justiça, promover inclusão, efetivar o direito à informação.

O relatório reconhece que a superação dos desafios do desenvolvimento humano é complexa e envolve reformas não apenas nacionais, mas também em instituições globais, como mercados, sociedade civil e organismos multilaterais. Dentre as sugestões de reformas estão a regulação de investimentos e mercados justos, um sistema de migração justo e mudanças na composição do Conselho de Segurança da ONU.

Outro alerta importante trata da necessidade de produção de dados que mostrem a realidade para além das médias nacionais. Um exemplo: atualmente existem 300 milhões de pessoas pobres nos países de renda elevada. No Brasil, a renda média per capita familiar, em 2010, era de R$ 793,87. Na cidade de São Caetano do Sul (SP), porém, chegava a R$ 2.043,00, enquanto em Marajá do Sena (MA) – município de menor renda do país – alcançava apenas R$ 96,25.

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