Entrevista com Ivan Paiva sobre atendimentos nas urgências e emergências desafios e soluções

 

Por: Joice M Araujo

No programa Saúde no Ar das Rádios Excelsior AM 840 e Radio Web Saúde no Ar desta sexta-feira 28 de junho, Patrícia Tosta, recebeu como convidados o Coordenador Médico Hospitalar e de Urgência da Secretaria Municipal de Saúde, Dr. Ivan Paiva, e o Colunista do Saúde e Cidadania Ezequiel Oliveira, para esclarecer dúvidas dos ouvintes a respeito dos atendimentos nas urgências, emergências gerenciadas pela Secretaria Municipal de Saúde e grande demanda da população em busca de atendimento nas unidades.

Ivan, esclarece que é possível para a população solicitar atendimento ou buscar informações de onde conseguir o atendimento adequado através do telefone 192 com um dos 8 médicos disponíveis para atendimento 24 horas, essa seria uma primeira triagem de atendimento para facilitar o acesso da população aos serviços de urgência e emergência oferecidos pelo município. “é logico que população que está ouvindo a gente agora não é especialista da área de saúde, não vai saber o que é a dor no abdômen ou no peito, não duvida liga para o 192 conversa com um médico regulador, no SAMU temos 8 médicos de plantão 24 horas que podem esclarecer, se o médico perceber que aquilo é uma situação emergencial ele vai encaminhar uma unidade móvel, caso contrário ele irá informar em qual unidade será necessário se encaminhar para atendimento adequado”.

Como complemento Ezequiel Oliveira, colunista do Saúde e Cidadania cita o Art. 196 da Constituição Federal onde se diz que; a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença. Para Ivan, “não podemos no basear apenas no papel precisamos ver a demanda por isso construímos uma nova UPA”, referindo do se a unidade de pronto atendimento que teve suas obras iniciadas no dia 30 de abril na Cidade Baixa. O objetivo é que a unidade realize 450 atendimentos por dia, com previsão de conclusão das obras em 2021. Segundo a secretaria de saúde do município, pretende-se gastar 3,5 mil mensais na unidade que terá atendimento 24 horas.

Respondendo à Jorge, um dos ouvintes do programa Saúde no ar sobre a superlotação da UPA de Brotas e o porquê o mesmo ter sido instruído a procurar outro local para atendimento, mesmo sendo uma emergência o coordenador Ivan Paiva, esclarece que “Jamais seria uma orientação da Secretaria Municipal de Saúde negar atendimento a um paciente que busca a unidade, isso constituiria omissão de socorro. O que acontece nesses meses de maio e junho é que tivemos uma superlotação. Por exemplo uma unidade como Brotas é necessária uma portaria que define algumas regras, como: quantos profissionais de saúde, quais espaçamento físico e dimensionamento de equipe para atender um o público. A gente dimensionou uma quantidade de 300 atendimentos por dia, a UPA chegou a atender 600 pessoas dia. Temos 3 médicos clínicos e ele tem um tempo, não posso pedir para um médico atender um paciente em 5 minutos o que levaria 15 por que a fila está grande e comprometer a qualidade da assistência. Se temos uma grande demanda o tempo de espera passa de 6 horas, então a informação que damos é informar ao usuário que se ele puder esperar informe o tempo de espera para que ele tenha a opção de esperar ou procurar outra unidade”.

Ivan ainda complementa que “varia muito, por mais que tenha separado as unidades, a unidade Brotas tem uma demanda maior que as demais. A upa brotas tem 4 leitos na sala vermelha, já chegamos a ter 8 e 9 pacientes nessa sala”. Segundo ele na última gestão do prefeito ACM Neto foram colocadas 8 unidades em funcionamento mais um hospital, tendo ampliação no acesso e a atenção primaria que antes estava em 20% hoje fecha a cima de 50%. “demora ne atendimento não significa que ela não funciona bem, a UPA Paripe, Barris, Brotas e Sam Martins sofreram muito e agora está melhor, com o fechamento da UPA de Roma e Escada pelo Governo do Estado toda aqueles 9 a 10 mil pacientes por mês depois. O que atenderia um ponto foi necessário atender outros 2 distritos e virou um caos”.

Segundo Ivan, o município possui o primeiro hospital municipal com residência em medicina de emergência da Bahia. Atualmente em posse da Prefeitura de Salvador estão 41 ambulâncias, central de regulação e 16 unidades de pronto atendimento. Respondendo ao colunista Ezequiel, “Todas as unidades e próprio SAMU tem classificação de atendimento. O benefício da classificação de risco é que se há uma discrepância entre a oferta de serviço e a demanda precisamos procurar uma maneira de organizar a fila. Normalmente é feita por ordem de chegada, e isso é ruim para o serviço de saúde por que naquela fila pode ter algumas pessoas que se esperarem podem ter um risco de vida, então o que se idealizou, os idosos já tem uma prioridade ofertada por lei, então se coloca um paciente que tem o sangramento, derrame ou algo que ponha em risco sua vida precisam ter o seu atendimento priorizado, o protocolo de Manshester para gravidade de atendimento é padrão internacional. No sistema Inglês que foi usado como base para criar o SUS. Emergências lotadas, dificuldades do atendimento”. Os atendimentos possuem cor e tempo de espera de aproximadamente 0 a 240 minutos dependendo da sua gravidade sendo separados na triagem por risco: Ressuscitação 0 minutos (vermelho), emergência 10 minutos (laranja), urgência 60 minutos (amarelo), pouco risco 120 minutos (verde), não urgente ou nenhum risco 240 minutos (azul).

O coordenador Médico Hospitalar e de Urgência da Secretaria Municipal de Saúde, Dr. Ivan Paiva conclui falando que “ampliamos o SAMU a rede de pronto atendimento. Por isso temos encaminhado nessa direção, o que falo aqui não é apenas na Bahia e sim no mundo todo. Temos um grupo de pessoas que fazemos a análise da fila para fazer certos exames, por exemplo a tomografia que normalmente durava meses coma  chegada do hospital municipal e novos prestadores conseguimos zerar a fila, a mamografia que antes era difícil hoje sobram vagas .O que nós queremos é fazer amanhã melhor do que fizemos hoje.”

Por: Joice M Araujo
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