Agronegócio, tecnologia e sustentabilidade

Agronegócio, tecnologia e sustentabilidade

A agricultura e  pecuária são atividades essenciais para o Brasil. Maior exportador de carne bovina e segundo maior produtor do planeta, o segmento, ano passado, representou 8,5% do total do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. A força desse setor na economia pode ser comprovada também por outros dois dados referentes a 2019, divulgados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec): o embarque recorde de produtos in natura e processados ao exterior, com 1,847 milhão de toneladas (alta de 12,4%), e o faturamento de US$ 7,59 bilhões, uma variação anual de 15,5%. Nesse sentido, fica evidente o potencial econômico do setor.

Tanto é que a previsão da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB) é que a pecuária brasileira se torne o maior produtor mundial nos próximos cinco anos. Contudo, para que esse crescimento seja sustentável, é necessário investir, cada vez mais, na modernização do setor.

Isso significa ampliar as ações e iniciativas que contribuam para a produtividade e eficiência em toda a cadeia da pecuária, desde a criação, passando pelo abate e logística até o mercado varejista e consumidor final, e como resultado, haverá uma expansão da competitividade no mercado global, maior rentabilidade a todos os stakeholders e maior qualidade dos produtos derivados desse segmento.

Muitas companhias têm priorizado esse assunto, trabalhando, desse modo, em conjunto com fornecedores e parceiros para implementar soluções para produzir e comercializar com mais eficiência, por meio do uso de novas tecnologias e procedimentos que certifiquem todos os processos. Ademais, os esforços conjuntos advindos de entidades setoriais, da cadeia produtiva do agronegócio e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento têm trazido resultados importantes para a implementação de tecnologia e rastreabilidade tanto para a lavoura como para a pecuária.

A rastreabilidade é um ponto fundamental para modernização do setor, por permitir o monitoramento e gerenciamento de todas as etapas da cadeia da pecuária, o que resultará em uma total transparência de informações. Atualmente, com o avanço de tecnologias de rastreabilidade é possível mapear toda a vida do gado, desde seu nascimento até o abate e a posterior distribuição dos produtos e seus derivados. Os sistemas eletrônicos de identificação, por exemplo, que são implantados, geralmente, quando o animal ainda é um bezerro são usados para armazenar todas as informações relativas a esse gado (peso, idade, origem, destino, desempenho zootécnico), incluindo as ocorrências sanitárias ao longo de sua vida. Esses dados são disponibilizados em um programa, que pode ser acessado por diversos dispositivos móveis ou fixos.

Os drones também podem ser utilizados para análise de pastagens, contagem dos animais e monitoramento de cochos e bebedouros. Outra tecnologia atual que contribui também na questão da rastreabilidade é o blockchain, que possibilita a criação de uma identidade digital para cada animal a ser rastreado, com todas as informações ao longo de sua vida, que serão armazenados e compartilhados entre toda a cadeia da pecuária, iniciando pela criação até o varejo.

Outra questão primordial é a entrega de um produto de qualidade ao consumidor final, seja brasileiro ou do exterior, asseverando a segurança alimentar da carne ou de seus derivados, uma vez que esses sistemas possibilitam realizar o rastreamento caso haja algum problema. O consumidor, por exemplo, pode verificar as informações sobre o alimento por meio de seus celulares. A modernização da pecuária e agricultura brasileira não contribui apenas no aspecto econômico, mas também nos pontos de vista social e ambiental. A sociedade passa a conhecer melhor a origem dos produtos que consome e o trabalho que é realizado para que esses produtos alcancem as suas casas, valorizando, desse modo, os esforços contínuos da atividade, de seus profissionais e das empresas para atender as demandas quanto à qualidade, sabor, textura da carne e seus derivados e quanto à durabilidade e qualidade do couro. Na perspectiva ambiental, há uma preocupação mundial para que todas as atividades econômicas revisem sua forma de trabalhar para diminuir o impacto ambiental. A indústria global de carne bovina representa, atualmente, cerca de 9% do total das emissões globais de gases de efeito estufa (GEE). Há uma ampla gama de fontes de emissão associadas à pecuária, incluindo fermentação entérica (uma grande fonte de emissões de metano a partir de processos digestivos), a produção de alimentos para animais em confinamento e mudanças no uso da terra, como o desmatamento.

Nesse caso, o manejo sustentável pode ser estimulado pela adoção de tecnologia, rastreabilidade e novos processos de produção, como ILPF (Integração-LavouraPecuária-Floresta) e o PRV – Pastoreio Racional Voisin (PRV). De fato, o agronegócio brasileiro, em especial, a pecuária tem potencial para continuar na liderança das vendas externas. Mas o setor pode ir além e se tornar o maior exemplo de produção com rastreabilidade, informações transparentes e qualidade no produto final.

Porém, será necessário um empenho ainda maior, com a promoção e a implementação de maiores níveis de rastreabilidade e transparência das informações, além de melhorias nos sistemas de monitoramento e gerenciamento da cadeia de suprimentos atualmente em uso. É preciso que todos os atores da comunidade agro, especialmente grandes e médios frigoríficos e curtumes de couro e grandes marcas varejistas, entendam a importância e o valor da  transparência, tanto do ponto de vista de conservação ambiental quanto comercial.

A NWF (National Wildlife Federation) mantém esse foco  na  conscientização de toda cadeia da pecuária, para que melhorem o manejo das suas pastagens, empregando tecnologias modernas, que possam garantir maior produtividade, rentabilidade, competitividade e o desenvolvimento sustentável (econômico, social e ambiental) da atividade no Brasil.

O assunto foi tema do Programa Excelsior saúde do último dia 22.07, Patricia Tosta conversou com Francisco Beduschi Neto, Engenheiro Agrônomo, com 25 anos de experiência na pecuária atuando em gestão, planejamento, projetos e análise econômica e de mercado, trabalho no terceiro setor (ONGs) desde 2013

 

 

Ouça a entrevista:

 

 

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