Venezuela e o desastre econômico além da pandemia

Venezuela e o desastre econômico além da pandemia

Segundo a Organização Mundia da Saúde (OMS), o mundo já registra 12.929.306 casos do novo coronavírus, com 569.738 mortes. Diferente do Brasil que possuiu 1.864.681 casos da doença, a Venezuela registra apenas 9.707 casos segundo o governo do país. Em videoconferência, o presidente venezualano, Nicolás Maduro, falou sobre a chegada da pandemia no país: “Estamos enfrentando uma tremenda pandemia no mundo. Na Venezuela, é o começo da pandemia, é o verdadeiro surto. Antes, tínhamos visto a chegada da pandemia, agora estamos vendo o verdadeiro surto”. declarou Maduro a equipe governamental encarregada de deter o vírus  SARS-CoV-2.

Mesmo com o aumento de casos, o coronavírus não é o único problema enfrentado pela população venezuelana. O nível de pobreza que o país alcançou nos últimos anos, continuou crescendo entre 2019 e 2020, essa foi a conclusão da mais recente Pesquisa de Condições de Vida na Venezuela (Encovi), o estudo feito por um grupo de universidades desde 2014 e que se tornou o raio-x mais rigoroso dos principais indicadores desde que o Governo parou de publicar estatísticas . Atualmente o país é o segundo mais desigual na região, seguindo o Brasil, de acordo com medições feitas com base em entrevistas em quase 10.000 domicílios. Os dados mostram o avanço do colapso econômico e o reajuste demográfico e social que a migração forçada de cinco milhões de venezuelanos provocou.

“A Venezuela nunca teve níveis de pobreza como os que vemos, nem no século XX nem no século XXI, por isso precisamos sair do contexto latino-americano e mais claramente do sul-americano para colocar em perspectiva onde estamos”, diz o sociólogo Luis Pedro España, pesquisador da Universidade Católica Andrés Bello, que lidera o estudo. De acordo com a renda, 96% da população venezuelana é pobre, e 79% desse total está em extrema pobreza. Que a pobreza extrema seja maior que a pobreza não extrema é uma característica registrada no país nos últimos três anos de hiperinflação e que, na opinião dos pesquisadores, resulta da queda de 70% no PIB entre 2013 e 2019 “Em geral, somos todos pobres, não há mais riqueza para distribuir ou bem-estar do qual desfrutar”, observa España.

Analisando as variáveis relacionadas como: emprego, educação, condições de moradia e serviços públicos, a pobreza alcança 65% dos domicílios, com aumento de 13,8% entre 2018 e 2019. A pesquisa considera um novo indicador chamado de pobreza de consumo, no qual situa 68% da população, que consome menos de 2.000 calorias por dia por dia. Apenas 32% da população alcança esse mínimo. A isto se somam os dados antropométricos sobre desnutrição infantil: 30% das crianças com menos de cinco anos ―639.000 crianças― têm desnutrição crônica ou baixa estatura, porcentual que está bem acima dos vizinhos da região e é superado apenas pela Guatemala.

A visão preocupante do país, é agravada pela pandemia, no mês de abril, quando o país estava em quarentena havia um mês e com muito poucas infecções, 43% dos venezuelanos informaram que não tinham como trabalhar ou tinham perdido sua renda. Nesse mês, as famílias que recebiam remessas do exterior passaram de 9% para 5%.

Para o sociólogo, acabar com a pobreza extrema exigirá um programa de transferências diretas direcionadas da ordem de 5 bilhões de dólares (27 bilhões de reais) por ano, que permita um aporte de dois dólares por dia para 6,5 milhões de famílias, uma política inviável para o Governo de Nicolás Maduro, que ficou sem receita por causa da queda na produção de petróleo. “O Estado é profundamente pobre para poder empreender esse programa e relançar a economia, e enquanto não conseguirmos entrar no sistema financeiro internacional, ficaremos atolados na precariedade”, acrescenta ele.

Fonte: El Pais, OMS

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