Planos de saúde na conjuntura atual

Planos de saúde na conjuntura atual

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Adquirir a casa própria ainda é um sonho não realizado para 63% dos brasileiros, que também têm em sua lista de prioridades adquirir um bom plano de saúde. Segundo a pesquisa Ibope Inteligência, 53% da população acalentam esse sonho, que ocupa o terceiro lugar da lista.

No entanto, este é um desejo que fica cada vez mais distante, a cada aumento anunciado pelos planos de saúde. Em 2016 os planos de saúde exibiram uma sensível queda no número de beneficiados. E o motivo não poderia ser outro: A crise econômica no Brasil.

Os planos de saúde na conjuntura atual, segundo os dados da Nota de Acompanhamento de Beneficiários (NAB), produzida pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), o setor perdeu 1,37 milhão de beneficiários, uma queda de 2,8% na comparação com o mesmo período do ano passado.

A região Sudeste puxou a queda do total de beneficiários de planos médico-hospitalares em 2016. Nos 12 meses encerrados em dezembro, 1,37 milhão de vínculos foram rompidos (retração de 2,8%) no Brasil, sendo que 1,1 milhão destes, o que equivale a 79,9%, se concentram no Sudeste.

Apenas no Estado de São Paulo, 630,3 mil beneficiários deixaram de contar com o plano de saúde médico-hospitalar. O número é maior do que a soma de vínculos rompidos em todas as outras regiões do Brasil e equivale a 46,1% do total de vínculos rompidos no País.

Desde que foi promulgada a Lei nº 9.656, de 03 de junho de 1998, que regulamenta os planos privados de assistência à saúde no Brasil muita coisa mudou nesse segmento. Para Flávio Wanderley, presidente regional da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge), antes dessa lei, não havia parâmetros para estabelecer os critérios. “As empresas de saúde foram obrigadas a cobrirem os riscos desde que cumpridas as cláusulas contratuais e a letra da Lei nº 9.656, que impõe uma série de regulações”.

Ainda segundo o presidente da Abramge para o regional Nordeste, o grande desafio do setor de plano de saúde é se consolidar em um mercado extremamente competitivo, pois a concorrência é enorme. “Muitas empresas ficaram no meio do caminho. Até a chegada da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), tínhamos no país 5 mil empresas de planos de saúde. Passados 17 anos, temos apenas 930”. De acordo com Wanderley, essa diminuição significa uma maior profissionalização do segmento, ou seja, quem continua no mercado está em conformidade com toda regulamentação exigida pela ANS.

Apesar dos avanços na regulamentação o setor ainda se coloca em uma balança de altos e baixos. Pois se por um lado tem muitos usuários satisfeitos com o serviço, é certo que do outro há muitas reclamações. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) suspendeu recentemente a venda de 38 planos de saúde e de 14 operadoras. A medida ocorreu devido a reclamações de clientes relativas à cobertura assistencial, negativas e demora no atendimento, recebidas no 1º trimestre de 2017 e faz parte do monitoramento periódico realizado pela ANS, com o Programa de Monitoramento da Garantia de Atendimento. “Ao proibir a venda dos planos que estão sendo alvo de reclamações recorrentes sobre cobertura, a ANS obriga as operadoras a qualificarem o serviço para atender com eficácia aos usuários. Somente mediante a adequação do atendimento essas operadoras poderão receber novos clientes”, explica Karla Santa Cruz Coelho, diretora da agência.

Promover saúde de qualidade é algo desafiador, complexo, mas que deve ser perseguido, afirmou Flávio a redação do Saúde no ar, “ o cuidado com a nossa saúde começa quando abrimos os olhos, e lidar e dar saúde com qualidade custa caro. Isso passa por vários vetores do ponto de vista do estado com políticas públicas e as entidades privadas atuando em um segmento que precisa trabalhar com planejamento estratégico, eficiência, responsabilidade com as políticas públicas e não ver só como negócio, mas em benefício da saúde coletiva”. Uma reflexão para os planos de saúde na conjuntura atual.

 Entre o desejo do usuário de ter assistência à saúde de qualidade e as possibilidades rede de serviços pública e privada em atender essa expectativa, emerge a proposta da criação de planos de saúde populares com o modelo simplificado que não cobre internação, terapias e exames de alta complexidade ou atendimento urgência e emergência, apenas consultas e serviços de baixa e média complexidade. A medida que poderia atender a uma parcela da população que ficou sem possibilidade de acesso a um plano de saúde passando a depender do SUS, ainda não saiu do papel. No entendimento da Abrange, o plano acessível proposto pelo Ministério da Saúde poderia ser uma alternativa para não apenas promover a volta dessas pessoas como também trazer aqueles que nunca tiveram acesso à assistência privada, mas sempre a desejaram, contudo, a proposta ainda está em análise.

Como saúde é um segmento extremamente complexo, o contexto atual impõe algumas questões que precisam ser analisadas e enfrentadas entre elas a maior expectativa de vida e consequentemente crescimento da população de idosos, que no Brasil já representa 12% com aumento de 4% ao ano. Em contrapartida, a população jovem tem diminuído. Pesquisas indicam que o Brasil já teve 4 filhos por família e hoje o índice é de 1,6 filhos o que tem impacto direto na saúde integral do. “ O plano de saúde tem uma preocupação correlativa onde a faixa etária mais jovem tem que sustentar a faixa mais velha, que usa mais o sistema, é uma relação de desequilíbrio, mas estamos sempre buscando uma melhoria continua”, afirmou Flávio.

Ainda de acordo com a Abramge é preciso que algumas vertentes também sejam consideradas, como a remuneração justa equiparando aos novos serviços oferecidos a questões como boa qualificação e formação do profissional, assim como equiparação dos prestadores de serviço e maior transparência sobre a qualidade da oferta que deve ser melhorada sempre. De acordo com a entidade, os hospitais ganham dos planos pela quantidade de serviços, não pela qualidade da assistência que prestam ao paciente.

O mau uso do sistema ou excesso de procedimentos é outro desafio, já que 50% dos eventos médicos solicitados acontecem por pedido do usuário. A prática tem como consequência procedimentos desnecessários, que expõem pacientes a riscos, e aumentam o custo da saúde, custo esse que vai parar na conta dos usuários. De acordo com a Abramge, o incentivo ao volume de procedimentos, abre brechas para crimes como os vistos na "máfia das próteses", em alguns casos até cirurgias são indicadas sem necessidade. “É preciso que os médicos sejam responsabilizados quando ocorrem abusos e fraudes”, comentou o Flavio ao dizer que a Abramge está atenta a esta questão e mantém em curso uma ação que envolve empresas multinacionais de grande expressão no cenário da saúde.

Outro ponto a ser considerado é a judicialização que de acordo com Flávio, nem sempre é justa “muitas vezes a busca do judiciário é equivocada ou desnecessária, pois alguns usuários buscam solução de um tipo de procedimento que não tinha sido contratado“, comentou.

Se é certo que ter saúde com qualidade é desejo de todos, o futuro aponta para uma mudança de perspectiva com medicina pautada na promoção à saúde e não apenas na doença.  “As operadoras de planos de saúde para que sobrevivam e prestem o melhor serviço possível precisam investir em medicina de promoção a saúde, medicina por evidência, programas de combate ao tabagismo, doenças degenerativas, cardiovasculares etc., pois prevenir sempre é melhor que remediar e isso reduz custo e pode transferir custeios, dessa forma deixam de ser um plano de doença para se transformar em um plano de saúde efetivamente, pois a saúde é nosso maior bem”, concluiu, Flávio.

O ideal por fim é que se tratando de saúde e qualidade de vida, tivéssemos um leque de possibilidades de oferta de serviços de qualidade e com preço justo na rede privada e condições semelhantes na rede pública e que estes setores atuassem de forma integrada em cada estado e município, dessa forma o usuário teria a livre escolha, podendo optar pelos serviços e atendimentos que deseja e que cabe no bolso.

Ouça o comentário completo do presidente da Abramge para o regional Nordeste:

 

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