Epilepsia

Depois de contemplar o Outubro Rosa, Novembro Azul e Dezembro Vermelho, com alerta e conscientização de doenças como câncer e aids, a capital baiana agora se prepara para contemplar o Dia Internacional da Conscientização da Epilepsia – também conhecido como Dia Roxo ou Purple Day. Lembrado no dia 26 de março, o Dia Roxo tem como finalidade chamar a atenção sobre a epilepsia, uma das doenças neurológicas mais comuns, que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), afeta aproximadamente 1% da população – mais de 50 milhões de pessoas no mundo. Estima-se que Salvador tenha cerca de 30 mil pessoas com a doença.

O movimento internacional surgiu em 2008, no Canadá, e o Brasil aderiu em 2011, conforme registros da Academia Brasileira de Neurologia. A cor roxa foi escolhida como símbolo da campanha de conscientização por causa da flor de lavanda, frequentemente associada à solidão.

Conforme explica o neurologista do Cárdio Pulmonar Humberto Castro Lima Filho, especialista na doença, o preconceito e o isolamento ainda são os maiores problemas enfrentados pelos pacientes. “Existem tratamentos eficazes e cerca de 70% a 80% dos pacientes afetados conseguem ficar totalmente livres de crises, levando uma vida normal”, reforça, lembrando que a epilepsia não é contagiosa.

De acordo com Castro Lima Filho, a doença é mais frequente em crianças e idosos, e é caracterizada por crises epilépticas recorrentes, geradas por uma atividade excessiva e anormal dos neurônios cerebrais. Ele ainda explica, que existem vários tipos de crises que ocorrem de forma repentina.

O neurologista ainda salienta que a convulsão está entre as crises mais comuns, quando o indivíduo apresenta perda abrupta da consciência, com abalos dos quatro membros, podendo ter mordedura de língua, salivação excessiva e urinando ou defecando nas calças durante a crise. O médico também destaca que a recuperação da consciência se dá de forma gradual e o paciente pode queixar-se de dor na cabeça e no corpo. Ele alerta ainda que as crises de ausência são comuns em crianças, sendo caracterizadas por uma parada abrupta da atividade por segundos e imobilidade com os olhos arregalados.

Segundo Dr. Humberto, a epilepsia pode ser genética ou estrutural. Quanto a genética, ele explica que o problema se encontra nos genes responsáveis por proteínas envolvidas nas sinapses cerebrais. Destaca ainda neste caso, que geralmente, não há nenhuma lesão visível no cérebro e os exames de imagem são normais. A respostas às medicações antiepilépticas é excelente.

Já nas epilepsias estruturais há um dano cerebral evidente, como um tumor, uma sequela de derrame, uma má formação do desenvolvimento cerebral. De acordo com o neurologista, este tipo de epilepsia, geralmente, é mais difíceis de tratar e, caso não haja uma boa resposta aos medicamentos, o paciente pode ser candidato à cirurgia de epilepsia. Ele orienta ainda que o neurologista é o profissional qualificado para o diagnóstico da doença e orientação de tratamento.

Na Bahia ainda não é possível fazer a cirurgia pela rede pública e os pacientes que necessitam do serviço são encaminhados para fora do estado, através do programa de Tratamento Fora do Domicílio (TFD).

Para abordar sobre o assunto, o programa Saúde no Ar recebeu o neurologista, Dr. Humberto Castro Lima Filho. O programa começa às 8 horas e pode ser sintonizado através da nossa Rádio Web, no site www.portalsaudenoar.com.br e da Rádio Excelsior (AM 840). As perguntas podem ser feitas através do telefone 3328.7666 ou do Waht’s App 9681.3998.

Ouça na íntegra a entrevista!

Send a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.