Entendendo porque um jogador de futebol morde o outro

Esta é uma questão que tem intrigado aos espectadores da Copa do Mundo, ainda perplexos diante do episódio recente da qual foi protagonista o jogador uruguaio Luis Suárez. O tema fica ainda mais instigante e badalado pela mídia, pelo fato de ser do domínio público que o referido jogador já praticou a agressão por mordida, mais duas vezes e punido antes dessa.

A punição aplicada pelo Tribunal da FIFA pareceu exagerada, mas a Seleção Celeste também é apenada por conta deste jogador ser um craque diferenciado. Sem entrar no mérito dos detalhes futebolísticos, mas visando esclarecer os aspectos psicológicos subjacentes do inusitado evento e, para saciar a curiosidade de todos que se mostraram interessados em compreender as motivações que levaram Luizito a dar a bizarra mordida, vamos nos valer do referencial teórico-prático da Análise Transacional (AT), pela facilidade como a linguagem desta linha de psicologia humanista se presta à clarificação de assuntos complexos.

Consideramos pela AT, que o Ego de uma pessoa é composta de três sub personalidades, denominadas: Ego Pai, Ego Adulto e Ego Criança. É justamente na parte mais arcaica da personalidade humana, o Ego Criança que vamos encontrar a explicação para a conduta impulsiva do renomado atleta, pois é a sede dos conceitos sentidos de vida, onde se fixam os padrões infantis. Sem precisar de altos estudos da sua biografia, podemos dizer que se trata de um padrão internalizado na infância, talvez ensaiada desde a pré-escola, mordendo os coleguinhas a quem julgava adversários. É digno de registro que ele tem a arcada dentária superior bem proeminente,a qual denuncia a sua arma de ataque.

Como ocorreu de impulso, parece óbvio que momentaneamente, houve um episódio regressivo em que o comando executivo do seu EGO Adulto – sede do pensamento lógico, racional e coerente foi excluído – bem como a censura interna do Ego Parental. Convém dizer que tudo que está sendo aqui descrito: EXPLICA, MAS NÃO JUSTIFICA o ato. Sabemos que a prática de futebol, até por ser uma atividade lúdica, feita de improvisos, dribles e lances intuitivos, toda ela é regida pelo Ego Criança, que é a sede da criatividade, e também das emoções. Tal baixa de limiar de frustração do atleta, pode promover a que a energia psíquica convertida em raiva, seja executada pelo músculo MASSETER – aquele que é mobilizado pelo animal na hora do ataque raivoso.

O tema é complexo e quero encerrar protestando contra a propalada analogia a vampiro que é fenômeno de outra natureza, em que o intuito do morcego é alimentar-se de sangue da vítima, o que não foi o caso do Luizito.

Antônio Pedreira

 

Médico, Psicoterapeuta e Educador.

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