Desmatar Amazônia vai gerar prejuízo de US$ 1 bi por ano para agricultura

Desmatar Amazônia vai gerar prejuízo de US$ 1 bi por ano para agricultura

Em seu informe anual sobre a situação das florestas no mundo, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura. – Food and Agriculture Organization of the United Nations  (FAO), destaca como o desmatamento no Brasil tem sido “significativo”.

A entidade destaca como as florestas cobrem 4,06 bilhões de hectares, 31% da superfície terrestre do mundo. “Mas esta área está diminuindo, particularmente nos trópicos”, diz o informe. “A Avaliação Global de Recursos -Florestais da FAO estimou que 420 milhões de hectares de floresta foram desmatados (convertidos para outros usos da terra) entre 1990 e 2020”.

Em seu informe, a FAO aponta como diferentes estudos revelam que o desmatamento no Brasil terá um impacto negativo para os lucros dos agricultores no país nos próximos anos, enquanto a preservação poderá permitir a geração de renda. “As quedas de chuvas ligadas ao desmatamento no sul da Amazônia brasileira poderiam causar perdas agrícolas – por exemplo, quedas na produção de soja e pecuária – avaliadas em mais de US$ 1 bilhão por ano entre agora e 2050”, diz a FAO.

De acordo com a FAO, vários estudos mostraram que o aumento da produtividade das terras agrícolas e da pecuária, combinado com políticas públicas e de mercado adequadas, poderia ajudar a estabilizar a fronteira florestal na Amazônia brasileira.

A entidade, ao apresentar esse número, cita um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais, da Universidade Federal de Viçosa e da Universidade de Bonn (Alemanha). Estiveram envolvidos na avaliaçã… -os pesquisadores Argemiro Teixeira Leite Filho, Britaldo Silveira Soares Filho, Juliana Leroy Davis, Gabriel Medeiros Abrahão e Jan Börner

“A deterioração ambiental está contribuindo para a mudança climática, a perda da biodiversidade e o surgimento de novas doenças. As florestas e as árvores podem desempenhar papéis cruciais para enfrentar essas crises e avançar em direção a economias sustentáveis”, diz. Segundo a entidade, três caminhos envolvendo florestas e árvores podem apoiar a recuperação econômica e ambiental. Eles são (1) deter o desmatamento e manter as florestas; (2) restaurar as terras degradadas e expandir a agroflorestação; e (3) utilizando de forma… -sustentável as florestas e construindo cadeias de valor verdes.” diz a FAO.-

Brasil, Canadá e Rússia – abrigam mais da metade (61%) das florestas primárias do mundo. Segundo a FAO, o Canadá e a Rússia relataram um nível muito baixo de desmatamento entre 1990 e 2020. “Apesar de uma redução geral do desmatamento, no entanto, o Brasil tem experimentado perdas florestais substanciais desde 1990, inclusive de florestas primárias”, alertou a FAO..

Esse desmatamento não foi totalmente acompanhado por um reflorestamento e expansão natural da floresta, estimada em cerca de 5 milhões de hectares por ano durante o mesmo período.

De fato, a instituição destaca que a redução na taxa de desmatamento de mais de 80% alcançada entre 2004 e 2014 no Brasil foi atribuída a uma combinação de políticas governamentais (por exemplo, reforço da aplicação da lei), intervenções na cadeia de suprimentos (incluindo compromissos privados sobre soja e gado), e mudanças nas condições de mercado.

“O custo de oportunidade da conservação das florestas sobre a receita agrícola obtida das terras desmatadas é um fator chave para avaliar o potencial de instrumentos projetados para agregar valor às florestas”, diz. Usando dados de censo e desmatamento para municípios da Amazônia Legal brasileira, um estudo de 2018 realizado por Figueiredo Silva e outros pesquisadores estimaram o preço da redução do desmatamento em termos de renda agrícola perdida em menos US$ 797 em PIB agrícola anual por hectare de floresta conservada….

Indígenas e pequenos agricultores é a chave para preservar De acordo com a FAO, o mundo não conseguirá promover uma economia saudável em um planeta insalubre.

Na avaliação, o financiamento precisa triplicar pelo menos 200 bilhões de dólares por ano até 2030 para atender às metas de neutralidade climática, de biodiversidade e de degradação da terra. Uma das apostas seriam os pequenos proprietários, comunidades locais e povos Indígenas.

“São necessárias mudanças nas políticas para desviar os fluxos financeiros das ações que prejudicam as florestas e para incentivar o investimento em conservação, restauração e uso sustentável”, disse…. –

Fonte: Jamil  Chade.

 

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