Brasil Defende Atuação Diplomática do BRICS para Solução de Conflitos Globais
Na abertura da Reunião de Ministros das Relações Exteriores do BRICS, realizada no Palácio do Itamaraty no Rio de Janeiro, nesta segunda-feira (28/04/2025), o ministro brasileiro Mauro Vieira defendeu uma atuação diplomática mais ativa do grupo na busca por soluções para guerras e conflitos regionais.
O encontro, que antecede a Cúpula de Chefes de Estado prevista para julho, contou com a presença de chanceleres de 11 países, entre eles Sergey Lavrov, representante da Rússia, país envolvido no conflito com a Ucrânia desde 2022.
Durante o pronunciamento, Mauro Vieira evitou citar nominalmente a Rússia, mas destacou a urgência de uma solução diplomática para o conflito:
“O conflito na Ucrânia continua a causar pesado impacto humanitário, ressaltando a necessidade urgente de uma solução diplomática que defenda os princípios e os propósitos da Carta das Nações Unidas.”
O chanceler brasileiro recordou iniciativas promovidas por Brasil e China, como a criação do Grupo de Amigos da Paz, que reúne nações do Sul Global empenhadas na construção de soluções pacíficas para conflitos internacionais.
Multilateralismo e Papel Estratégico do BRICS
Em seu discurso, Vieira enfatizou que o BRICS, agora composto por 11 países, representa quase metade da população mundial e possui uma diversidade geográfica e cultural única. Segundo ele:
“Com crises globais e a erosão do multilateralismo, nosso papel como grupo é mais vital do que nunca.”
O ministro ressaltou ainda que o BRICS deve promover a paz, o diálogo e a cooperação multilateral, e que a organização permanece unida pela premissa de que a paz deve ser construída, e não imposta.
Sem citar diretamente os Estados Unidos, Vieira criticou políticas protecionistas e reafirmou a defesa brasileira de uma reforma do Conselho de Segurança da ONU, para que as estruturas internacionais reflitam as realidades geopolíticas contemporâneas.
Conflitos no Oriente Médio e África
Vieira também abordou a situação humanitária nos territórios palestinos ocupados, condenando os bombardeios israelenses e a obstrução da ajuda humanitária em Gaza, bem como o colapso do cessar-fogo. Defendeu a solução de dois Estados, com o reconhecimento de um Estado Palestino independente e Jerusalém Oriental como sua capital.
Além disso, chamou atenção para a crise no Haiti, a instabilidade no Sudão, na região dos Grandes Lagos e no Chifre da África, defendendo o acesso humanitário incondicional e a proteção dos civis em zonas de conflito.
Vieira finalizou sua fala afirmando:
“O caminho para a paz não é fácil nem linear, mas o BRICS deve ser uma força para o bem, liderando pelo exemplo e reafirmando a crença em um mundo multipolar, onde a segurança seja um direito de todos.”
Sobre o BRICS
O BRICS é uma articulação diplomática entre países emergentes e em desenvolvimento do Sul Global, criado em 2006 e ampliado em 2011 com a inclusão da África do Sul. Desde 2023, o grupo passou a contar com 11 países: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Egito, Etiópia, Irã, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Indonésia.
O bloco representa:
- 39% da economia mundial,
- 48,5% da população global,
- 43,6% da produção mundial de petróleo,
- 36% da produção de gás natural,
- e 72% das reservas de terras raras.
A presidência do grupo é rotativa e, em 2025, está sob a liderança do Brasil.
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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil


















