Portal Saúde no Ar

 

Grande mancha de Lixo no oceano Pacífico é maior que a França

A chamada Grande Mancha de Lixo do Pacífico (em inglês, Great Pacific Garbage Patch – GPGP) é considerada a maior concentração de resíduos plásticos flutuantes do planeta. Localizada entre a Califórnia e o Havaí, no Oceano Pacífico Norte, ela não é uma “ilha” sólida de lixo, mas uma enorme área onde as correntes oceânicas acumulam milhões de fragmentos de plástico, redes de pesca e outros resíduos.

Segundo a organização The Ocean Cleanup, a Grande Mancha representa um dos maiores desafios ambientais da atualidade, tanto pelo volume de resíduos quanto pelos impactos sobre a vida marinha e o equilíbrio dos oceanos.

Um problema do tamanho de um país

Estudos da The Ocean Cleanup estimam que a Grande Mancha ocupa cerca de 1,6 milhão de quilômetros quadrados, uma área aproximadamente três vezes maior que a França.

No local existem aproximadamente:

  • cerca de 1,8 trilhão de pedaços de plástico;
  • aproximadamente 80 mil toneladas de resíduos plásticos;
  • milhares de redes de pesca abandonadas e equipamentos perdidos.

Curiosamente, grande parte da massa da mancha não é formada por garrafas ou sacolas, mas por equipamentos utilizados na pesca industrial.


Como esse lixo chega ao oceano?

Grande parte dos resíduos vem de:

  • rios que deságuam no mar;
  • descarte inadequado de lixo urbano;
  • atividades pesqueiras;
  • embarcações;
  • tempestades e enchentes que carregam resíduos até os oceanos.

As correntes marítimas funcionam como um gigantesco redemoinho, concentrando esses materiais durante décadas.


O impacto na vida marinha. O problema vai muito além da poluição visual.

Bloqueio da luz solar

Quando há grande concentração de resíduos na superfície, parte da luz solar deixa de penetrar adequadamente na água.

Essa redução de luminosidade pode prejudicar:

  • algas marinhas;
  • fitoplâncton;

Esses organismos produzem matéria orgânica por meio da fotossíntese e formam a base da cadeia alimentar dos oceanos. Além disso, o fitoplâncton é responsável por uma parcela significativa do oxigênio produzido no planeta.

Embora o bloqueio de luz seja mais localizado do que em derramamentos de petróleo, a concentração de resíduos pode alterar as condições ambientais e afetar ecossistemas marinhos.


Animais confundem plástico com alimento

Um dos maiores problemas é a ingestão de plástico.

Entre as espécies frequentemente afetadas estão:

  • tartarugas marinhas;
  • albatrozes;
  • baleias;
  • peixes;
  • aves oceânicas.
  • Muitos animais confundem sacolas plásticas com águas-vivas ou pequenos fragmentos coloridos com alimento.

    As consequências incluem:

    • obstrução intestinal;
    • perfuração do sistema digestivo;
    • desnutrição;
    • intoxicação química;
    • morte.

    Em diversos casos, pesquisadores encontraram estômagos praticamente preenchidos por plástico.


    Redes-fantasma: armadilhas invisíveis

    Outro grave problema são as chamadas redes-fantasma.

    São redes de pesca perdidas ou abandonadas que continuam capturando animais durante anos.

    Elas aprisionam:

    • golfinhos;
    • focas;
    • tartarugas;
    • tubarões;
    • aves marinhas.

    Sem conseguir subir à superfície para respirar, muitos desses animais acabam morrendo afogados.

    Segundo a The Ocean Cleanup, as redes-fantasma representam uma parcela muito significativa da massa total da Grande Mancha.

  • O perigo invisível: os microplásticos

    Um dos aspectos mais preocupantes da poluição marinha é a formação dos microplásticos.

    São partículas menores que 5 milímetros, produzidas pela fragmentação dos plásticos maiores devido à ação:

    • do Sol;
    • das ondas;
    • do vento;
    • do desgaste natural.

    Essas partículas são praticamente impossíveis de remover completamente do ambiente.

    Elas são ingeridas por:

    • plâncton;
    • pequenos peixes;
    • moluscos;
    • crustáceos.

    À medida que os animais são consumidos por outros maiores, ocorre a chamada bioacumulação, levando o plástico ao longo da cadeia alimentar.

  • Hoje já foram encontrados microplásticos em:

    • peixes comercializados;
    • sal marinho;
    • água mineral;
    • água da torneira;
    • pulmões humanos;
    • sangue humano;
    • placenta;
    • leite materno.

    Pesquisas ainda investigam os efeitos completos dessas partículas sobre a saúde humana, mas há preocupação com processos inflamatórios e com substâncias químicas aderidas ao plástico.

O engenheiro holandês Boyan Slat fundou a The Ocean Cleanup aos 18 anos com um objetivo ambicioso: desenvolver tecnologias capazes de retirar plástico dos oceanos e impedir que novos resíduos cheguem ao mar pelos rios.

A organização desenvolveu longas barreiras flutuantes rebocadas por embarcações, que concentram o lixo para posterior retirada.

Além do trabalho no oceano, a instituição criou sistemas para interceptar resíduos em rios antes que eles alcancem o mar.


É possível limpar a Grande Mancha?

Em uma famosa palestra no TED, Boyan Slat afirmou que uma frota de sistemas de coleta poderia remover grande parte da Grande Mancha em cerca de cinco anos.

Embora os avanços tecnológicos tenham sido importantes, especialistas destacam que esse prazo depende de fatores como financiamento contínuo, expansão da frota, condições do mar e, principalmente, da redução da entrada de novos resíduos nos oceanos.

Quanto custaria limpar a Grande Mancha?

Quando apresentou seu projeto, a The Ocean Cleanup estimou que seria possível remover cerca de 90% do plástico flutuante da Grande Mancha até 2040, com um investimento da ordem de US$ 7,5 bilhões ao longo de décadas. Esse valor engloba o desenvolvimento, operação e expansão dos sistemas de limpeza em larga escala.

Para efeito de comparação:

  • US$ 7,5 bilhões representam uma fração do prejuízo econômico anual causado pela poluição plástica, que afeta a pesca, o turismo, a biodiversidade e a saúde dos oceanos.
  • Os custos ambientais da inação são considerados muito superiores ao investimento necessário para remover o lixo e evitar que novos resíduos cheguem ao mar.

A solução começa em terra

Especialistas são unânimes em afirmar que nenhuma tecnologia conseguirá resolver sozinha o problema.

As medidas mais importantes incluem:

  • reduzir o uso de plásticos descartáveis;
  • ampliar a reciclagem;
  • melhorar a coleta de lixo;
  • impedir que resíduos cheguem aos rios;
  • desenvolver embalagens mais sustentáveis;
  • investir em educação ambiental;
  • responsabilizar fabricantes e grandes geradores de resíduos.

 

Um alerta para o planeta

A Grande Mancha de Lixo do Pacífico é um símbolo da crise global da poluição por plástico. O problema não ameaça apenas tartarugas, baleias e aves marinhas, mas também a segurança alimentar, a economia e, potencialmente, a saúde humana por meio da disseminação dos microplásticos.

Projetos inovadores, como os da The Ocean Cleanup, demonstram que é possível recuperar parte dos danos causados. No entanto, especialistas ressaltam que a verdadeira solução depende de uma mudança profunda na forma como produzimos, consumimos e descartamos o plástico.

Fontes consultadas

  • The Ocean Cleanup – dados sobre a Grande Mancha de Lixo do Pacífico, tecnologias de remoção e estimativas de limpeza.
  • Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA/UNEP) – impactos da poluição plástica nos oceanos.
  • National Oceanic and Atmospheric Administration – informações sobre lixo marinho e microplásticos.
  • International Union for Conservation of Nature – estudos sobre poluição plástica e biodiversidade.
  • Artigos científicos publicados nas revistas Nature, Science e Marine Pollution Bulletin sobre microplásticos e seus impactos ambientais.

 

O jornalismo independente e imparcial com informações contextualizadas tem um lugar importante na construção de uma sociedade , saudável, próspera e sustentável. Ajude-nos na missão de difundir informações baseadas em evidências. Apoie e compartilhe