Entre 2019 e 2022, o governo de Jair Bolsonaro registrou a entrada de 1.354.751 novas armas em circulação no Brasil, segundo levantamento do Instituto Sou da Paz e do Instituto Igarapé obtido via Lei de Acesso à Informação. Um decreto presidencial ampliou o limite anual de compra de munições de 193 milhões para pelo menos 2,1 bilhões de projéteis, ao mesmo tempo em que liberou calibres antes proibidos para civis. Especialistas alertam que a velocidade da expansão armamentista superou a capacidade estatal de fiscalizar o mercado, criando riscos concretos para a segurança pública e para a investigação criminal.
O crescimento foi progressivo e acelerou a cada ano. Em 2019, primeiro ano do governo Bolsonaro, foram registradas 140.073 novas armas. O número saltou para 268.163 em 2020, chegou a 393.136 em 2021 e atingiu o pico em 2022, com 553.379 novos registros, sendo 431.137 de Colecionadores, Atiradores Desportivos e Caçadores (CAC) e 122.242 de cidadãos comuns, servidores civis com prerrogativa e caçadores de subsistência. Para comparação, em 2018, ano anterior ao início do mandato, foram 95.125 novas armas. Os dados foram colhidos por meio da Lei de Acesso à Informação e analisados pelo Instituto Sou da Paz e pelo Instituto Igarapé.
O resultado acumulado é expressivo: o acervo particular de armas no Brasil passou de 1.320.582 em 2018 para 2.965.439 em 2022, mais que o dobro em quatro anos. A esse cenário somou-se a política de munições. O decreto presidencial nº 9.797/19 elevou de 50 para 5.000 o limite anual de projéteis para armas de defesa pessoal e de 500 para até 5.000 para CACs, dependendo do calibre. Com isso, o volume total autorizado para compra saltou de 193 milhões para pelo menos 2,1 bilhões de munições por ano, incluindo calibres mais potentes, como o de 9 milímetros, antes vedados a civis. O próprio Bolsonaro definiu a medida não como política de segurança pública, mas como exercício de “liberdade individual”.










