O Brasil enfrenta o risco de perder o status de país livre do sarampo devido à baixa adesão à vacinação e ao avanço de surtos em nações vizinhas. Nenhum estado brasileiro atingiu a meta de imunizar 95% das crianças menores de 2 anos com as duas doses necessárias da vacina tríplice viral.
A imunização completa com as duas doses está abaixo de 80% no país. O índice ideal de 95% é considerado fundamental para impedir a circulação sustentada do vírus, que é altamente contagioso.
O infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), destaca a gravidade da situação nacional diante da importação de casos do exterior.
“Quando a gente atinge mais de 95% da população vacinada, a gente impede que esses casos importados se traduzam por uma transmissão sustentada da doença, mantendo a circulação do vírus aqui. Então a gente precisa não só ter coberturas elevadas, mas também homogêneas, porque bolsões de baixas coberturas podem também ter o mesmo efeito da cobertura não tão ideal”, explica Kfouri.
O avanço global da doença traz números alarmantes nos Estados Unidos, que registraram mais de 3,6 mil infectados e cinco mortes no período, além do estado de emergência decretado em Nova York. A pediatra Flavia Bravo, diretora da SBIm, analisa os impactos da queda da cobertura vacinal em território norte-americano.
“A redução da imunização, ainda que pareça uma taxa mínima, tem resultados sem precedentes, como o que estamos vendo. O país criou uma multidão de pessoas suscetíveis e que hoje são crianças e adultos vulneráveis ao vírus”, explica Bravo.
Outro fator determinante para o declínio da vacinação é o crescimento do movimento antivacina, somado ao aumento da desinformação e de dados científicos fraudulentos sobre supostos riscos dos imunizantes. O infectologista Peter Hotez, da National School of Tropical Medicine do Baylor College of Medicine, no Texas, reforça o desafio enfrentado pelas equipes de saúde pública.
“Temos um extenso movimento antivacinação que abrange condados inteiros. Tudo isso resultado do movimento antivacinação e é cada vez mais difícil convencer os pais de que as crianças precisam ser vacinadas”, afirma.











