Extrema pobreza e desigualdade crescem há 4 anos, diz IBGE

Extrema pobreza e desigualdade crescem há 4 anos, diz IBGE

Uma pesquisa da Síntese de Indicadores Sociais (SIS) 2019, divulgada hoje (6), no Rio de Janeiro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) retrata a desigualdade no Brasil. O estudo analisa as condições de vida da população brasileira.

O Brasil tem 13,5 milhões de pessoas vivendo na extrema pobreza. Essas pessoas são obrigados a sobreviver com menos de R$ 145 por mês. Um em cada quatro brasileiros vivia com menos de R$ 420 por mês. No Nordeste, a proporção de pessoas vivendo na extrema pobreza é o dobro da média nacional.

A leve recuperação econômica observada nos últimos dois anos no Brasil não se refletiu de forma igual entre os diversos segmentos sociais. Enquanto o Produto Interno Bruto (PIB – a soma de todas as riquezas produzidas no país) cresceu 1,1% em 2017 e 2018, após as quedas de 3,5% em 2015 e 3,3% em 2016, o rendimento dos 10% mais ricos da população subiu 4,1% em 2018 e o rendimento dos 40% mais pobres caiu 0,8%, na comparação com 2017.

Com isso, o índice que mede a razão entre os 10% que ganham mais e os 40% que ganham menos, que vinha caindo até 2015, quando atingiu 12, voltou a crescer e chegou a 13 em 2018. Ou seja, os 10% da população com os maiores rendimentos ganham, em média, 13 vezes mais do que os 40% da população com os menores rendimentos.

O levantamento começou a ser feito em 1999, com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), e, desde 2012, passou a utilizar os dados da Pnad Contínua, ou seja, uma nova metodologia e, portanto, uma nova série histórica. Os dados divulgados hoje são referentes a 2018 e utilizam também outras informações, como a Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic) e o Sistema de Contas Nacionais.

Dentro de casa, a vida tem sido uma escuridão só: sem energia elétrica, cortada por falta de pagamento. Sem conseguir enxergar o futuro. “Estou desempregado já faz um bom tempo, há mais de dez anos e só estou vivendo de bico. Faço bico de uma faxina, faço bico de uma limpeza em um terreno… Não chega a R$ 300 por mês, não chega a isso”, conta Antenor Guimarães.

Tem muita gente no país na mesma situação: ganhando bem abaixo do mínimo. A proporção até diminuiu um pouco em relação a 2012, início da pesquisa. Mas isso está longe de significar menos pobreza.

 

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