Estudo: Mais de 160 milhões de mulheres não têm acesso a anticoncepcionais

Estudo: Mais de 160 milhões de mulheres não têm acesso a anticoncepcionais

Dados de um amplo estudo publicado nesta quinta-feira (21), na revista científica “The Lancet”, revela que mais de 160 milhões de mulheres e adolescentes não tiveram acesso a métodos contraceptivos no mundo em 2019.

A pesquisa apresenta estimativas do uso, da necessidade e dos diferentes tipos de anticoncepcionais em todo o mundo em um contínuo de 1970 a 2019. Os índices apontam estatísticas por país, faixa etária e estado civil.

De acordo com a analise Carga Global de Morbidade (Global Burden of Disease), a expansão do acesso à contracepção está ligada ao empoderamento social e econômico das mulheres e a melhores resultados de saúde. Além de estar entre um dos objetivos fundamentais de iniciativas internacionais e um indicador dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Além disso, o uso de anticoncepcionais também está relacionado a reduções na mortalidade materna e neonatal, prevenindo gravidez indesejada. Segundo o estudo, ao permitir que as mulheres planejem o momento da gestação, a contracepção também contribui para que adolescentes e mulheres permaneçam na escola.

Assim, desde 1970, o mundo tem visto aumentos no uso de contraceptivos, impulsionados por uma mudança significativa do uso de métodos tradicionais menos eficazes para o uso de contraceptivos modernos e mais eficazes, incluindo pílulas anticoncepcionais orais, dispositivo intrauterino (DIU) e métodos de esterilização masculinos e femininos.

Entre os países, os níveis de uso de contraceptivos mais modernos variaram de 2% no Sudão do Sul a 88% na Noruega. A necessidade não atendida foi maior no Sudão do Sul (35%), na República Centro-Africana (29%) e em Vanuatu (28%) em 2019.

O estudo estimou que o número de mulheres em uso de contracepção aumentou em 69 milhões entre 2012 e 2019 nesses países (excluindo o Saara Ocidental), deixando 51 milhões aquém da meta se esses níveis permanecerem inalterados em 2020.

De acordo com o estudo, entre as mulheres e adolescentes nas faixas etárias de 15 a 19 e 20 a 24 anos têm as menores taxas de demanda atendida globalmente – estimadas em 65% e 72%, respectivamente. O estudo aponta que as maiores lacunas globais foram identificadas entre mulheres jovens e casadas.

Aquelas com idades entre 15 e 24 anos representam 16% da necessidade total, mas 27% das necessidades não atendidas – totalizando 43 milhões de mulheres jovens e adolescentes em todo o mundo que não tiveram acesso aos contraceptivos de que precisavam em 2019.

 

Campanha Vidas Importam