Cuidados Paliativos são alternativas para pacientes com doença avançada

Cuidados Paliativos são alternativas para pacientes com doença avançada

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Estatísticas de 2014 divulgadas pela Worldwide Palliative Care Alliance mostram que cerca de 18 milhões de pessoas no mundo todo morreram sofrendo de dor desnecessária em 2012 devido ao acesso inadequado a tratamento.

É para evitar que isso ocorra que existem os cuidados paliativos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), tais cuidados consistem na assistência promovida por uma equipe multidisciplinar, diante de uma doença que ameace a vida de um paciente, para a melhoria da qualidade do restante de sua vida e apoio a seus familiares.

O trabalho dos cuidadores visa a acompanhar o paciente nessa difícil fase, em um esforço contínuo para valorizar a sua dignidade e autonomia. Em maio de 2014, autoridades da saúde de mais de 200 países aprovaram a primeira resolução de cuidados paliativos na Assembleia Mundial de Saúde. A ideia, em todo o mundo, é dar prioridade aos cuidados paliativos e a tratamentos.

Será inaugurada em Salvador, no próximo dia 27, a primeira clínica especializada em cuidados paliativos e reabilitação. A clínica é a primeira do Norte e Nordeste a adotar o conceito Hospice Care ou Cuidados Paliativos, que começa a ser conhecido no Brasil, mas já está consolidado em países como Estados Unidos e Europa.

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O idealizador e responsável pela operação da clínica é o renomado cardiologista Lucas Andrade, diretor executivo da Florence. “A implantação da primeira clínica especializada em cuidados paliativos e reabilitação do Norte e Nordeste preenche uma lacuna na assistência ao paciente que exige cuidados especiais e é uma nova alternativa para desospitalização na cidade de Salvador, diminuindo, assim, o tempo de internação hospitalar”, declara.

A médica especializada em Cuidados Paliativos e coordenadora da clínica, Fernanda Tourinho, ressalta que a qualidade de vida é o que norteia todo o sentido do atendimento em cuidados paliativos. “É preciso enxergar o paciente como um indivíduo único, que tem necessidades e precisa de atenção individualizada. Devemos enxergá-lo integralmente, nas dimensões física, psicológica, social e espiritual”, afirma. “Na Florence, a demanda por intervenções invasivas sai de cena para dar lugar a mais contato humano, comunicação efetiva e atendimento individualizado das necessidades dos pacientes e familiares”, complementa Fernanda Tourinho.

A Florence, nome em homenagem à enfermeira italiana Florence Nightgale, atende dois públicos distintos: pacientes que precisam de cuidados paliativos, com doenças crônicas, ameaçadoras à continuidade da vida, com internações frequentes, que exigem cuidados especiais; e em reabilitação, internados em hospitais de alta complexidade e que necessitam de um cuidado temporário de transição, para se reabilitar e retornar às suas residências.

Ouça abaixo o comentário completo da especialista Fernanda Tourinho a respeito do tema:

De acordo coim o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), ao cuidados paliativos devem incluir as investigações necessárias para o melhor entendimento e manejo de complicações e sintomas estressantes tanto relacionados ao tratamento quanto à evolução da doença. Apesar da conotação negativa ou passiva do termo paliativo, a abordagem e o tratamento paliativo devem ser eminentemente ativos, principalmente em pacientes portadores de câncer em fase avançada, onde algumas modalidades de tratamento cirúrgico e radioterápico são essenciais para alcance do controle de sintomas. Considerando a carga devastadora de sintomas físicos, emocionais e psicológicos que se avolumam no paciente com doença terminal, faz-se necessário um diagnóstico precoce e condutas terapêuticas antecipadas, dinâmicas e ativas, respeitando-se os limites do próprio paciente.

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Os princípios dos cuidados paliativos são:


· Fornecer alívio para dor e outros sintomas estressantes como astenia, anorexia, dispnéia e outras emergências oncológicas.
· Reafirmar vida e a morte como processos naturais.
· Integrar os aspectos psicológicos, sociais e espirituais ao aspecto clínico de cuidado do paciente.
· Não apressar ou adiar a morte.
· Oferecer um sistema de apoio para ajudar a família a lidar com a doença do paciente, em seu próprio ambiente.
· Oferecer um sistema de suporte para ajudar os pacientes a viverem o mais ativamente possível até sua morte.
· Usar uma abordagem interdisciplinar para acessar necessidades clínicas e psicossociais dos pacientes e suas famílias, incluindo aconselhamento e suporte ao luto.

Os pontos considerados fundamentais no tratamento são:
· A unidade de tratamento compreende o paciente e sua família. 
· Os sintomas do paciente devem ser avaliados rotineiramente e gerenciados de forma eficaz através de consultas frequentes e intervenções ativas. 
· As decisões relacionadas à assistência e tratamentos médicos devem ser feitos com base em princípios éticos. 
· Os cuidados paliativos devem ser fornecidos por uma equipe interdisciplinar, fundamental na avaliação de sintomas em todas as suas dimensões, na definição e condução dos tratamentos farmacológicos e não farmacológicos, imprescindíveis para o controle de todo e qualquer sintoma. 
· A comunicação adequada entre equipe de saúde e familiares e pacientes é a base para o esclarecimento e favorecimento da adesão ao tratamento e aceitação da proximidade da morte.

Os cuidados paliativos modernos estão organizados em graus de complexidade que se somam em um cuidado integral e ativo. Os cuidados paliativos gerais referem-se à abordagem do paciente a partir do diagnóstico de doença em progressão, atuando em todas as dimensões dos sintomas que vierem a se apresentar. Cuidados paliativos específicos são requeridos ao paciente nas últimas semanas ou nos últimos seis meses de vida, no momento em que torna-se claro que o paciente encontra-se em estado progressivo de declínio. Todo o esforço é feito para que o mesmo permaneça autônomo, com preservação de seu autocuidado e próximo de seus entes queridos. Os cuidados ao fim de vida referem-se, em geral, aos últimos dias ou últimas 72 horas de vida. O reconhecimento desta fase pode ser difícil mas é extremamente necessário para o planejamento do cuidado e preparo do paciente e sua família para perdas e óbito. Mesmo após o óbito do paciente, a equipe de cuidados paliativos deve dar atenção ao processo de morte: como ocorreu, qual o grau de conforto e que impactos trouxe aos familiares e à própria equipe interdisciplinar. A assistência familiar pós-morte pode e deve ser iniciada com intervenções preventivas.

O INCA oferece cuidados paliativos aos pacientes fora de possibilidades terapêuticas atuais e atendidos em suas Unidades Hospitalares no Rio de Janeiro, por meio de Unidade Especializada denominada Hospital do Câncer IV. O Hospital do Câncer IV é também espaço de ensino e pesquisa sobre cuidados paliativos e promove debates e articulação em rede para expansão desta área na política de saúde do Brasil.

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