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Audiência sobre o Rio Joanes na Assembleia Legislativa

 Em discussão na Assembleia Legislativa da Bahia a viabilidade de realização de um grande projeto de intervenções de saneamento e de outras medidas agregadas nos rios da APA Joanes/Ipitanga. A Comissão de Meio Ambiente da ALBA, presidida pelo deputado José de Arimateia, atendendo à solicitação da sociedade organizada feita pelo presidente da Oscip Rio Limpo, Fernando Borba, reunirá, em audiência pública convocada para quarta-feira, 20/05, na Sala Deputado Eliel Martins, às 9:30 horas, deputados integrantes da comissão, técnicos e representantes da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (SEMA), do Instituto do Meio Ambiente e Recursos  Hídricos (INEMA), da EMBASA (Diretoria de Operações da RMS e Superintendência de Esgotamento Sanitário da RMS), da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Salvador (SECIS), da Secretaria  Municipal de Meio Ambiente de Lauro de Freitas (SEMARH), o gestor da  APA Joanes/Ipitanga Geneci Braz,  além de membros do Comitê da Bacia Hidrográfica do Recôncavo Norte e Inhambupe (CBHRNI),  do Ministério Público (CEAMA e da Promotoria em Lauro de Freitas) e moradores da região da bacia do Rio Joanes.
A expectativa das comunidades da RMS em se conseguir chegar na audiência a uma solução, para o grave problema de poluição com esgotos e dejetos químicos procedentes de Salvador nos rios afluentes que impacta e retira  a vida aquática já em oito quilômetros do Rio Joanes e praias na divisa entre Lauro de Freitas e Abrantes em Camaçari. Segundo o engenheiro e mestre em Engenharia Ambiental Pedro Ornelas, vice-presidente da Oscip Rio Limpo, não se trata de uma simples intervenção, ou única, mas de um conjunto de ações integradas também com a educação ambiental nas escolas de todos os níveis, universidades e centros comunitários.
“Porém tudo começa com a vontade do poder público e, este é o ponto crucial dessa história de luta. Sabemos que o Rio Joanes é, até certo ponto, razoavelmente preservado, até porque é protegido por Lei em razão de ser um importante manancial para o abastecimento da cidade de Salvador e Região Metropolitana, contribuindo com cerca de 40% do consumo desta região. Uma das ações possíveis, sempre mencionada no conjunto de ações é o tratamento das águas do Rio Ipitanga. Sim, enquanto o Joanes é preservado por conta do abastecimento, o Rio Ipitanga que, é também, um importante manancial para  o abastecimento de Salvador e Região Metropolitana, após as barragens Ipitanga I e Ipitanga II, tem a sua sorte mudada radicalmente. Atravessando localidades e povoados com ocupações desordenadas com pessoas   de baixa renda e sem o devido esgotamento sanitário, este importante curso d’água, abandonado pelo poder público à própria sorte, o Rio Ipitanga chega ao Município de Lauro de Freitas quase em condição de esgoto a céu aberto. O pior é que continua recebendo esgoto, até o encontro com o Rio Joanes, na altura do condomínio Encontro das águas.  Neste ponto, onde havia o “encontro das águas”, muito raramente as águas se encontram. O que o Rio Ipitanga encontra, quase sempre, é o Leito seco do Joanes à jusante da Barragem Joanes I. Daí, o “Esgoto Ipitanga” se apossa do leito seco do Joanes e  segue a sua viagem fedentina até o “Estuário do Joanes”, aí seguindo até o mar”.
Pedro Ornelas explica que existem dezenas de tratamentos que podem ser aplicados com sucesso obtido nessa empreitada de salvar o Joanes. A exemplo do sistema de Tratamento Biológico de discos rotativos, RBC ( Rotating Biological Contactor) ou Reator Biológico de contato Rotativo que, dentre as alternativas a serem adotadas, se destaca pela eficiência e baixo custo de manutenção e operação.
” Ao se tratar a água fétida do Ipitanga, lançar o lodo separado no emissário e deixar a água recuperada correr livremente na calha do Joanes, você muda toda a condição do Estuário do Joanes (os últimos 8  quilômetros antes do encontro com o mar),  fazendo-o  retornar  à  condição  de  berçário  da  vida  marinha,  tornando-o  novamente  piscoso, possibilitando  a  volta  dos  pescadores  e  marisqueiras, resgata-se na  famosa  praia  de  Buraquinho a condição de balneabilidade para atrair de volta turistas e praticantes dos esportes náuticos, retorna o estuário, um santuário da vida marinha ajudando a perpetuar as muitas espécies que ali nascem e depois migram para continuar a sua vida no mar”.
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