Fenômenos climáticos no Brasil
Santa Catarina confirma duas mortes após temporais e tornados. No Rio Grande do Sul, homem desaparece ao tentar atravessar riacho de motocicleta. Rio de Janeiro registra alagamentos e descargas elétricas, enquanto Tocantins enfrenta seca em todo o território.
O Brasil enfrenta, neste início de novembro, situações climáticas extremas e contrastantes. Enquanto estados do Sul e do Sudeste são atingidos por temporais, ventos fortes, tornados, granizo e descargas elétricas, áreas do Norte e do Nordeste sofrem com a falta de chuvas e o avanço da estiagem.
Os acontecimentos dos últimos dias mostram os riscos que esses fenômenos representam para a população, com mortes, pessoas feridas, desaparecidos e prejuízos materiais.
Santa Catarina: tornados e temporais provocam mortes
Santa Catarina foi um dos estados mais atingidos pelas tempestades de quarta-feira (4 de novembro). Dois tornados foram registrados, um em Chapecó e outro em Xanxerê, além de vendavais que provocaram destruição em diferentes municípios.
Em Chapecó, foram registradas rajadas de vento de até 126 km/h, segundo medições do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Uma das mortes aconteceu em Rio Negrinho, onde um homem de 20 anos foi atingido pela estrutura de um posto de combustíveis que desabou na BR-280.
Nesta quinta-feira (5), foi confirmada uma segunda morte, em Xanxerê. Uma mulher morreu após entrar em contato com um cabo de energia elétrica de alta tensão que havia caído durante o temporal.
O balanço divulgado pelas autoridades aponta dezenas de feridos, milhares de residências danificadas e dezenas de municípios atingidos. Mais de 47 mil pessoas foram afetadas.
As equipes de emergência continuam trabalhando para atender os moradores e avaliar os prejuízos.
Rio Grande do Sul: motociclista desaparece durante temporal
No norte do Rio Grande do Sul, o Corpo de Bombeiros realiza buscas por Almir Negri, de 44 anos, desaparecido desde a tarde de quarta-feira (4).
Ele tentava atravessar de motocicleta uma ponte sobre um riacho na localidade de Esquina Gaúcha, no município de Sagrada Família, quando foi surpreendido pela correnteza provocada pelas fortes chuvas.
A motocicleta foi encontrada às margens de um curso d’água, nas proximidades da ponte. A suspeita é de que o homem tenha caído e sido arrastado pela força da água.
O município registrou mais de 100 milímetros de chuva em um único dia, volume próximo da média prevista para todo o mês de novembro.
Segundo a Defesa Civil estadual, até a tarde de quarta-feira, os temporais já haviam atingido 84 municípios gaúchos, afetando mais de 20 mil pessoas e deixando 20 feridos. Naquele balanço, ainda não havia mortes confirmadas relacionadas a esse episódio.
Rio de Janeiro: raios, alagamentos e veículos arrastados
A cidade do Rio de Janeiro também enfrentou fortes chuvas entre a noite de quarta-feira e a madrugada desta quinta-feira (5).
O temporal foi acompanhado de raios, trovões e ventos fortes, provocando alagamentos em diferentes bairros.
Na Rocinha, na Zona Sul, carros e motocicletas foram arrastados pela força da água. Em Rio das Pedras, na Zona Sudoeste, moradores também enfrentaram dificuldades de circulação devido aos alagamentos.
A Defesa Civil emitiu alertas por SMS e WhatsApp, advertindo a população sobre a possibilidade de chuvas intensas e descargas elétricas.
Até o momento das informações consultadas, não havia confirmação de mortes provocadas pelos raios nesse episódio específico.
Tocantins: seca atinge todo o território estadual
Enquanto algumas regiões enfrentam excesso de chuva, o Tocantins vive uma situação preocupante de estiagem.
De acordo com o Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), divulgado em outubro, com dados referentes a setembro de 2026, a seca passou a atingir 100% do território tocantinense.
A situação se agravou entre agosto e setembro. A área classificada com seca moderada aumentou de aproximadamente 57% para 81% do estado.
É importante esclarecer que a informação de 100% se refere à extensão territorial do Tocantins, e não significa que exatamente 100 municípios estejam em situação idêntica de emergência.
A estiagem ameaça o abastecimento de água, a agricultura, a pecuária e as condições de vida das populações mais vulneráveis.
Em Paraíso do Tocantins, por exemplo, a principal barragem utilizada no abastecimento urbano chegou ao volume morto, levando o município a decretar situação de emergência e adotar medidas de racionamento.
Fenômenos extremos e os riscos para a população
Os acontecimentos recentes evidenciam a diversidade de eventos meteorológicos que podem atingir o Brasil: tornados, tempestades severas, vendavais, chuvas intensas, enchentes, enxurradas, raios e períodos prolongados de estiagem.
Esses fenômenos podem provocar consequências graves, como:
- Mortes por desabamentos, quedas de estruturas e árvores.
- Afogamentos e desaparecimentos em enxurradas e rios.
- Descargas elétricas causadas por raios ou contato com fios energizados.
- Destruição de residências, estabelecimentos comerciais e infraestrutura.
- Perdas agrícolas e dificuldades no abastecimento de água.
- Aumento do risco de incêndios em regiões submetidas à seca.
As mudanças climáticas e o aquecimento global são fatores importantes no estudo dos eventos extremos. Entretanto, não se deve atribuir automaticamente cada tempestade, tornado ou episódio de seca às mudanças climáticas. É necessário considerar análises meteorológicas e estudos científicos para estabelecer essas relações.
Como se proteger
A Defesa Civil recomenda alguns cuidados fundamentais durante temporais:
- Não procurar abrigo debaixo de árvores durante tempestades com raios.
- Evitar atravessar ruas alagadas, pontes e riachos com correnteza.
- Não tocar em fios elétricos caídos. Manter distância e acionar os serviços de emergência.
- Evitar permanecer em áreas abertas durante tempestades com descargas elétricas.
- Não subir em telhados durante ou logo após temporais, especialmente quando houver risco elétrico.
- Em caso de risco de deslizamento ou inundação, procurar imediatamente um local seguro.
A população também deve acompanhar os alertas oficiais da Defesa Civil e as previsões do Inmet.
A prevenção e a informação podem salvar vidas.














