Por que comer pouco prolonga a vida

Por que comer pouco prolonga a vida

Um e Instituto Salk (EUA), concluiu que  o envelhecimento pode ser retardado na  redução da ingestão calórica.  Os resultados, publicados nesta quinta-feira na revista Cell, fornecem um catálogo completo de todas as mudanças que acontecem com a idade e a dieta, tanto dentro de cada célula quanto na comunicação entre elas.

A equipe de cientistas  usou a nova tecnologia de análise genética célula a célula para analisar cerca de 200.000 células de nove órgãos e tecidos diferentes de camundongos. Em um grupo havia roedores que comiam o que queriam e no outro animais que comiam 30% menos calorias.

Os pesquisadores usaram apenas camundongos adultos que estudaram dos 18 aos 27 meses de idade, o que em humanos equivaleria a um acompanhamento entre os 50 e os 70 anos. Isso é importante, pois os estudos realizados em primatas mostraram que os benefícios de comer menos só são evidentes em indivíduos adultos, na metade ―mais ou menos― de suas vidas.

“Este estudo mostra que o envelhecimento é um processo reversível”, explica o pesquisador Juan Carlos Izpisúa (Hellín, 1960), um dos principais autores do trabalho. “Mostramos que determinadas mudanças metabólicas que levam a uma aceleração do envelhecimento podem ser reprogramadas de maneira relativamente simples, reduzindo nossa ingestão calórica, para não apenas prolongar nossas vidas, mas, muito mais importante, que nossa velhice seja mais saudável”, destaca esse farmacologista e biólogo molecular que trabalha no Instituto Salk (EUA).

“A inflamação é um mecanismo essencial de defesa imunológica que se desenvolveu durante a evolução para aumentar a sobrevivência das espécies”, explica Concepción Rodríguez, pesquisadora do Salk, coautora do estudo e esposa de Izpisúa: “O problema é que durante o envelhecimento há uma desregulação muito pronunciada do sistema imunológico que dá lugar a um estado de inflamação sistêmica crônica e ao surgimento de doenças associadas à idade, como, por exemplo, o Alzheimer. A possibilidade de reprogramar esse estado inflamatório aberrante por meio de restrição calórica nos fornece, sem dúvida, uma nova ferramenta para o possível tratamento de doenças associadas ao envelhecimento”, ressalta a pesquisadora.

 

“É um estudo tecnicamente impressionante e fornece informações valiosíssimas”, diz Pablo Fernández-Marcos, especialista em doenças metabólicas associadas ao envelhecimento do IMDEA-Food, em Madri. “Uma descoberta interessante é que as células da gordura e as da aorta são as que mais mudam com o envelhecimento e se recuperam com a restrição calórica, confirmando a importância desses tecidos no envelhecimento, acima de outros mais clássicos como o cérebro ou a medula óssea”, explica. “E outro mais, que considero muito importante, é que existem benefícios mais claros da restrição nos machos do que nas fêmeas, o que confirma alguns indícios anteriores. Existem poucos estudos comparando os dois sexos, e esse é um problema sério que se está tentado reduzir comparando ambos os sexos, como fizeram aqui”, ressalta.

Fonte: El País

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