Portal Saúde no Ar

 

Onda de calor na Europa provoca 3.700 mortes

Europa enfrenta nova onda de calor extremo: mortes aumentam e cientistas alertam para efeitos das mudanças climáticas

Segundo dados divulgados hoje (3 de julho), as autoridades de saúde da França, Bélgica e Países Baixos já contabilizam pelo menos 3.700 mortes em excesso associadas à recente onda de calor. As próprias autoridades alertam que esse total ainda é preliminar e pode aumentar à medida que novos registros forem confirmados.

A Europa vive um dos verões mais quentes de sua história recente. Nas últimas semanas, diversos países registraram temperaturas acima de 40°C, provocando mortes, sobrecarga nos hospitais, incêndios florestais, interrupções no transporte ferroviário e até o fechamento de escolas.

Especialistas afirmam que as ondas de calor estão se tornando cada vez mais frequentes e intensas em razão das mudanças climáticas provocadas pela emissão de gases de efeito estufa. O fenômeno também serve de alerta para o Brasil, que já vem enfrentando períodos prolongados de calor extremo em várias regiões.

Mortes já passam de  Tres mil

Autoridades de saúde europeias estimam que mais de três mil mortes já estejam relacionadas à atual onda de calor, principalmente entre idosos, pessoas com doenças cardíacas e respiratórias e trabalhadores expostos ao sol.

Na Espanha, somente durante o mês de junho, os registros apontam mais de 1.000 mortes associadas ao calor extremo. Em resposta, cidades como Barcelona passaram a distribuir pulseiras inteligentes capazes de alertar trabalhadores sobre risco de insolação e desidratação.

Hospitais em vários países também registraram aumento no número de atendimentos por desidratação, exaustão térmica e insolação.

Temperaturas históricas

Portugal, Espanha, França, Itália e Grécia registraram temperaturas superiores aos 40°C, enquanto diversos municípios bateram recordes históricos para o mês de junho.

Na França, a situação levou ao fechamento de centenas de escolas, interrupções no fornecimento de energia e diversos alertas de saúde pública.

Na Alemanha, o calor intenso chegou a comprometer o sistema ferroviário, obrigando a suspensão temporária da circulação de trens em alguns trechos devido ao superaquecimento dos trilhos.

O que está provocando tanto calor?

Os meteorologistas explicam que o fenômeno é resultado da combinação entre:

  • massas de ar extremamente quente vindas do norte da África;
  • sistemas atmosféricos de alta pressão que impedem a entrada de frentes frias;
  • aquecimento global causado pela atividade humana.

Segundo estudos científicos, o aquecimento do planeta aumenta significativamente a probabilidade de ocorrência de ondas de calor prolongadas e mais intensas. Pesquisas anteriores já indicaram que as mudanças climáticas ampliam de forma importante o número de mortes associadas ao calor extremo.

Trump continua questionando a gravidade das mudanças climáticas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ser alvo de críticas por suas posições em relação às mudanças climáticas.

Durante seus governos, Trump retirou os Estados Unidos do Acordo de Paris (posteriormente o país retornou e depois voltou a anunciar saída em seu novo mandato), reduziu diversas políticas ambientais e continua defendendo a expansão da produção de petróleo, gás e carvão.

Recentemente, sua administração também obteve autorização judicial para retirar de parques nacionais norte-americanos materiais educativos sobre mudanças climáticas, medida criticada por cientistas e entidades ambientais.

É importante destacar que a relação entre o aumento da temperatura global e as emissões de gases de efeito estufa é sustentada por amplo consenso da comunidade científica internacional. Já as posições de Trump representam uma visão política que diverge desse consenso.

E o Brasil?

Embora a situação europeia seja mais grave neste momento, o Brasil também vem registrando episódios frequentes de calor extremo.

Nos últimos anos, várias regiões brasileiras apresentaram temperaturas acima dos 40°C, principalmente durante eventos associados ao fenômeno El Niño e ao aquecimento global.

Especialistas alertam que o país poderá enfrentar ondas de calor mais frequentes, secas prolongadas, aumento das queimadas e impactos na produção agrícola.

Quem corre mais risco?

Os grupos mais vulneráveis são:

  • idosos;
  • crianças pequenas;
  • gestantes;
  • pessoas com doenças cardíacas;
  • pacientes com problemas respiratórios;
  • diabéticos;
  • trabalhadores que permanecem ao ar livre.

Como reduzir os riscos durante ondas de calor

Médicos e autoridades de saúde recomendam:

  • beber bastante água, mesmo sem sede;
  • evitar exposição ao sol entre 10h e 16h;
  • usar roupas leves e claras;
  • permanecer em locais ventilados;
  • utilizar protetor solar, chapéu e boné;
  • evitar atividades físicas intensas nas horas mais quentes;
  • nunca deixar crianças ou animais dentro de veículos fechados;
  • dar atenção especial aos idosos que vivem sozinhos.

Um alerta para o futuro

A atual onda de calor reforça um cenário que preocupa cientistas em todo o mundo: eventos extremos estão se tornando cada vez mais comuns.

Enquanto governos discutem políticas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e adaptar cidades às novas condições climáticas, especialistas alertam que medidas simples — como ampliar áreas verdes, plantar árvores, criar espaços de sombra e melhorar o planejamento urbano — já podem salvar milhares de vidas.

O calor extremo deixou de ser apenas um desconforto do verão. Hoje, é considerado um dos fenômenos climáticos que mais matam no mundo e representa um importante desafio para a saúde pública nas próximas décadas.

O jornalismo independente e imparcial com informações contextualizadas tem um lugar importante na construção de uma sociedade , saudável, próspera e sustentável. Ajude-nos na missão de difundir informações baseadas em evidências. Apoie e compartilhe