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Nova pílula contra o câncer de Pâncreas é a grande esperança dos pacientes

A sessão plenária da American Society of Clinical Oncology —o maior e mais influente congresso de oncologia clínica do planeta em Chicago, 01/06, fez os médicos chorarem de emoção. Os dados finais do medicamento Daraxonrasib para câncer de pâncreas foram apresentados para 50 mil especialistas. Quando os números do estudo RASolute 302 apareceram na tela, a plateia se levantou para aplaudir de pé.

“Raramente celebramos um medicamento com esse perfil: baixa toxicidade, impacto real em sobrevida e um mecanismo inédito para essa doença”, diz ele. “Eram mais de 500 pacientes com câncer de pâncreas avançado, já sem resposta à quimioterapia, avaliados no desenho mais rigoroso da pesquisa clínica —e com sobrevida dobrada em relação ao padrão anterior. O aplauso em pé foi merecido.” Tephen Stefani, oncologista da Americas Health Foundation, estava presente na sessão plenária em Chicago, em entrevista ao G1.

Dados do estudo, RASolute 302 seguiu o padrão mais rigoroso da medicina: um ensaio clínico randomizado de fase 3.

Os números:

No grupo de pacientes com a mutação RAS G12 —a mais comum no câncer de pâncreas—, a sobrevida mediana foi de 13,2 meses com o comprimido contra 6,6 meses com a quimioterapia. Sobrevida mediana significa que metade dos pacientes viveu mais do que isso —e metade, menos.

O risco de morte caiu 60%.

O tempo até a doença voltar a avançar também dobrou: 7,3 meses contra 3,5 meses com a quimioterapia.

Os resultados foram praticamente idênticos quando se analisou o grupo total de pacientes, incluindo aqueles sem mutação RAS identificada.

E mais de 31% dos pacientes que tomaram o comprimido tiveram redução mensurável do tumor —contra 11,2% no grupo de quimioterapia.

Um dado, particularmente, chamou atenção dos pesquisadores: apenas 1,2% dos pacientes que usaram daraxonrasib precisaram interromper o tratamento por efeitos colaterais. No grupo de quimioterapia, essa taxa foi de 11,2%.

O câncer de pâncreas mata de um jeito particular. Não avisa. Não dá sintomas no começo. Quando é diagnosticado, cerca de 80% dos casos já estão em estágio avançado ou metastático —espalhado para outros órgãos, fora do alcance de cirurgia.

Nos Estados Unidos, aproximadamente 60 mil pessoas recebem o diagnóstico por ano; 50 mil morrem. No Brasil, são 13 mil novos diagnósticos anuais; cerca de 12 mil morrem.

Não há previsão concreta de quando (nem se) esse acesso chegará ao Brasil no curto prazo.

A conclusão dos pesquisadores, publicada no Journal of Clinical Oncology, foi direta: o daraxonrasib deve se tornar o novo padrão de tratamento para pacientes com câncer de pâncreas metastático em segunda linha.

 

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