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Mais de 60% das infecções humanas vêm de animais. Como se prevenir sem afastar os pets?

Zoonoses: o que é mito e o que é verdade sobre transmissão, riscos e prevenção

Infectologista do CEJAM explica como essas doenças surgem, quando representam risco real e por que a convivência com animais de estimação, quando responsável, não deve ser tratada como ameaça

As zoonoses seguem entre os principais desafios da saúde pública no Brasil e no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), existem mais de 200 doenças desse tipo conhecidas no planeta. Dados da Organização indicam ainda que mais de 60% das doenças infecciosas humanas e 75% das doenças infecciosas emergentes têm origem em animais.  

Nesse cenário, a informação correta é uma aliada da prevenção. Embora o contato com animais possa envolver riscos em situações específicas, conviver com animais saudáveis, vacinados e acompanhados por veterinários não representa, por si só, uma ameaça à saúde.  

Para esclarecer dúvidas comuns e separar mitos de riscos reais, a infectologista Dra. Rebeca Saad, do CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”, explica o que são zoonoses, como elas são transmitidas e quais cuidados ajudam a evitar doenças sem alimentar medo ou desinformação. 

O que são zoonoses? 

Zoonoses são doenças infecciosas transmitidas entre animais e seres humanos, causadas por vírus, bactérias, parasitas ou fungos. 

“O Ministério da Saúde classifica as zoonoses como um desafio relevante justamente porque sua ocorrência está ligada a diferentes fatores, como urbanização, mudanças climáticas, saneamento inadequado e maior contato entre humanos e animais”, explica a médica. 

Entre as principais zoonoses monitoradas no Brasil estão dengue, zika vírus, chikungunya, leptospirose, raiva, leishmaniose, febre maculosa, toxoplasmose, hantavirose, doença de Chagas e esporotricose humana. 

Toda doença transmitida por animais vem de cães e gatos. 

Mito: Quase nunca a zoonose está relacionada a animais domésticos. A transmissão ocorre por contato com animais infectados, fezes, urina, saliva, vetores como carrapatos e mosquitos, além de água ou alimentos contaminados. 

A especialista reforça que o risco depende do tipo de exposição. Em muitas situações, o problema não está no animal em si, mas na forma como o ambiente, a higiene e o manejo são conduzidos. Por isso, generalizações sobre cães e gatos podem gerar medo injustificado e até abandono de animais. 

Conviver com pets sempre aumenta o risco de adoecer. 

Mito: Animais domésticos saudáveis, vacinados, vermifugados e com acompanhamento veterinário apresentam baixo risco de transmissão de zoonoses. O cuidado responsável faz diferença. 

Manter a vacinação em dia, controlar parasitas, higienizar as mãos após manipular animais ou limpar fezes e caixas de areia, além de evitar contato com animais silvestres ou desconhecidos, são medidas simples que auxiliam na prevenção. “A convivência com animais de estimação, quando há responsabilidade e rotina de cuidados, não deve ser encarada como ameaça. Ela pode, inclusive, trazer benefícios emocionais e sociais”, destaca a infectologista. 

Zoonose é um problema restrito a áreas rurais. 

Mito: O risco existe em áreas urbanas, especialmente quando há saneamento inadequado, presença de vetores, acúmulo de lixo ou contato com água e alimentos contaminados. 

A leptospirose, por exemplo, está associada à exposição à urina de animais infectados e se torna mais frequente em situações de enchentes. Já a febre maculosa está relacionada, em muitos casos, ao contato com carrapatos. Isso mostra que o ambiente urbano também favorece a circulação desses agentes, principalmente quando as condições de higiene e prevenção são precárias. 

Só é preciso procurar atendimento médico quando os sintomas aparecem de forma grave. 

Mito: Após mordidas, arranhões ou suspeita de exposição ao risco, a orientação é buscar avaliação médica o quanto antes. 

Os sinais variam conforme a doença, mas podem incluir febre, dores no corpo, lesões de pele, diarreia e alterações neurológicas. Em alguns casos, os sintomas começam de forma inespecífica, o que atrasa o diagnóstico. Por isso, a recomendação é não se automedicar e procurar uma unidade de saúde diante de qualquer suspeita. 

Prevenir zoonoses depende apenas de cuidar dos animais. 

Mito: A prevenção envolve saúde humana, saúde animal e ambiente, em uma abordagem integrada conhecida como Saúde Única. 

Esse conceito reconhece que a saúde das pessoas está diretamente relacionada à saúde dos animais e ao equilíbrio ambiental. Na prática, isso significa combinar ações como vacinação, higiene, controle de parasitas, água tratada, alimentos bem higienizados, proteção em áreas de risco e acompanhamento veterinário. 

“Quando a prevenção é feita de forma integrada, o resultado é mais efetivo. A maioria das zoonoses pode ser prevenida com medidas simples, baseadas em informação de qualidade e responsabilidade compartilhada”, afirma a Dra. Rebeca. 

Cuidados que fazem diferença 

Entre as orientações estão manter a vacinação e a vermifugação dos animais em dia, higienizar as mãos após manipular pets, fezes ou caixas de areia, evitar contato com animais desconhecidos e usar equipamentos de proteção ao limpar locais com potencial de contaminação. 

Também é importante observar sinais de adoecimento e buscar avaliação veterinária quando necessário. Em caso de sintomas após possível exposição, a assistência médica deve ser procurada sem demora. 

Em vez de alimentar medo, a informação correta ajuda a proteger pessoas e animais. Conviver de forma responsável com cães, gatos e outros animais é possível, seguro e benéfico quando há prevenção, cuidado e acompanhamento adequado. 

Sobre o CEJAM  

O CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” é uma entidade filantrópica e sem fins lucrativos. Fundada em 1991, a Instituição atua em parceria com o poder público no gerenciamento de serviços e programas de saúde em São Paulo, Rio de Janeiro, Mogi das Cruzes, Osasco, Campinas, Carapicuíba, Barueri, Franco da Rocha, Guarulhos, Santos, São Roque, Lins, Assis, Ferraz de Vasconcelos, Pariquera-Açu, Itapevi, Peruíbe e São José dos Campos.  

A organização faz parte do Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (IBROSS), e tem a missão de ser instrumento transformador da vida das pessoas por meio de ações de promoção, prevenção e assistência à saúde.  

O CEJAM é considerado uma Instituição de excelência no apoio ao Sistema Único de Saúde (SUS), tendo conquistado novamente, em 2026, a certificação Great Place to Work. O seu nome é uma homenagem ao Dr. João Amorim, médico obstetra e um dos fundadores da Instituição.  

Neste ano, a organização lança a campanha CEJAM 2026: respeito à vida, respeito ao planeta. 365 dias cuidando do presente, transformando o futuro!  

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