Maio Roxo: mudanças no intestino podem ser sinal de doença inflamatória 

Maio Roxo: mudanças no intestino podem ser sinal de doença inflamatória 

Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa são as mais comuns e não têm cura, mas diagnóstico precoce aumenta qualidade de vida. Com incidência crescente no Brasil, estima-se que as doenças inflamatórias intestinais (DII) atinjam entre 12 e 55 pacientes por 100 mil habitantes

A Retocolite Ulcerativa (RCU) e a Doença de Crohn (DC) são os principais tipos da Doença Inflamatória Intestinal (DII), com ocorrência crescente no Brasil e no mundo, conforme a Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn (ABCD). No Brasil, a DC e a RCU afetam entre 12 e 55 indivíduos em cada 100 mil habitantes. Um estudo publicado na revista britânica The Lancet apontou para a existência de 6,8 milhões de casos de DII no mundo em 2017.

Diante do crescimento mundial da incidência da DII, os médicos aproveitam o Maio Roxo – mês de alerta e conscientização – e chamam a atenção para a importância do tratamento precoce, pois são doenças que não têm cura, reduzem a qualidade de vida do paciente, aumentam a incapacidade e sobrecarregam o sistema de saúde. Também no Brasil, em 19 de maio é celebrado o Dia Mundial da Doença Inflamatória Intestinal.

“O atraso no diagnóstico pode levar a complicações mais sérias, incluindo intervenções cirúrgicas. Por isso, é importante que o paciente seja avaliado e acompanhado por uma equipe especializada no tratamento”, explica o gastroenterologista da Clínica AMO, Bruno César da Silva, com trabalho dedicado às doenças inflamatórias intestinais.

“Além dos sintomas e impacto na qualidade de vida, os pacientes se preocupam com as complicações causadas pela DII. Dentre elas, o maior risco de desenvolver câncer de intestino se destaca. No entanto, o controle rigoroso do processo inflamatório pode reduzir essa chance para níveis semelhantes aos da população normal”, esclarece o médico.

O gastroenterologista diz ainda que, apesar do risco de câncer de intestino ser maior na população com Retocolite Ulcerativa, indivíduos com Doença de Crohn também estão mais propensos a desenvolver esse tipo de neoplasia quando comparados à população em geral.

Sem causa exata conhecida (acredita-se que seja multifatorial), a DII acomete igualmente homens e mulheres, mas predomina em jovens, sendo diagnosticada normalmente antes dos 30 anos.

Sintomas X tratamento

O gastroenterologista Bruno César Silva explica que alguns sintomas, como a diarreia, são comuns às duas doenças e também estão presentes em outras patologias, o que pode retardar o diagnóstico. Na Retocolite Ulcerativa, que se caracteriza pela inflamação da mucosa do cólon e do reto, os primeiros sinais podem ser evacuações diarreicas com sangue, desejo urgente de evacuar e dor abdominal. A diarreia pode aparecer lentamente ou surgir de maneira súbita, podendo haver também manifestações extraintestinais, tais como dores articulares e lesões na pele, como ressalta o médico.

“Na Doença de Crohn, dor abdominal, diarreia e perda de peso se destacam como sintomas mais frequentes, mas outros podem ocorrer, tais como manifestações na região anal, a exemplo de fissuras, fístulas e abscessos”, enumera.

A Doença de Crohn é crônica, se caracteriza por uma inflamação na parede intestinal e pode envolver qualquer porção do trato gastrointestinal, desde a cavidade oral até o ânus. “Em geral, quando tratados, os pacientes podem ter vida ativa e produtiva”, completa.

Diagnóstico – Na investigação, o paciente pode ser submetido a uma série de exames, incluindo colonoscopia, ultrassonografia, exames de sangue (podendo contemplar marcadores sorológicos e moleculares), tomografia computadorizada e ressonância magnética, entre outros.

Com relação ao tratamento, o médico explica que é preciso acompanhamento especializado e, de um modo geral, os medicamentos disponíveis controlam os sintomas, mas também podem melhorar a inflamação e cicatrizar a mucosa intestinal.

A cirurgia pode ser necessária para a DII quando há falha no tratamento clínico ou quando há evolução para complicações, como obstrução e perfuração intestinal, fístulas, abcessos ou até mesmo câncer.

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