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EUA e Venezuela: a intervenção que rompeu a ordem internacional e redesenhou o tabuleiro geopolítico

Por Redação – Análise Internacional

A intervenção militar direta dos Estados Unidos em território venezuelano marca um dos episódios mais graves das relações internacionais no século XXI. Mais do que um evento isolado, trata-se de um ponto de inflexão na ordem global, com efeitos imediatos sobre a soberania dos Estados, o sistema multilateral e a estabilidade da América Latina.

A operação — apresentada por Washington como ação de “justiça” e “segurança hemisférica” — resultou na retirada forçada do governo venezuelano e no anúncio de uma administração transitória sob tutela externa. Para amplos setores da comunidade internacional, porém, o episódio configura uso ilegal da força, reeditando práticas de intervenção que o direito internacional buscou banir após a Segunda Guerra Mundial.

 

O que aconteceu: o fato em si

As forças armadas dos Estados Unidos realizaram uma ação militar direta em território venezuelano, culminando na neutralização do governo central e no controle temporário de estruturas estratégicas do Estado. Em pronunciamento oficial, o presidente norte-americano afirmou que os EUA assumiriam a condução do país “até que haja uma transição segura”.

Em poucas horas, a crise ganhou dimensão global:

  • Reunião emergencial do Conselho de Segurança da ONU;
  • Condenações diplomáticas de múltiplos países;
  • Mobilização militar e humanitária nas fronteiras da Venezuela.

 

As causas reais: além da narrativa oficial

  1. A justificativa declarada dos EUA

Washington alegou:

  • Combate ao narcotráfico e ao crime transnacional;
  • Defesa da democracia e dos direitos humanos;
  • Autodefesa preventiva, com base no artigo 51 da Carta da ONU.

Essa narrativa sustenta que o governo venezuelano representaria uma ameaça regional contínua.

  1. A leitura crítica e estrutural

Analistas independentes e juristas apontam que as causas profundas extrapolam o discurso moral:

  • Energia e recursos naturais
    A Venezuela detém uma das maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo. O controle indireto sobre esse ativo tem impacto direto nos mercados energéticos globais.
  • Geopolítica de poder
    A ação envia uma mensagem clara a adversários estratégicos dos EUA: Washington mantém capacidade e disposição para intervenções unilaterais, mesmo à revelia do sistema multilateral.
  • Reposicionamento regional
    A América Latina, historicamente considerada zona de influência estratégica, volta ao centro da política externa norte-americana.

 

Desfechos imediatos

Curto prazo

  • Colapso institucional interno na Venezuela;
  • Risco de confrontos entre facções civis e militares;
  • Aumento abrupto do fluxo migratório;
  • Insegurança alimentar e sanitária;
  • Elevação do risco de violência assimétrica (milícias, sabotagem, ciberataques).

 

Impactos de médio e longo prazo

Médio prazo

  • Redefinição da política energética regional;
  • Polarização política nos países vizinhos;
  • Pressão sobre governos latino-americanos para alinhamento geopolítico;
  • Fragilização de organismos regionais (OEA, UNASUL, CELAC).

Longo prazo

  • Normalização da exceção: o maior dano sistêmico é o precedente de que a força pode substituir o direito;
  • Enfraquecimento da ONU como mediadora legítima;
  • Aumento do risco de intervenções similares em outras regiões do mundo.

 

O tabuleiro geopolítico global

A intervenção na Venezuela não ocorre em vazio estratégico. Ela se insere em um contexto de:

  • Disputa entre grandes potências (EUA, China e Rússia);
  • Crise do multilateralismo;
  • Ascensão de políticas externas mais agressivas e nacionalistas.

China e Rússia condenaram formalmente a ação, classificando-a como violação da soberania e advertindo para o risco de escalada global. A Europa dividiu-se entre governos que apoiam uma transição política e aqueles que rejeitam frontalmente o uso da força.

 

Consequências para a América Latina

  1. Instabilidade regional prolongada
    A fronteira venezuelana torna-se foco permanente de tensão.
  2. Crise humanitária ampliada
    Países como Colômbia, Brasil e Caribe enfrentam pressão migratória e social.
  3. Risco de militarização política
    O precedente fortalece discursos autoritários e de segurança extrema.
  4. Fragilização da soberania regional
    Mesmo governos críticos ao antigo regime venezuelano temem a erosão do princípio da não intervenção.

 

Leis internacionais potencialmente violadas

Carta das Nações Unidas

  • Artigo 2º, §4º – Proibição do uso da força contra a integridade territorial ou independência política de um Estado.

Direito Internacional Consuetudinário

  • Princípio da soberania dos Estados;
  • Princípio da não intervenção.

Debate jurídico central

Especialistas questionam a validade da invocação do artigo 51 (autodefesa), uma vez que não ficou demonstrada ameaça armada iminente, requisito clássico para essa exceção.

 

Posicionamentos oficiais de líderes globais

  • ONU: advertiu para um “precedente perigoso” e para a erosão da ordem jurídica internacional.
  • União Europeia (posições diversas): críticas ao uso da força e apelos à legalidade.
  • Vaticano: defesa explícita da soberania, da paz e do diálogo.
  • Cuba, China e Rússia: condenação firme e alerta sobre escalada global.

 

Riscos iminentes de guerra: cenários possíveis

Cenário 1 – Escalada regional limitada (mais provável)

  • Conflitos de baixa intensidade;
  • Incidentes fronteiriços;
  • Guerra híbrida (cibernética, econômica, informacional).

Cenário 2 – Guerra por procuração

  • Apoio indireto de potências a facções internas;
  • Ampliação silenciosa do conflito.

Cenário 3 – Confronto direto entre Estados (menos provável, mas mais grave)

  • Acidente militar ou ataque a ativos estratégicos;
  • Bloqueios marítimos ou energéticos com efeito dominó.

 

Conclusão

A intervenção dos Estados Unidos na Venezuela não é apenas um episódio latino-americano. Ela representa um teste crítico para o direito internacional, para a credibilidade das instituições multilaterais e para a estabilidade global.

Mais do que o destino imediato da Venezuela, está em jogo a pergunta central do século XXI:
o mundo continuará regido por regras ou retornará à lógica da força?

 

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