Como conquistar a felicidade

Como conquistar a felicidade

Para os nossos antepassados e filósofos gregos, a busca pela felicidade deveria ser o motor central da nossa vida. A felicidade individual se conquista através da educação de si mesmo. Educação é o meio através da qual as pessoas se capacitariam para fazer as melhores escolhas na vida. A finalidade da Educação deve ser a de fazer com que o indivíduo adquira competências, desenvolva senso crítico, se aposse do patrimônio científico e cultural historicamente construído pela humanidade, mas, acima de tudo, deve ser instrumento para promover a felicidade de si mesmo e a felicidade coletiva. Uma das finalidades da Educação, talvez a mais importante, é a de oferecer às pessoas oportunidades e meios para serem felizes. O mundo está à espera de uma revolução na Educação que tenha como principal objetivo proporcionar as condições para a conquista da felicidade dos seres humanos.

Kant, o filósofo, assim compreende a educação: “Desenvolver no indivíduo toda a perfeição de que ele é suscetível: tal o fim da educação”. Pestalozzi, o pedagogo, diz: “Educar é desenvolver progressivamente as faculdades espirituais do homem”. John Locke se expressa desta maneira sobre o assunto: “Educar é fazer espíritos retos, dispostos, a todo o momento, a não praticarem coisa alguma que não seja conforme à dignidade e à excelência de uma criatura sensata”. Lessing, autoridade não menos ilustre, compara a obra da educação à obra da revelação, e diz: “A educação determina e acelera o progresso e o aperfeiçoamento do homem”. A Educação deve ser complementada pela Psicologia Positiva com base na qual é possível fazer algo mais do que resolver ou minorar perturbações psicológicas, isto é, pretende fazer-nos felizes.

A Psicologia Positiva trabalha mais as forças do que as fraquezas do ser humano, mais a busca da felicidade do que o estudo das doenças mentais. A Psicologia Positiva é o meio através da qual as pessoas conquistariam a felicidade individual ou coletiva (comunidade, região, país) que, em última instância, é o principal objetivo que orienta a escolha das pessoas na vida. Em síntese, enquanto a Educação atuaria para capacitar as pessoas para fazerem as melhores escolhas na vida, a Psicologia Positiva reforçaria o trabalho da Educação em busca da conquista da felicidade.  Para ser feliz, o indivíduo deve se apoiar, portanto, na Educação e na Psicologia Positiva. A felicidade é uma conquista que se faz através da educação de si mesmo. E ela jamais será encontrada fora. Para ser feliz, o indivíduo deve buscar autoconhecimento, inclusive com ajuda do psicólogo.

Explicar que tipo de projetos fazem efetivamente as pessoas felizes, e que tipos de atitudes conduzem à felicidade ou a torna impossível, é o objeto da Psicologia Positiva que, como disciplina descritiva e não normativa, se limita a identificar o que efetivamente faz as pessoas felizes. Com a ajuda da Educação, a Psicologia Positiva explora a importância de o indivíduo saber interpretar corretamente o mundo e a si mesmo. Parte da infelicidade dos indivíduos resulta de modos errados de interpretar as coisas. O que se passa é que em certas situações nos tornamos infelizes porque entramos numa espiral autodestrutiva de pensamentos sutilmente errados sobre a vida e sobre nós mesmos e os outros pensamentos que nos deprimem cada vez mais. Conseguir detectar e neutralizar esses pensamentos, reconhecendo que são pura e simplesmente exageros e interpretações erradas das coisas, é um passo fundamental para a felicidade, segundo a Psicologia Positiva (LOPES, Paulo. Psicologia Positiva. Matrix Editora, 2017).

O propósito da vida não é apenas satisfazer os próprios desejos a fim de ser feliz, mas também o que cada um de nós tem a doar para o mundo. A felicidade precisa ser compartilhada. Como muitas outras espécies, os seres humanos são gregários e ter laços de confiança e amizade com outras pessoas é uma parte importante da felicidade. Lamentavelmente, vivemos numa era voltada para a vida privada e subjetiva, para o individualismo exacerbado erigido como valor absoluto. Sem preocupações mais alargadas, que ultrapassem as fronteiras imediatas do eu, da família e dos amigos mais próximos, dificilmente se pode ser genuinamente feliz. A felicidade, afinal, não vem realmente toda de dentro — vem também da entrega ao mundo. Bertrand Russell deixou evidenciado que “a felicidade deve ser considerada sempre como um bem perseguido por todos” (RUSSELL, Bertrand. A Conquista da Felicidade. Rio: Editora Nova Fronteira, 2015).

A felicidade individual não se realizará na sua completude sem a felicidade coletiva da comunidade onde o individuo vive que só pode resultar da vontade política de seus dirigentes e de sua população. Na Antiguidade, os filósofos consideravam a felicidade um assunto relacionado à política. Foi a Constituição dos Estados Unidos, que data de 1787, que incluiu a busca da felicidade entre os direitos do homem, com base em reflexões filosóficas que se originam no pensamento de David Hume e nas ideias iluministas. Isto significa dizer que a felicidade individual não é completa sem a realização da felicidade coletiva da comunidade onde o indivíduo vive. Em todas as épocas, a conquista da felicidade tem sido um objetivo perseguido por todos os seres humanos. A conquista da felicidade individual e de todos os habitantes de uma nação é a condição necessária para o fim da violência entre seus cidadãos dentro de um país. A conquista da felicidade individual e de todos os cidadãos do mundo é a condição necessária para a confraternização universal e a realização da paz mundial.

Excelente exemplo de países que trilharam o caminho da felicidade coletiva de suas nações é o dos países escandinavos (Suécia, Dinamarca, Noruega, Finlândia e Islândia). O relatório World Happiness Report 2019 da ONU mostra que as nações mais felizes do mundo estão concentradas no Norte da Europa, com a Finlândia no topo da lista. Os nórdicos possuem a mais alta classificação no PIB real per capita, a maior expectativa de vida saudável, a maior liberdade de fazer escolhas na vida e a maior generosidade. A Escandinávia é o berço do modelo de sociedade mais igualitário que o mundo já conheceu. O chamado modelo escandinavo é uma referência importante na formulação de políticas econômicas heterodoxas (progressistas) em todo o planeta. O sucesso deste modelo se deveu à combinação de um amplo Estado de Bem-Estar Social com rígidos mecanismos de regulação das forças de mercado, capaz de colocar a economia em uma trajetória dinâmica, ao mesmo tempo em que alcançava os melhores indicadores de bem-estar social entre os países do mundo.

* Fernando Alcoforado, 79, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI(Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

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