Civilização ou barbárie, democracia ou ditadura são as escolhas do povo brasileiros nas eleições 2022

Civilização ou barbárie, democracia ou ditadura são as escolhas do povo brasileiros nas eleições 2022

Este artigo tem por objetivo demonstrar que as eleições de 2022 são decisivas para o futuro do Brasil porque o povo brasileiro terá que decidir entre os valores da civilização e da democracia ou os da barbárie e da ditadura. É preciso observar que a Civilização é considerada o estágio mais avançado que uma sociedade humana pode alcançar do ponto de vista político, econômico, social, cultural, científico e tecnológico. Democracia é o regime político em que a soberania é exercida pelo povo. Os cidadãos são os detentores do poder e confiam parte desse poder ao Estado para que possa organizar a sociedade. Democracia é um regime político em que todos os cidadãos elegíveis participam igualmente — diretamente ou através de representantes eleitos — na proposta, no desenvolvimento e na criação de leis, exercendo o poder da governação através do sufrágio universal. O contrário de Civilização é a Barbárie que é a condição daquilo que é selvagem, cruel, desumano e grosseiro, ou seja, quem ou o que é tido como bárbaro que atenta contra o progresso político, econômico, social, cultural, científico e tecnológico. A barbárie sempre se caracterizou ao longo da história da humanidade por grupos que usam a força e a crueldade para alcançar seus objetivos. O contrário de democracia é Ditadura que é um regime governamental no qual todos os poderes do Estado estão concentrados em um indivíduo, um grupo ou um partido. O ditador não admite oposição a seus atos e ideias, e tem grande parte do poder de decisão. É um regime antidemocrático no qual não existe a participação da população.
Existem alguns elementos geralmente aceitos por todos sobre o que tornaria uma sociedade civilizada e democrática: 1) oferecer segurança garantida para todos os cidadãos que não devem temer a perda de suas vidas ou ter danos físicos; 2) prover assistência médica da melhor qualidade possível para todos os membros da sociedade; 3) conceder acesso à comida e água para todos os cidadãos de modo que nenhuma pessoa passe fome ou sede; 4) prover as condições básicas de habitação para todos os cidadãos; 5) possuir um sistema legislativo democrático cujas leis sejam estabelecidas para preservar o bem-estar da população; 6) prover um sistema educacional que garanta igualdade de acesso à educação de alto nível para todas as pessoas visando tornar sua população altamente educada; 7) defender o meio ambiente; e, 8 ) assegurar para a população a liberdade de pensamento, crença, religião, afiliação e expressão e o direito de participar das decisões de governo. O termo barbárie significa uma ruptura com os padrões morais que regulam a vida em sociedade e os controles sociais baseados nos fundamentos da civilização dando lugar à violência desenfreada e o desprezo pela democracia e pelo ser humano com a implantação de uma ditadura. O grande desafio do Brasil na era contemporânea é fazer com que, após as eleições de 2022, a civilização e a democracia prevaleçam sobre a barbárie e a ditadura bolsonarista.

No Brasil, ano a ano, década a década, a barbárie e o desprezo pelo ser humano têm aumentado parecendo não haver um limite para este fenômeno. A barbárie aumentou enormemente durante o governo Bolsonaro porque sua política econômica tem sido desastrosa ao adotar os princípios do neoliberalismo mais radical buscando desmantelar o Estado brasileiro desenvolvimentista construído desde 1930 por Getúlio Vargas e mantido por outros governantes, sua política de geração de emprego não é sua preocupação fundamental ao nada fazer para reativar a economia disto resultando no maior nível de desemprego com mais de 14 milhões de desempregados e 27 milhões de trabalhadores subutilizados já registrados na história do Brasil, sua política econômica é lesiva aos interesses nacionais ao contribuir para a desnacionalização da economia brasileira e à desindustrialização do País, sua política ambiental é responsável pelo crescimento das queimadas e do desmatamento na Amazônia Legal e pela desobediência ao Acordo de Paris de combate à mudança climática global, sua política de ciência e tecnologia promoveu a destruição do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (SNCTI) construído ao longo dos últimos 60 anos, sua política de educação e cultura se caracteriza por uma guerra santa ultraconservadora de caráter neofascista contra os ideais progressistas e democráticos, sua política dos direitos sociais se caracteriza por desprezar os direitos fundamentais previstos na Constituição de 1988, não considerar o amparo aos desempregados e à população pobre e demonstrar seu desapego à democracia e falta de respeito como se dirige a amplos setores sociais e sua desastrosa política de saúde pública fracassou no combate à propagação do novo Coronavirus ao tornar inoperante o Ministério da Saúde, além de sabotar todas as medidas postas em prática por governadores e prefeitos para combater a propagação do vírus.

Diante da perspectiva de ser derrotado nas próximas eleições presidenciais, Jair Bolsonaro busca se manter no poder procurando desmoralizar o sistema eleitoral do País que é acusado por ele sem provas de fraudar eleições desde 2014 como fez no dia 18/07 ao fazer uma preleção para dezenas de embaixadores convidados se empenhando em desmoralizar as eleições no Brasil. Um dia após o presidente Jair Bolsonaro repetir mentiras sobre a confiança no sistema eleitoral brasileiro em encontro com embaixadores, três associações de servidores da Polícia Federal emitiram em 19/07 uma nota conjunta manifestando confiança nas urnas eletrônicas afirmando que nunca foi apresentada qualquer evidência de fraude no sistema eleitoral. O documento é assinado pela Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), a Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) e a Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (Fenadepol). Como é improvável sua vitória nas eleições presidenciais, Bolsonaro procura conturbar a vida nacional com um ataque recheado de mentiras repetidas contra a cúpula do Judiciário do Brasil. Rebaixa-se na empreitada de Bolsonaro, o Itamaraty e as Forças Armadas com suas conivências golpistas. O propósito de Bolsonaro é o de que as eleições não se realizem porque, de acordo com as pesquisas eleitorais, sabe que não renovará seu mandato e, se as eleições ocorrerem, e sua derrota acontecer, desencadeará um golpe de estado sob o falso argumento de que houve fraude nas eleições para implantar uma ditadura de extrema direita no Brasil.

Pelo exposto, Bolsonaro precisa ser derrotado nas eleições de 2022 porque a barbárie e a ditadura por ele defendidas são as grandes ameaças ao futuro do Brasil. Nas eleições de 2022, o Brasil precisa da união da grande maioria do povo brasileiro para fazer com que a civilização e a democracia se sobreponham à pretendida barbárie e ditadura bolsonarista. O Brasil precisa resgatar os ideais de busca da felicidade humana, da justiça e da igualdade social preconizados pelo Iluminismo durante a idade Média na Europa. Do confronto entre as forças defensoras da civilização e da democracia com as defensoras da barbárie e da ditadura bolsonarista pode resultar a manutenção da democracia representativa no Brasil com a vitória de um dos candidatos democratas (Lula, Ciro Gomes, Simone Tebet, entre outros) ou o seu fim com a vitória de Bolsonaro nas eleições presidenciais. Da mesma forma que o Iluminismo foi a resposta política e ideológica à barbárie, o mesmo deveria ser considerado no Brasil para unir, no momento atual, a todos os cidadãos que defendem a democracia, a emancipação política, a liberdade de pensamento e a justiça social visando promover a melhoria da condição humana no País.

Tudo indica que Bolsonaro não vai aceitar o resultado das eleições de 2022 porque, de acordo com as pesquisas eleitorais, perderá no segundo turno para todos os demais candidatos à Presidência da República, sobretudo para o ex-presidente Lula, e que um eventual golpe de estado estaria sendo por ele planejado e que teria o apoio de determinados setores das Forças Armadas, de policiais militares, de milicianos e de segmentos da sociedade civil. O golpe de estado seria a tentativa de Bolsonaro de implantar uma ditadura sob seu comando para impor à sociedade brasileira seu pensamento retrógrado e, também, evitar ser levado às barras de tribunais para responder pelos crimes que vem praticando desde que assumiu a presidência da República. A barbárie do golpe de estado poderá ocorrer antes ou depois das eleições. Diante desta perspectiva, as forças defensoras da civilização e da democracia devem se preparar para este enfrentamento e não apenas para derrotar Bolsonaro nas eleições de 2022.

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Por: Fernando Alcoforado, 82, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor de 15 livros abordando temas como globalização, desenvolvimento econômico e social no Brasil e no mundo, aquecimento global e mudança climática, energia no mundo e no Brasil, as grandes revoluções científicas, econômicas e sociais, ciência e tecnologia e cosmologia.

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