As ameaças de extinção da humanidade e como evitá-las

As ameaças de extinção da humanidade e como evitá-las

 

Fernando Alcoforado*

Este é o resumo do artigo de 7 páginas que tem por objetivo apresentar como superar as ameaças à extinção da humanidade provocadas pelos seres humanos que dizem respeito à  mudança climática global, às pandemias e à eclosão da 3ª Guerra Mundial. Superar as ameaças à extinção da humanidade provocadas pela mudança climática global significa evitar o aquecimento global que é um fenômeno climático que, em grande medida, representa um aumento na temperatura média da superfície da Terra que vem ocorrendo nos últimos 150 anos. O aquecimento global já está impactando e impactará enormemente sobre a saúde da população mundial. O calor extremo é uma das principais causas de morte relacionadas ao clima que já vem ocorrendo em várias partes do mundo.

Em 2022, as pessoas em todo o mundo foram expostas, em média, a 86 dias de temperaturas potencialmente letais, de acordo com a contagem regressiva da revista médica The Lancet. E o número de pessoas com mais de 65 anos que morrem por causas relacionadas ao calor aumentou 85% entre 1991-2000 e 2013-2022, segundo o relatório. Mais de 5 mil pessoas morreram devido ao calor durante o verão de 2023, de acordo com a Agência Francesa de Saúde Pública (l’agence Santé publique France (SPF). Idosos com mais de 75 anos foram os mais afetados, com 3.700 mortes em 2023.  Artigo publicado em 2021 na revista Lancet Planet Health calculou que 5 milhões de pessoas morram anualmente devido a variações térmicas bruscas ou expressivas. O número equivale a 9,5% de todos os óbitos globais. Pouco mais de três quartos das vítimas fatais moram na Ásia ou na África.

No cenário previsto de aumento de temperatura global de 2°C até o final do século (segundo especialistas, atualmente, está em curso para atingir 2,7°C até 2100), espera-se que as mortes anuais relacionadas ao calor aumentem em 370% até 2050, ou seja, um aumento de 4,7 vezes, de acordo com a edição de 2023 da revista médica The Lancet.  O aquecimento global provocará aumento de infartos e doenças respiratórias, de acordo com estudo realizado por vários pesquisadores que ressaltam somente agora reconhecerem as repercussões do aquecimento global sobre a saúde humana. Poderá haver redução da disponibilidade de alimentos em consequência da mudança climática. Poderá haver escassez de água.  As populações que vivem em áreas baixas sofrem maior risco de inundação e contaminação de suas fontes de água doce pela elevação do nível do mar e pela salinização do solo. Temperaturas mais altas das águas, aumento de chuvas e secas podem aumentar a poluição da água e prejudicar a saúde humana.

Poderá ocorrer doenças transmitidas por vetores. A mudança climática provoca mudanças na temperatura, precipitação e umidade, e como resultado, aumenta o risco de transmissão de doenças. É esperado que a mudança climática mude os padrões de doenças, com algumas regiões enfrentando aumentos, enquanto outras podem ter reduções. A malária, a dengue, a encefalite japonesa e a encefalite transmitida por carrapatos são doenças infecciosas transmitidas por insetos que serão provocadas pela mudança climática. A poluição do ar é hoje um dos principais fatores de risco à saúde, levando a aumentos importantes da mortalidade e da morbidade via doenças cardiovasculares e pulmonares. A poluição do ar em todo o mundo frequentemente causada pelo uso dos mesmos combustíveis fósseis que causam a mudança climática pode fazer com que esta venha a piorar os efeitos da poluição do ar.

O aquecimento global e a mudança climática tendem a produzir uma verdadeira crise de humanidade ao ameaçar sua sobrevivência tornando imprescindível a construção de um novo modelo de sociedade ou de uma nova ordem mundial baseada no modelo de desenvolvimento sustentável que faça com que cada país atue em nível planetário de forma interdependente e racional com objetivos comuns sem os quais a sobrevivência dos seres humanos e a vida no planeta poderão ser colocados em xeque. Para mudar essa situação que ameaça a humanidade de extinção, é necessário promover uma transformação profunda da sociedade atual. A insustentabilidade do atual modelo de desenvolvimento capitalista é evidente pois tem sido extremamente destruidor das condições de vida do planeta. Diante disso, é imprescindível que seja edificada uma sociedade sustentável substituindo o atual modelo econômico dominante em todo o mundo por outro que leve em conta o homem integrado com o meio ambiente, com a natureza, ou seja, o modelo de desenvolvimento sustentável.

A Peste Negra (também conhecida como Peste Bubônica) foi a pandemia mais devastadora registada na história humana, tendo resultado na morte de 75 a 200 milhões de pessoas na Europa e na Ásia, atingindo o pico na Europa entre os anos de 1347 e 1351 e provocado redução de 1/3 da população do continente europeu. A Gripe Espanhola foi uma pandemia causada pelo vírus influenza que surgiu em 1918, espalhou-se rapidamente pelo mundo, causando cerca de 50 milhões de mortes e pelo menos 600 milhões de pessoas que adoeceram pela doença entre os anos de 1918 e 1919. A pandemia do Coronavirus ou Covid-19 causou a morte de cerca de 15 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS). Para superar as ameaças de mortes e de extinção da humanidade provocadas por pandemias evitando sua ocorrência no planeta Terra como a Peste Bubônica, a Gripe Espanhola e o Coronavírus, é preciso parar imediatamente de degradar e desmatar florestas, fortalecer os sistemas de vigilância em saúde de todos os países e da Organização Mundial da Saúde (OMS), reduzir iniquidades sociais entre nações e no interior delas, remover subsídios que favoreçam o desmatamento e oferecer mais apoio aos povos indígenas, para conterem o desmatamento e produzir uma multiplicidade de vacinas capazes de combater novos vírus e novas bactérias.

É preciso proibir internacionalmente o comércio de espécies de alto risco de transmissão de vírus e erradicar o consumo de carne silvestre no mundo, criar uma biblioteca da genética de vírus, que ajude no mapeamento de locais de onde possam surgir novos patógenos de alto risco, realizar investimentos de US$ 22 bilhões a US$ 31 bilhões por ano por uma década, para monitorar e policiar o comércio de animais selvagens e impedir o desmatamento tropical e em vigilância sanitária e biossegurança na criação de animais de consumo, que são potenciais intermediários de vírus que atingem humanos, principalmente em áreas próximas a florestas para ajudar a prevenir futuras pandemias, bem como manter a população mundial bem informada quanto aos riscos de novas pandemias com dados confiáveis, concebidos pela experiência e pela ciência. Se a destruição da natureza não tiver um fim, é provável que doenças ainda mais mortais e destrutivas atinjam a humanidade no futuro, de forma mais rápida e frequente. Ao longo da história, as vacinas ajudaram a reduzir expressivamente a incidência de várias doenças viróticas e bacterianas. Hoje, as vacinas são consideradas o tratamento com melhor custo-benefício em saúde pública. Além de adotar medidas de proteção de florestas e de combate à exploração de espécies selvagens para evitar novas pandemias, é urgente o desenvolvimento e a produção de vacinas capazes de imunizar a população contra novos vírus e novas bactérias.

É preciso evitar a proliferação de guerras no mundo e a eclosão da 3ª Guerra Mundial da qual pode resultar o uso de armas nucleares pelos contendores que pode levar à extinção da espécie humana. Tomando por base várias fontes, constata-se que na Primeira Guerra Mundial (1914-1918) ocorreram 9 milhões de mortes e, na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), entre 40 e 52 milhões de mortes. Do final da Segunda Guerra Mundial até o ano de 1992 ocorreram 149 guerras, quando morreram mais de 23 milhões de pessoas. No século XX, até 1995, sem considerar a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, houve um total de 241 guerras, das quais 166 eclodiram a partir de 1950. Nada menos do que 70 países envolveram-se em guerras de 1994 a 1997. Desde a criação das Nações Unidas, em 1945, ocorreram mais de mil grandes conflitos ao redor do mundo, que deixaram cerca de 20 milhões de mortos. Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o mundo conheceu 160 guerras, onde morreram cerca de 7 milhões de soldados e 30 milhões de civis. O ex-secretário de Estado norte-americano, Zbigniew Brzezinski, fez uma estimativa abrangendo todas as “megamortes” ocorridas desde 1914 e chegou a um total de 187 milhões de mortos.

Mais pessoas foram mortas por guerras no Século XX do que em toda a história humana anterior em conjunto. A violência dos conflitos no Século XX e, também no século XXI não tem paralelo na história. Para evitar a proliferação de guerras no mundo e a eclosão da 3ª Guerra Mundial da qual resulte o uso de armas nucleares pelos contendores, deve-se constituir um governo mundial democrático que seja eleito pelo parlamento mundial a ser formado com a participação dos países de todo o mundo. O governo democrático mundial evitaria o império de um só país como já houve ao longo da história da humanidade  e a anarquia de todos os países como ocorre atualmente. Um governo mundial só será sustentável se for verdadeiramente democrático.  A nova ordem mundial deve ser edificada não apenas para organizar as relações entre os homens na face da Terra, mas também suas relações com a natureza. É preciso, portanto, que seja elaborado um contrato social planetário que possibilite a conquista da paz mundial, o progresso econômico e social e o uso racional dos recursos da natureza em benefício de toda a humanidade.

Para assistir o vídeo, acessar o website https://www.youtube.com/watch?v=h1vVjqH01tg

* Fernando Alcoforado, 84, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e do IPB- Instituto Politécnico da Bahia, engenheiro pela Escola Politécnica da UFBA e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023) e A revolução da educação necessária ao Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023).

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