Alzheimer pode ter origem infecciosa

Infecções causadas por fungos microscópicos, as micoses podem ter uma relação com o mal de Alzheimer, conforme acredita um grupo de pesquisadores espanhóis, que alimentaram a hipótese de que a doença neurodegenerativa, contra a qual ainda não há cura, tem origem infecciosa.

Em estudo publicado nesta quinta-feira(15.10) na revista Scientific Reports (do grupo Nature), os pesquisadores afirmaram que não existem provas conclusivas, mas se a resposta for sim, o Alzheimer pode ser tratado com remédios antifúngicos. A publicação dos espanhóis aparece um mês após um polêmico artigo britânico, que lançou a hipótese de transmissibilidade da doença.

Testes

Para validar a sua hipótese, o pesquisador espanhol Luis Carrasco, do Centro de Biologia Molecular de Madri e sua equipe, compararam tecidos cerebrais, recolhidos após a morte de onze pessoas que sofriam com o mal de Alzheimer, e outras dez pessoas que não apresentavam a doença. Descobriram, então, estruturas assinalando a presença de diferentes tipos de fungos em todos os doentes de Alzheimer sem exceção, mas não entre os não doentes.

Eles disseram que foram detectados traços em diferentes partes do cérebro dos doentes, incluindo nos vasos sanguíneos, o que poderia explicar as patologias vasculares frequentemente observadas nos pacientes de Alzheimer. “Coletivamente, nossos trabalhos fornecem provas irrefutáveis da presença de micoses no sistema nervoso central dos pacientes de Alzheimer”, afirmam no artigo, estimando que a descoberta relança a hipótese de uma origem infecciosa para a doença.

Os fungos podem explicar porque a doença avança lentamente e por que os pacientes apresentam inflamações crônicas e uma ativação do sistema imunológico, mas conforme a matéria, divulgada pela Agência France Press (AFP), os pesquisadores não excluem a possibilidade de que os doentes de Alzheimer por modificações na higiene, alimentação, ou sistema imunológico, possam ser mais sensíveis às micoses.

Mais pesquisas

Para o  neurologista e diretor da unidade de pesquisa em neuroepidemiologia do Inserm/universidade francesa de Bordeaux, Christophe Tzourio, o estudo interessante, mas deve ser confirmado por uma outra equipe. Tzourio lembra que a hipótese não é nova e que pesquisadores levantaram a hipótese de que o vírus da herpes ou a ‘Chlamydophila pneumoniae’, parasita na origem de infecções respiratórias graves, podem desempenhar um papel na doença degenerativa – teoria que não foi confirmada depois.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 47,5 milhões de pessoas sofrem de demência no mundo, das quais 60 a 70% provocadas pelo Alzheimer, doença degenerativa que causa a deterioração das capacidades cognitivas e consequente perda de autonomia.

A maioria dos especialistas concorda que trata-se de uma doença complexa e que é necessária geralmente “uma conjunção de fatores” para que alguém desenvolva as lesões específicas que são o desenvolvimento de placas amiloides e o acúmulo de proteínas Tau anormais no interior dos neurônios.

*Redação Portal Saúde no Ar

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