O fenômeno El Niño está ganhando força e pode atingir intensidade muito forte nos próximos meses, provocando efeitos bastante diferentes entre as regiões brasileiras. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), existe mais de 90% de probabilidade de que o fenômeno seja classificado como muito forte no trimestre entre setembro e novembro.
O El Niño ocorre quando as águas do Pacífico Equatorial ficam mais quentes do que o normal. Esse aquecimento modifica a circulação dos ventos e interfere na distribuição das chuvas e das temperaturas em várias partes do mundo.
Chuva de um lado, seca do outro
No Brasil, um dos efeitos mais conhecidos do El Niño é justamente a diferença entre as regiões. Sul e parte do Sudeste tendem a receber mais chuva, enquanto áreas do Norte e Nordeste podem enfrentar períodos mais secos e temperaturas elevadas.
Em setembro, o INMET prevê chuvas acima da média em áreas do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, enquanto setores do Norte e do Nordeste apresentam tendência de volumes abaixo da média.
Os efeitos já podem ser observados. São Paulo registrou, em apenas 14 dias de setembro, o mês mais chuvoso desde 1943, com 253,8 milímetros acumulados no Mirante de Santana, segundo dados do INMET.
No Sul, o excesso de chuva pode aumentar o risco de alagamentos, enchentes e deslizamentos. No outro extremo, a combinação de calor, baixa umidade e pouca chuva pode favorecer secas, incêndios florestais e redução da disponibilidade de água em áreas do Norte e Nordeste.
Um fenômeno que exige atenção
A NOAA, agência meteorológica dos Estados Unidos, também elevou as projeções para um El Niño muito forte. A agência aponta mais de 90% de probabilidade de ocorrência dessa categoria no segundo semestre de 2026 e considera possível que o episódio esteja entre os mais intensos registrados desde 1950.
Especialistas, porém, ressaltam que o El Niño não determina sozinho o tempo em cada cidade. Outros fatores atmosféricos e oceânicos também interferem nas chuvas e temperaturas.
Por isso, o acompanhamento das previsões do INMET e dos órgãos de defesa civil será fundamental nos próximos meses, principalmente nas áreas sujeitas a enchentes, deslizamentos, seca, ondas de calor e incêndios.
Fontes: Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), NOAA e dados meteorológicos citados acima.
Foto: Imagem da Nasa










