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Quedas de idosos: um dos maiores problemas de saúde pública do Brasil

Acidentes provocam traumatismos cranianos, fraturas e perda da independência

As quedas estão entre os acidentes mais frequentes e perigosos para a população idosa brasileira. Embora muitas vezes sejam vistas como algo comum do envelhecimento, especialistas alertam que elas não devem ser encaradas como normais. Uma simples queda pode desencadear uma série de complicações graves, incluindo traumatismo craniano, fraturas, perda da mobilidade, dependência física e até morte.

Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 25% dos idosos brasileiros residentes em áreas urbanas sofrem pelo menos uma queda por ano. Considerando a população idosa do país, estimada em aproximadamente 36 milhões de pessoas, isso representa milhões de acidentes anualmente. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 28% dos idosos sofrem ao menos uma queda por ano.

Quantas quedas acontecem por dia?

Com base nas estimativas da OMS, o Brasil registra aproximadamente 9 milhões de quedas de idosos por ano, o que corresponde a cerca de 24 mil ocorrências por dia. Muitas delas não chegam aos hospitais, mas uma parcela significativa resulta em internações e tratamentos prolongados.

Quem corre mais risco?

O risco aumenta significativamente com o avanço da idade. Estudos mostram que:

  • Cerca de 25% dos idosos sofrem quedas anualmente;
  • Entre os idosos com 80 anos ou mais, aproximadamente 40% caem pelo menos uma vez por ano;
  • Em instituições de longa permanência, como asilos e casas de repouso, a frequência pode chegar a 50%.

As mulheres apresentam maior incidência de quedas, assim como idosos que possuem diabetes, artrite, reumatismo, depressão, problemas de visão, alterações do equilíbrio ou dificuldades de locomoção.

As consequências podem ser devastadoras

Uma queda pode parecer um acidente simples, mas suas consequências frequentemente são graves.

Traumatismo craniano

Quando o idoso bate a cabeça durante uma queda, existe risco de traumatismo craniano. Mesmo quando o impacto parece pequeno, podem ocorrer hemorragias internas, tonturas, perda de consciência, alterações cognitivas e necessidade de internação.

Os traumatismos cranianos são particularmente perigosos porque muitos idosos utilizam medicamentos anticoagulantes, que aumentam o risco de sangramentos cerebrais.

Fraturas

As fraturas estão entre as complicações mais comuns.

Os locais mais atingidos são:

  • Quadril (fêmur);
  • Punho;
  • Braço;
  • Costelas;
  • Coluna vertebral.

A fratura de fêmur é considerada uma das mais graves. Muitos idosos necessitam de cirurgia e longos períodos de reabilitação. Em diversos casos, a pessoa nunca recupera totalmente a capacidade de caminhar como antes.

Perda de mobilidade e independência

Após uma queda, muitos idosos desenvolvem o chamado “medo de cair novamente”. Esse receio faz com que reduzam suas atividades diárias, caminhem menos e permaneçam mais tempo sentados ou deitados.

Com isso ocorre:

  • Perda de força muscular;
  • Diminuição do equilíbrio;
  • Redução da autonomia;
  • Dependência de familiares e cuidadores.

O resultado é um ciclo perigoso: quanto menos o idoso se movimenta, maior fica o risco de novas quedas.

Onde acontecem mais acidentes?

A maioria das quedas ocorre dentro da própria residência.

Os locais mais perigosos são:

Banheiro

É considerado um dos ambientes de maior risco devido à combinação de piso molhado, sabonete, ausência de barras de apoio e necessidade de sentar e levantar do vaso sanitário.

Quarto

Muitas quedas acontecem durante a noite, quando o idoso se levanta para ir ao banheiro em ambientes pouco iluminados.

Escadas

A falta de corrimão ou degraus mal sinalizados aumenta significativamente o risco.

Sala e corredores

Tapetes soltos, fios elétricos e objetos espalhados pelo chão estão entre os principais causadores de tropeços.

Áreas externas

Calçadas irregulares, buracos e pisos escorregadios também contribuem para milhares de acidentes todos os anos.

Como prevenir as quedas?

Especialistas afirmam que boa parte dos acidentes pode ser evitada com medidas simples.

Adaptações na casa

  • Instalar barras de apoio no banheiro;
  • Colocar corrimãos em escadas;
  • Melhorar a iluminação dos ambientes;
  • Retirar tapetes soltos;
  • Eliminar fios e obstáculos do caminho;
  • Utilizar pisos antiderrapantes.

Cuidados com a saúde

  • Fazer exames oftalmológicos regularmente;
  • Controlar pressão arterial e diabetes;
  • Revisar medicamentos com orientação médica;
  • Tratar problemas de equilíbrio e tonturas;
  • Corrigir deficiências de vitamina D e cálcio.

Exercícios físicos

Atividades físicas orientadas ajudam a melhorar:

  • Equilíbrio;
  • Coordenação motora;
  • Força muscular;
  • Flexibilidade.

Caminhadas, musculação adaptada, hidroginástica e exercícios de equilíbrio são altamente recomendados.

Um desafio que cresce com o envelhecimento da população

O Brasil está envelhecendo rapidamente. Com o aumento da expectativa de vida, a prevenção das quedas tornou-se uma prioridade de saúde pública. Especialistas alertam que a maioria desses acidentes pode ser evitada através da adaptação dos ambientes, acompanhamento médico e incentivo à atividade física.

Mais do que evitar fraturas, prevenir quedas significa preservar a autonomia, a qualidade de vida e a dignidade de milhões de brasileiros que chegaram à terceira idade.

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