Pele de tilápia cicatriza queimaduras – Método criado por médico brasileiro

Para tratar queimaduras, normalmente é usado um creme com efeito de 24 horas. Todos os dias, é preciso trocar o curativo, tirar o creme, enxaguar a área queimada, colocar o creme novamente e fazer um novo curativo”. Isso se torna muito trabalhoso, custoso e doloroso.

Edmar Maciel, cirurgião plástico e presidente do Instituto de Apoio ao Queimado (IAQ) desenvolveu o procedimento do uso de pele de tilápia para cicatrizar queimaduras. O método é pioneiro no mundo.

Como permanece sobre a queimadura durante vários dias, em função da gravidade do ferimento, a pele do peixe evita as dores que resultam na necessidade da troca do curativo.

“A pele da tilápia adere à ferida, faz um tamponamento e evita a perda de líquido”, afirma Maciel. O especialista explica que o curativo natural pode antecipar a cicatrização de uma ferida em até dois dias. “Isso acontece porque na tilápia há colágeno tipo 1, muito semelhante ao do organismo humano”,

O tratamento é desenvolvido  no Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM) da Universidade Federal do Ceará (UFC) e as pesquisas  foram iniciadas em 2017.  De acordo com os pesquisadores, a curativo com base em animais aquáticos é inédito no mundo. O tratamento serve para queimaduras de primeiro, e segundo grau.

Em outros países, é usada a pele de outros animais, principalmente de porco. Mas uma grande vantagem de usar a tilápia é que “sabemos que esses peixes tem menos possibilidades de transmitir doenças do que os terrestres”, assinala Maciel.

O trabalho dos pesquisadores foi premiado várias vezes no Brasil e está sendo muito elogiado no exterior. A equipe analisa a possibilidade de usar a pele de tilápia em outras áreas da medicina, como, por exemplo, no campo da ginecologia, na atresia vaginal ou para uso em endoscopia.

Segundo Maciel, o uso da pele de tilápia, reduz bastante o tempo da cicatrização em comparação ao tratamento convencional.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda analisa a eficácia da tecnologia. Somente após a aprovação da agência, a técnica poderá ser utilizada em hospitais públicos que trabalham com tratamento de queimados.

 

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