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Laser de CO2 pode ser opção de tratamento para incontonência urinária

Incontinência urinária afeta milhões de mulheres e laser de CO2 pode ser uma opção de tratamento complementar 

Queixa é mais comum após os 40 anos, mas também pode atingir mulheres jovens, explica ginecologista explica quando a tecnologia pode ajudar a recuperar a qualidade de vida

A perda involuntária de urina ainda é um dos problemas de saúde feminina mais subnotificados no Brasil. Embora muitas mulheres consideram normal perder urina ao tossir, espirrar ou sentir uma vontade súbita de ir ao banheiro, especialistas alertam que a incontinência urinária não faz parte do envelhecimento natural e possui tratamento.

Estimativas apontam que entre 25% e 45% das mulheres adultas apresentam algum grau de incontinência urinária ao longo da vida, percentual que aumenta com a idade, a gestação e o parto vaginal. Dados da International Continence Society e da Sociedade Brasileira de Urologia indicam que a condição afeta milhões de brasileiras e compromete significativamente a qualidade de vida.

É comum que mulheres apresentem perda urinária ou urgência miccional mesmo com exame de urina e urocultura normais. Nesses casos, é importante uma avaliação clínica completa para identificar a causa dos sintomas.

Foi exatamente esse o quadro vivido por uma paciente de 34 anos atendida pela ginecologista Roberta Brando. A mulher relatava necessidade de urinar diversas vezes ao dia, eliminando pouca quantidade de urina e convivendo com desconforto frequente, apesar de exames normais. Após duas sessões de laser de CO2, afirmou ter percebido melhora de aproximadamente 70% dos sintomas. Trata-se de um relato clínico individual, que não representa necessariamente o resultado esperado para todas as pacientes.

“É muito comum receber pacientes com sintomas urinários persistentes, mas sem sinais de infecção nos exames. Nesses casos, precisamos investigar a funcionalidade dos tecidos vaginais e do assoalho pélvico. Isso além também de checar as alterações de colágeno, as deficiência estrogênica quando presentes, a alterações da sustentação uretral e, ainda, a disfunção muscular do assoalho pélvico. O laser de CO2 promove remodelação do colágeno, melhora a qualidade da mucosa e pode contribuir para reduzir sintomas como urgência urinária e desconforto, sempre após uma avaliação individualizada”, explica a médica ginecologista Roberta Brando, especialista em estética íntima e terapia hormonal feminina.

A médica ressalta, porém, que o tratamento não substitui a investigação clínica e não é indicado para todos os tipos de incontinência urinária. “Cada paciente precisa de um diagnóstico preciso. Existem diferentes formas de incontinência, como a de esforço, a de urgência e a mista. O laser pode ser um recurso importante para mulheres selecionadas, especialmente quando existe comprometimento da saúde vaginal, mas ele faz parte de um plano terapêutico mais complexo. Ele promove alterações teciduais que podem estimular a remodelação do colágeno e melhorar a qualidade da mucosa vaginal. Inclusive, estudos sugerem melhores resultados principalmente em mulheres com síndrome geniturinária da menopausa associada a sintomas urinários leves ou moderados”, completa.

Segundo a literatura científica, a incontinência urinária pode provocar impactos que vão além dos sintomas físicos. O problema está associado à redução da autoestima, limitações nas atividades sociais, dificuldades na prática de exercícios físicos e prejuízos à vida sexual. Apesar disso, especialistas estimam que uma parcela significativa das mulheres demora anos para procurar ajuda por vergonha ou por acreditar que a condição é inevitável. Embora estudos demonstrem melhora dos sintomas em parte das pacientes, ainda são necessários estudos randomizados de maior qualidade para definir com precisão quais mulheres apresentam maior benefício.

Para Roberta Brando, ampliar a informação é fundamental para reduzir esse cenário. “Segundo as diretrizes internacionais, a fisioterapia pélvica ajuda muito no tratamento da incontinência urinária, mas é preciso avaliar todos esses fatores supracitados. O laser vaginal pode ser considerado como terapia complementar em pacientes selecionadas, especialmente quando coexistem alterações da saúde vaginal relacionadas ao climatério ou à menopausa, sempre após avaliação individualizada”, finaliza a ginecologista.

Ginecologista Roberta Brandão
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