Portal Saúde no Ar

 

Estresse urbano e excesso de telas alteram a química cerebral e afetam o descanso

Estudos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) revelam que cerca de 72% dos brasileiros apresentam algum tipo de alteração relacionada ao sono.

Ritmo de vida acelerado, trânsito intenso, poluição e insegurança das cidades costumam resultar no chamado estresse urbano, que provoca tanto o desgaste físico quanto o mental. Somado a esses estímulos negativos, a sociedade convive com o excesso de telas, que trazem notificações, luz artificial e a sensação de imediatismo.

O resultado é a cronodisrupção, a dessincronização dos ritmos do organismo, que se manifesta por meio de insônia, fadiga persistente e oscilações de humor. O que está por trás disso é a quebra do ciclo cicardiano, o relógio biológico, fazendo com que não haja referência quanto ao dia e à noite.

Estudos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) revelam que cerca de 72% dos brasileiros apresentam algum tipo de alteração relacionada ao sono. O excesso de telas pode explicar esse resultado, já que, segundo levantamento da plataforma Electronics Hub, os brasileiros passam aproximadamente 56% do tempo acordados diante de smartphones e computadores, o que representa cerca de nove horas por dia.

Restauração do sono e do relaxamento muscular

No organismo, a produção de melatonina, hormônio que sinaliza ao organismo que é hora de dormir, é reduzida com a exposição prolongada à luz azul emitida pelas telas. Ao mesmo tempo, o estresse crônico mantém elevados os níveis de cortisol, fazendo com que o corpo fique em estado de alerta constante. Esses fatores, em conjunto, alteram a química cerebral, comprometendo o sono, como demonstram os estudos.

É nesse ponto que a crononutrição se mostra como alternativa, uma vez que é capaz de restaurar e regular o descanso e o relaxamento muscular. Uma revisão científica publicada na revista Food Science & Nutrition mostra que o aporte adequado de micronutrientes é capaz de modular vias neurológicas fundamentais para a qualidade do descanso.

Entre os ativos estudados, o magnésio glicinato é citado pela atuação direta na regulação dos receptores de GABA, o principal neurotransmissor inibitório do sistema nervoso central. Ao favorecer a atividade do GABA, o mineral reduz a excitabilidade neuronal e promove o relaxamento neuromuscular, efeito que se traduz em um adormecer mais rápido e em um sono mais profundo.

“O magnésio glicinato reúne dois componentes relacionados ao equilíbrio do sistema nervoso. O magnésio participa da regulação neuromuscular e de mecanismos ligados ao relaxamento, enquanto a glicina atua como neurotransmissor inibitório e também está relacionada à termorregulação corporal e à qualidade do sono. Por isso, existe uma sinergia interessante entre os dois”, explica o CEO da Bigens, Fábio Bueno.

Outro ativo que aparece nos estudos é o ômega 3. Na forma triglicerídeo (TG), ele é chamado de ômega 3 tg e reduz a neuroinflamação provocada pelo estresse diário, protegendo as vias envolvidas na regulação do sono e no equilíbrio emocional.

“O ômega-3, especialmente EPA e DHA, atua mais na base da saúde cardiovascular e cerebral. O DHA é um componente importante das membranas dos neurônios, enquanto os ômega 3 também participam da modulação de processos inflamatórios e da saúde vascular”, destaca Bueno.

Segundo ele, a crononutrição busca criar um ambiente metabólico e neurológico mais favorável para que o organismo respeite seu ritmo circadiano. “Eu não diria que magnésio e ômega-3 ‘fazem dormir’, mas que podem fornecer suporte nutricional a mecanismos importantes para um sono de melhor qualidade e para o equilíbrio do organismo.”

Suplementação preventiva

Para atender a pessoas que buscam soluções preventivas antes de recorrer a medicamentos, o mercado de suplementação preventiva e tecnologia aplicada vem ganhando destaque com os ativos essenciais ao organismo.

Uma orientação ao  consumidor é observar o rótulo  ao escolher suplementos de magnésio ou ômega 3, a fim de garantir que está comprando formatos com boa absorção pelo organismo. “No caso do magnésio, é preciso olhar a tabela nutricional e não a frente do pote, O que vale é o magnésio elementar por dose, no mínimo 200 mg, idealmente perto de 350 mg, e, de preferência, na forma quelada, que absorve melhor”, explica o CEO.

Já no caso do ômega 3, ele recomenda fazer três checagens: pote opaco, porque luz oxida o óleo; quantidade de EPA e DHA no rótulo, não o total de óleo de peixe; e certificação de terceira parte, como a IFOS, que atesta por lote a concentração, a ausência de metais pesados e o frescor do óleo.

O jornalismo independente e imparcial com informações contextualizadas tem um lugar importante na construção de uma sociedade , saudável, próspera e sustentável. Ajude-nos na missão de difundir informações baseadas em evidências. Apoie e compartilhe