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Ebola avança no Congo enquanto ajuda internacional continua insuficiente

Enquanto milhares de pessoas morrem, equipes de saúde enfrentam falta de recursos, conflitos e uma resposta internacional que não acompanha a dimensão da tragédia

A República Democrática do Congo enfrenta uma das maiores tragédias sanitárias de sua história. Desde maio, uma epidemia de Ebola já provocou 3.799 mortes entre 7.890 casos confirmados, segundo o balanço mais recente da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado em 25 de setembro. A doença já atingiu 63 zonas de saúde em sete províncias do país.

A situação revelada pelo Fantástico, em reportagem de Sônia Bridi e Paulo Zero, mostra a dimensão humana da crise. Em muitas comunidades, pessoas infectadas permanecem em casa sem atendimento adequado. Segundo a reportagem, seis em cada dez pessoas que morrem de Ebola ainda morrem dentro de casa, sem conseguir chegar a um hospital.

Uma tragédia que poderia receber mais ajuda

O cenário é agravado pela pobreza, pela falta de estrutura de saúde, pelos conflitos armados e pelo deslocamento de milhões de pessoas. Mas existe outro problema que chama atenção: a insuficiência do financiamento internacional.

Em agosto, o coordenador da ONU para a resposta ao Ebola, Julien Harneis, alertou que os recursos disponíveis poderiam acabar em poucas semanas. Naquele momento, a ONU informou que os cortes na ajuda humanitária internacional haviam reduzido em mais de 30% a capacidade das organizações que atuam na região.

A situação chegou a tal ponto que a própria OMS reconheceu que a resposta internacional ainda apresentava importantes lacunas. Em agosto, a organização informou que havia mobilizado 274 profissionais para a emergência, diante de uma necessidade estimada de 455, e apontou áreas críticas sem apoio suficiente.

É importante reconhecer que alguns países e organizações internacionais contribuíram com recursos. Os Estados Unidos, por exemplo, haviam destinado US$ 80 milhões para ampliar a capacidade de atendimento e apoiar medidas de controle da epidemia. O problema é que, diante da dimensão da crise, as contribuições não têm sido suficientes para garantir uma resposta compatível com as necessidades da população.

África continua pagando um preço alto

O que acontece no Congo expõe uma desigualdade que há décadas preocupa organizações humanitárias: crises sanitárias em países pobres frequentemente dependem da disposição financeira dos países mais ricos para serem enfrentadas.

Enquanto governos das nações desenvolvidas gastam bilhões de dólares em diferentes áreas, comunidades africanas continuam enfrentando doenças mortais sem hospitais suficientes, equipamentos, profissionais e recursos básicos para atendimento.

A OMS classificou o risco da epidemia dentro da República Democrática do Congo como muito alto e o risco para os países que fazem fronteira com o Congo como alto. O organismo também alerta que conflitos, insegurança, deslocamentos e falta de serviços básicos continuam dificultando o combate ao vírus.

O Ebola não é apenas um problema africano. Epidemias não respeitam fronteiras. Quanto mais tempo um vírus permanece circulando sem controle, maiores são os riscos de transmissão para outras regiões.

A tragédia do Congo, portanto, deveria servir como um alerta para o mundo: combater uma epidemia antes que ela se transforme em uma catástrofe internacional custa menos, salva mais vidas e exige menos recursos do que agir somente quando a doença já ultrapassou fronteiras.

Enquanto isso, no coração da África, profissionais de saúde continuam trabalhando em condições extremamente difíceis para salvar vidas que poderiam depender de uma decisão simples: aumentar a solidariedade internacional antes que seja tarde demais.

Fontes principais: OMS, ONU e reportagem do Fantástico/TV Globo, exibida em 27 de setembro de 2026

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