No Dia Nacional de Combate e Prevenção à Trombose, celebrado em 16 de setembro, a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional São Paulo (SBACV-SP) alerta que a doença não está restrita a pessoas hospitalizadas. Diferentes condições do dia a dia podem favorecer a formação de coágulos; por isso, conhecer os fatores de risco e os sinais de alerta é essencial para prevenir complicações e buscar atendimento no tempo certo.
Longos períodos com pouca ou nenhuma movimentação estão entre as situações que merecem atenção. Isso pode ocorrer durante viagens prolongadas, após cirurgias, fraturas ou lesões que exijam imobilização e internação. Gravidez e pós-parto, câncer, obesidade, tabagismo, idade avançada, histórico pessoal ou familiar da trombose e predisposição genética também estão associados a maior risco. O uso de anticoncepcionais ou reposição hormonal também requer atenção, especialmente quando há outros fatores associados.
O cirurgião vascular Dr. Adilson Ferraz Paschoa, membro da Comissão de Tromboembolismo Venoso (TEV) da SBACV-SP, explica como a falta de movimento interfere nesse processo: “A permanência no leito ou a mobilidade restrita interferem no retorno venoso. Quando a musculatura da panturrilha deixa de exercer adequadamente sua função, a velocidade do fluxo sanguíneo diminui e a predisposição para a trombose aumenta. Por isso, o risco deve ser avaliado individualmente, considerando os diferentes fatores presentes em cada caso. Quem apresenta condições que favoreçam a trombose deve conversar com o médico sobre os cuidados indicados nas situações citadas.”
A trombose venosa profunda (TVP) ocorre quando um coágulo se forma em uma das veias, principalmente nas pernas, e dificulta a circulação do sangue. Um dos agravantes mais complexos acontece quando parte desse coágulo se desprende e chega aos pulmões, o que pode provocar uma embolia pulmonar (EP). As duas condições fazem parte do chamado tromboembolismo venoso (TEV). Dor e inchaço nas pernas, especialmente na região da panturrilha, estão entre os principais sintomas. Já a dor no peito, falta de ar e dificuldade para respirar podem indicar uma embolia pulmonar, o que exige atendimento médico imediato.
A prevenção também varia conforme o perfil e a condição clínica do paciente. Em determinadas situações, a equipe médica pode indicar fisioterapia, meias elásticas, dispositivos de compressão pneumática ou medicamentos anticoagulantes.
Nova lei reforça prevenção nos hospitais
Se a trombose pode surgir em diferentes circunstâncias, o ambiente hospitalar exige atenção especial pela possibilidade de reunir vários fatores de risco ao mesmo tempo. Em 2026, uma nova lei passou a determinar que hospitais públicos e privados adotem protocolos para avaliar a predisposição ao tromboembolismo venoso entre pacientes internados e definam as medidas preventivas adequadas a cada caso.
Para o Dr. Adilson, a mudança fortalece uma prática importante para a segurança do paciente. “Toda medida preventiva na área da saúde visa reduzir eventos e suas complicações. Em relação ao tromboembolismo venoso, o cenário não é diferente. Essa orientação, agora com a força de lei, representa um grande avanço para reduzir o impacto da doença”.
Na prática, a medida favorece a identificação de pacientes mais suscetíveis e estabelece a prevenção como parte sistemática da assistência hospitalar. A SBACV-SP ressalta que a efetividade dos protocolos depende também da atuação integrada das equipes de saúde e do acompanhamento das medidas adotadas.
A atenção deve continuar mesmo depois da alta. “A chance de desenvolver tromboembolismo venoso persiste por três meses ou até mais após uma internação, sendo maior nas primeiras três semanas. Por isso, o paciente deve permanecer atento aos sinais de alerta mesmo quando já estiver em casa”, orienta o especialista.
Para o cirurgião vascular, ampliar a prevenção pode ter impacto direto na segurança dos pacientes. “O tromboembolismo venoso é hoje a terceira principal causa de morte cardiovascular no mundo, e toda estratégia de prevenção tem potencial para salvar vidas.”
Sobre a SBACV-SP
A Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional São Paulo (SBACV-SP) é uma entidade sem fins lucrativos que representa os médicos que atuam nas especialidades de Angiologia e de Cirurgia Vascular no estado de São Paulo. A instituição tem como missão levar informação de qualidade sobre saúde vascular à população.
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