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A dermatite seborreica mais frequente em negros é confundida com caspa

A dermatite seborreica, muitas vezes confundida apenas com caspa, pode causar queda acentuada de cabelo quando não recebe o tratamento adequado. A doença está entre os cinco diagnósticos dermatológicos mais frequentes na população negra, grupo que ainda enfrenta desafios pelo baixo número de estudos científicos específicos. Dermatite seborreica sem tratamento pode provocar queda acentuada de cabelo em pessoas negras, alerta médica

Uma revisão científica aponta que a dermatite seborreica está entre os cinco diagnósticos dermatológicos mais frequentes na população negra e alerta para a escassez histórica de estudos sobre esse grupo.

Muitas pessoas acreditam que a caspa é apenas um problema estético. No entanto, a dermatite seborreica — doença inflamatória crônica que acomete principalmente o couro cabeludo, o rosto e outras regiões ricas em glândulas sebáceas — pode evoluir para uma queda significativa dos cabelos quando não é diagnosticada e tratada precocemente.

Em agosto, mês em que diferentes instituições reforçam ações de conscientização sobre saúde e prevenção de doenças, profissionais da área alertam que o cuidado com o couro cabeludo também deve integrar a rotina de autocuidado. O tema merece atenção especial na população negra. Além da dermatite seborreica figurar entre os cinco diagnósticos dermatológicos mais frequentes nesse grupo, uma revisão publicada pelos Anais Brasileiros de Dermatologia destaca que a pele negra permanece historicamente sub-representada na literatura científica. Essa lacuna pode dificultar o reconhecimento precoce de algumas doenças dermatológicas e contribuir para diagnósticos tardios.

Segundo a médica Danìelà Hermes, que há mais de 20 anos atua no cuidado integral da pele negra, um dos maiores desafios continua sendo a banalização dos primeiros sintomas da doença. “Muitas pessoas convivem durante anos com coceira intensa, descamação e excesso de oleosidade acreditando que seja apenas caspa. Quando a inflamação permanece ativa por muito tempo, ela compromete a saúde do couro cabeludo e pode provocar uma queda importante dos fios. Quanto antes iniciarmos o tratamento, menores são os riscos de danos persistentes.”, afirma.

De acordo com o Ministério da Saúde, a dermatite seborreica caracteriza-se por períodos de melhora e piora. Embora sua causa exata ainda não seja completamente conhecida, fatores genéticos, alterações na produção de sebo e a proliferação do fungo Malassezia estão entre os principais fatores associados ao desenvolvimento da doença.

Estresse emocional, fadiga, uso de determinados medicamentos, consumo excessivo de álcool e mudanças climáticas também podem desencadear ou agravar as crises. A doença não é contagiosa nem está relacionada à falta de higiene.

Na pele negra, porém, alguns sinais podem se manifestar de forma diferente daqueles observados em pessoas de pele clara. Além da descamação intensa, é comum o aparecimento de áreas mais escuras ou mais claras após a inflamação, condição conhecida como hiperpigmentação ou hipopigmentação pós-inflamatória. O diagnóstico também pode ser mais difícil porque a vermelhidão costuma ser menos evidente. Segundo os Anais Brasileiros de Dermatologia, a escassez histórica de estudos dedicados à pele negra ainda representa um desafio para o reconhecimento precoce de diversas doenças dermatológicas, favorecendo diagnósticos tardios e tratamentos iniciados em fases mais avançadas.

“Na pele negra precisamos observar detalhes que muitas vezes passam despercebidos. Além da descamação, é comum encontrarmos alterações de pigmentação que permanecem mesmo após o controle da inflamação. O tratamento precisa considerar essas particularidades para preservar tanto a saúde quanto a aparência da pele e do couro cabeludo “, explica Hermes.

Outro ponto de atenção é o impacto dos hábitos capilares. Segundo a médica, o uso frequente de pomadas, óleos densos, géis e finalizadores diretamente sobre o couro cabeludo pode aumentar a oleosidade e agravar os sintomas em pessoas predispostas.

“O cabelo crespo e cacheado necessita de hidratação, mas isso não significa aplicar produtos diretamente no couro cabeludo. O excesso de cosméticos nessa região pode piorar a inflamação e favorecer novas crises. O ideal é individualizar os cuidados de acordo com cada paciente.”, pontua.

 

 

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