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Eleições 2026: indecisos dobram na Quaest; entenda o impacto na disputa presidencial

Imagem ilustrativa de local de votação nas eleições de 2026, utilizada na reportagem sobre os indecisos da pesquisa Quaest.

Saúde no Ar | Especial Eleições 2026

Levantamento de 21 de outubro mostra 14% de indecisos na pesquisa espontânea, mas somente 2% na estimulada. Saiba o que significam esses números, como mudanças na intenção de voto podem alterar os percentuais e por que a apuração oficial continua sendo decisiva.

Data: 21 de outubro de 2026 | Tempo estimado de leitura: 8 minutos

Imagem ilustrativa de eleições. Fonte: biblioteca de mídia do Portal Saúde no Ar.

O que importa em 30 segundos

1. O que revelou a pesquisa Quaest?

A quatro dias do segundo turno presidencial, marcado para domingo, 25 de outubro, a nova rodada da Quaest encontrou aumento no percentual de entrevistados que não mencionaram candidato quando não receberam uma lista de nomes.

Pesquisa espontânea: evolução em uma semana

Resposta 14/10 21/10
Lula (PT) 42% 40%
Flávio Bolsonaro (PL) 43% 40%
Indecisos 7% 14%
Branco, nulo ou não votaria 8% 6%

O crescimento de sete pontos percentuais é relevante, mas não significa, necessariamente, que todos esses entrevistados tenham abandonado uma preferência. As rodadas envolvem amostras de eleitores em momentos distintos, não um acompanhamento individual de cada resposta.

Pesquisa estimulada: intenção de voto em 21 de outubro

Resposta Percentual
Flávio Bolsonaro (PL) 45%
Lula (PT) 44%
Branco, nulo ou não votaria 9%
Indecisos 2%

A distância numérica de um ponto percentual entre as duas candidaturas está dentro da margem de erro geral de dois pontos percentuais para mais ou para menos, configurando empate técnico.

Metodologia: foram realizadas 2.154 entrevistas presenciais com eleitores de 16 anos ou mais em todo o Brasil, entre 17 e 20 de outubro. O nível de confiança declarado é de 95%. A pesquisa foi encomendada pela TV Globo e pelo jornal O Globo e registrada no TSE sob o número BR-08535/2026. Confira os dados divulgados.

2. Por que a indecisão chega a 14% na espontânea e cai para 2% na estimulada?

Na pesquisa espontânea, o entrevistado precisa mencionar o candidato sem receber uma lista. A ausência de resposta pode refletir hesitação, dificuldade de recordar ou verbalizar um nome, preferência pouco consolidada ou outras circunstâncias que os números agregados não permitem distinguir.

Já na modalidade estimulada, são apresentados os nomes dos candidatos. Parte dos entrevistados que não respondeu espontaneamente passa a indicar uma preferência.

Portanto, não é correto afirmar que 14% do eleitorado está sem candidato definido. O dado mostra que 14% não indicaram espontaneamente uma candidatura; somente 2% permaneceram indecisos quando as opções foram apresentadas.

Os dois percentuais não devem ser somados. Tampouco é possível identificar, apenas pelos resultados agregados, quantos eleitores mudaram individualmente de posição de uma semana para outra.

3. Como a indecisão pode alterar os números?

Eleitores sem escolha declarada

Os 2% de indecisos na pergunta estimulada podem declarar uma escolha até o dia da eleição, optar por não registrar um voto válido ou permanecer sem preferência definida. A pesquisa não determina antecipadamente qual desses comportamentos ocorrerá.

Eleitores que admitem mudar de candidato

A Quaest também mediu a firmeza da escolha. Cerca de 90% afirmaram ter intenção de voto definitiva, enquanto 10% admitiram a possibilidade de mudança, ante 9% na rodada anterior. Declarar que pode mudar não significa que a troca efetivamente acontecerá.

Esse indicador também não deve ser somado ao de indecisos, pois mede outra dimensão do comportamento eleitoral e pode envolver grupos que se sobrepõem.

Brancos, nulos e abstenção

Na pesquisa estimulada, 9% dos entrevistados declaram voto branco, nulo ou intenção de não comparecer. Essas respostas não equivalem à participação real observada no domingo.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, votos brancos e nulos não são votos válidos e não são transferidos a qualquer candidato.

4. O efeito matemático de mudanças pequenas

Em um exemplo apenas aritmético, se um ponto percentual de pessoas deixa de apoiar uma candidatura e passa a apoiar outra, a diferença entre os dois percentuais muda em dois pontos: uma candidatura perde um ponto e a outra ganha um.

Se esse mesmo ponto percentual passa da categoria de indecisos para um candidato, a distância entre as candidaturas varia em um ponto.

Esses cálculos ajudam a interpretar percentuais, mas não constituem previsão do resultado eleitoral. Também não incorporam alterações na participação, na composição dos votos válidos nem a incerteza amostral.

5. Rejeição: o que esse indicador revela e o que não revela

A rodada de 21 de outubro também divulgou respostas à pergunta sobre em quem os eleitores não votariam de maneira alguma:

Rejeição não se converte automaticamente em voto no adversário. A redução no percentual de rejeição também não constitui prova de transferência efetiva de votos. Intenção de voto, rejeição, indecisão e firmeza da escolha devem ser analisadas separadamente. Veja o detalhamento divulgado pelo Congresso em Foco.

6. Debates, redes sociais e circulação de informações

O levantamento foi realizado após o debate do segundo turno promovido pela Band em 18 de outubro, em um período de intensa cobertura jornalística e circulação de publicações digitais sobre as campanhas.

Debates, entrevistas, propostas, redes sociais e conversas entre eleitores compõem o ambiente informativo da campanha. Entretanto, a coincidência entre um acontecimento político e uma oscilação da pesquisa não comprova que um tenha causado o outro.

Seriam necessárias evidências complementares para medir o efeito específico de debates ou conteúdos digitais sobre a intenção de voto. Da mesma forma, visualizações e engajamento não se confundem com eleitores convencidos.

Leia também no Saúde no Ar: Eleições 2026: redes sociais, fake news, Meta e democracia.

7. O que significam os votos válidos na pesquisa?

Ao considerar apenas os 45% e os 44% de intenções de voto estimuladas e excluir as demais respostas, obtêm-se aproximadamente 50,56% e 49,44%, respectivamente. Trata-se de conversão dos valores arredondados divulgados, e não da apuração oficial.

O TSE explica que, na eleição presidencial, vence no segundo turno a candidatura que obtenha maioria absoluta dos votos válidos. Os votos brancos e nulos ficam fora desse cálculo. Saiba mais sobre o sistema majoritário.

8. Perguntas que ainda não têm resposta definitiva

Quantos dos 14% de indecisos espontâneos já possuem uma preferência? Os resultados divulgados não permitem identificar individualmente toda essa parcela.

Quantos dos que admitem mudar de voto realmente mudarão? Uma declaração de possibilidade não equivale a uma decisão futura observada.

Como se comportarão os que declaram voto branco, nulo ou intenção de não votar? A resposta final depende do comportamento no dia da eleição.

O crescimento da indecisão reflete mudança real ou variabilidade amostral? A interpretação exige considerar as margens de erro, inclusive as específicas de recortes populacionais, e outros dados de acompanhamento.

Qual será a distribuição oficial dos votos válidos? Somente a apuração eleitoral poderá estabelecê-la.

Conclusão editorial — O que os indecisos realmente significam para a eleição?

A pesquisa Quaest evidencia a importância de distinguir a preferência declarada sem apresentação de nomes, a escolha feita diante das alternativas e a firmeza dessa decisão.

O crescimento de 7% para 14% de indecisos na modalidade espontânea merece atenção jornalística. Entretanto, não permite afirmar que todo esse grupo esteja sem escolha às vésperas da votação.

Os 2% de indecisos estimulados, os 10% que admitem mudar de voto e os 9% que declaram voto branco, nulo ou intenção de não comparecer não compõem uma única parcela disponível de eleitores.

O conjunto dos dados reforça a necessidade de tratar levantamentos de intenção de voto como estimativas sobre um momento específico, e não como resultados antecipados.

Para o Saúde no Ar, a cobertura eleitoral requer transparência metodológica, distinção entre fatos e interpretações e atenção aos compromissos públicos que continuarão sob acompanhamento da sociedade após a eleição.

A questão vai além de como as intenções de voto variam até domingo: envolve também como as políticas públicas serão acompanhadas e fiscalizadas nos próximos anos.

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Perguntas frequentes

14% dos brasileiros estão realmente indecisos?

Esse número corresponde à pesquisa espontânea. Na estimulada, o percentual que permaneceu indeciso foi de 2%.

A Quaest aponta empate técnico?

Sim. A diferença observada entre 45% e 44% está dentro da margem de erro geral de dois pontos percentuais.

Os eleitores que podem mudar de voto são necessariamente indecisos?

Não. As perguntas medem coisas diferentes e os grupos podem se sobrepor.

Votos brancos ou nulos são destinados a algum candidato?

Não. Eles não integram os votos válidos e não são transferidos a qualquer candidatura.

Uma pesquisa consegue garantir o resultado da eleição?

Não. Pesquisas são estimativas amostrais feitas em um período específico e sujeitas a incertezas estatísticas e alterações posteriores do eleitorado.

Fontes

  1. Congresso em Foco, 21/10/2026 — Quaest: indecisos chegam a 14% e rejeição a Lula cai seis pontos.
  2. UOL, 21/10/2026 — resultados e metodologia da pesquisa Quaest.
  3. Folha de S.Paulo, 21/10/2026 — intenção de voto e firmeza da escolha.
  4. TSE — votos brancos e nulos.
  5. TSE — sistema eleitoral majoritário.

Pesquisa: Quaest, entrevistas de 17 a 20 de outubro de 2026, 2.154 participantes, nível de confiança de 95%, margem de erro geral de 2 pontos percentuais, registro no TSE BR-08535/2026.

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