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Quando as doenças crônicas se multiplicaram — e o que isso significa para todos nós

Em três décadas, o mundo mudou. A urbanização, a globalização dos alimentos ultraprocessados, o estilo de vida mais sedentário, o envelhecimento da população — todos esses fatores deixaram marcas claras no que mais importa: nossa saúde coletiva. Há doenças que avançaram com rapidez assustadora, e cabe a nós entender por que, e o que podemos fazer, hoje, para evitar que a próxima geração viva sob o peso de uma epidemia ainda maior.

1) Diabetes tipo 2 (T2D)

O que aconteceu. O número de pessoas com diabetes no mundo subiu de ~200 milhões (1990) para ~830 milhões (2022) (≈+315%). A prevalência padronizada para idade aumentou na maioria dos países, e as projeções indicam elevação adicional até 2050. Organização Mundial da Saúde+2The Lancet+2

Por que cresceu. Expansão da obesidade (adultos dobraram; crianças quadruplicaram), ambientes urbanos que favorecem sedentarismo e dietas ultraprocessadas, além de envelhecimento populacional. Dieta inadequada responde por cerca de um quarto dos óbitos/DALYs de T2D. PMC+3NCBI+3The Guardian+3

O que fazer.

 

2) Obesidade (motor de várias doenças)

O que aconteceu. A obesidade duplicou em adultos e quadruplicou em crianças entre 1990 e 2022; hoje ultrapassa 1 bilhão de pessoas. Projeções indicam que >50% dos adultos estarão com sobrepeso/obesidade até 2050 se nada mudar. The Guardian+1

Por que cresceu. Alimentos ultraprocessados mais baratos/onipresentes, ambientes urbanos “obesogênicos”, sedentarismo ocupacional e lazer digital; determinantes sociais. The Guardian

O que fazer.

 

3) Doença renal crônica (DRC)

O que aconteceu. A DRC aumentou em casos e carga (1990–2017), sobretudo por hipertensão e T2D, e hoje está entre as principais causas de morte/anos vividos com incapacidade. The Lancet+1

Por que cresceu. “Efeito cascata” do diabetes e da obesidade, envelhecimento, controle subótimo de PA e acesso desigual a prevenção/tratamento. The Lancet

O que fazer.

 

4) Osteoartrite (artrose)

O que aconteceu. Pessoas vivendo com artrose passaram de ~248 milhões (1990) para ~595 milhões (2020) (+>100%), com maior impacto em joelhos (obesidade e envelhecimento são os principais vetores). PubMed

Por que cresceu. Envelhecimento populacional, aumento do IMC e sobrecarga articular ao longo da vida. PubMed

O que fazer.

 

5) Apneia obstrutiva do sono (AOS)

O que aconteceu. Estimativas globais sugerem quase 1 bilhão de adultos (30–69 anos) com AOS — aumento expressivo em relação aos anos 1990, em paralelo ao ganho de peso. The Lancet+1

Por que cresceu. Obesidade, envelhecimento, melhor detecção (poligrafia domiciliar) e maior consciência clínica. The Lancet

O que fazer.

 

6) Demências (inclui Alzheimer) — crescimento absoluto

O que aconteceu. O número de pessoas com demência mais que dobrou desde 1990; mortes atribuídas aumentaram de 0,56 milhão (1990) para 1,62 milhão (2019). A prevalência explode com a idade, dobrando a cada ~5 anos até os 85+. The Lancet+1

Por que cresceu. Envelhecimento e crescimento populacional; contribuição de fatores de risco modificáveis (hipertensão, baixo nível educacional, perda auditiva, tabagismo, diabetes, depressão, isolamento social, inatividade, poluição). The Lancet

O que fazer.

7) Doença celíaca

O que aconteceu. Incidência em alta nas últimas décadas em países que passaram a rastrear melhor (sorologia + biópsia). A prevalência populacional segue próxima de 1% em muitos locais, mas com mais diagnósticos do que nos anos 1990. PubMed+1

Por que cresceu. Melhor triagem (incluindo casos não clássicos), maior disponibilidade de testes e possível verdadeiro aumento em alguns contextos. PubMed

O que fazer.

 

8) Esteatose hepática metabólica (MAFLD/NAFLD)

O que aconteceu. A esteatose associada à síndrome metabólica tornou-se a principal hepatopatia crônica global, com prevalência estimada >30% em adultos e tendência de alta desde 1990, acompanhando a obesidade/T2D. Lippincott+1

Por que cresceu. Obesidade, resistência à insulina, dietas hipercalóricas ultraprocessadas e sedentarismo. Lippincott

O que fazer.

 

Por que estamos diante de uma “tempestade de doenças crônicas

  1. Transições demográficas (mais pessoas, mais idosas) → crescimento absoluto de doenças crônicas (demências, artrose). The Lancet+1
  2. Ambientes alimentares e urbanos que favorecem excesso calórico e inatividade → obesidade, T2D, MAFLD, AOS, DRC. The Guardian+1
  3. Melhor detecção/triagem → mais diagnósticos de condições sub-reconhecidas (AOS, celíaca). The Lancet+1
  1. Desigualdades persistentes: Países de média e baixa renda estão sendo atingidos mais forte; as políticas públicas variam, e o acesso ao tratamento ainda é desigual.

 

Ação urgente — para hoje, para amanhã e para o futuro

Curto prazo (1-2 anos)

 

Não se trata apenas de estatísticas — são vidas, famílias, gerações. Cada um de nós está inserido nessa paisagem de mudança. Alimentar-se bem, movimentar-se, buscar o cuidado preventivo não são escolhas isoladas: são parte de uma resposta coletiva. E, ao olhar para os próximos anos, podemos escolher ser parte da solução — mais do que meros espectadores de uma epidemia.

 

Referências-chave (seleção citada)

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