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Por que crises de rinite e alergias respiratórias aumentam na primavera?

Mudanças climáticas da estação, proliferação de ácaros e dispersão de pólen exigem cuidados com o ambiente e a saúde nasal

A chegada da primavera costuma vir acompanhada de um aumento nas queixas de alergias respiratórias. Espirros frequentes, coceira intensa no nariz e nos olhos, secreção fluida e sensação de entupimento nasal passam a fazer parte da rotina de milhares de pessoas. O período de transição entre estações é marcado por oscilações térmicas e variações na umidade do ar, fatores que afetam diretamente o equilíbrio das vias aéreas e favorecem o surgimento de crises. 

Embora o florescimento das plantas e a consequente dispersão de pólen sejam associados à estação, esse fator varia de acordo com a região do país. Na Região Sul, onde a presença de gramíneas e árvores com polinização pelo ar é mais acentuada, a alergia ao pólen (polinose) tem papel relevante. Contudo, nas demais regiões brasileiras, como Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste, o agravamento dos quadros alérgicos durante a primavera decorre principalmente da maior proliferação de alérgenos de ambientes fechados, como ácaros e fungos. Além disso, poluição atmosférica e fumaça também atuam como gatilhos para a inflamação da mucosa nasal. 

“Na primavera, a combinação de fatores ambientais e mudanças de temperatura pode sobrecarregar o sistema respiratório de pessoas com predisposição alérgica. Contudo, nem toda crise é provocada por plantas ou flores. A exposição a ácaros no ambiente doméstico, o acúmulo de poeira e a poluição urbana desempenham papéis decisivos. Como o clima e o perfil de vegetação variam entre as regiões brasileiras, a resposta do organismo e os agentes desencadeantes também mudam conforme a sensibilidade de cada paciente”, explica Dr. Gustavo Marcelo, supervisor da medicina do trabalho do Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” (CEJAM). 

Os sintomas da rinite alérgica são frequentemente confundidos com os de um resfriado comum, o que atrasa o cuidado adequado. A diferença principal é que o resfriado é uma infecção viral que costuma vir acompanhada de febre baixa, dores no corpo e melhora em poucos dias. Já a rinite alérgica cursa sem febre e os sintomas persistem enquanto houver contato com os alérgenos. Quando não controlados, esses episódios afetam a qualidade do sono, causam cansaço diurno e reduzem a concentração e o rendimento nas tarefas cotidianas, podendo complicar com infecções bacterianas como otites, sinusites e amigdalites/faringites. 

A redução da exposição aos agentes desencadeantes exige cuidados práticos no dia a dia. A limpeza da casa deve ser feita preferencialmente com pano úmido, evitando o uso de vassouras ou espanadores que suspendem a poeira no ar. A lavagem regular de roupas de cama e a ventilação diária dos cômodos ajudam a conter o acúmulo de ácaros e mofo. O uso de umidificadores ou de ar-condicionado deve ser avaliado conforme o contexto: em dias muito secos, o umidificador auxilia na hidratação do ar, mas seu uso em excesso pode favorecer fungos; já o ar-condicionado requer manutenção constante e limpeza dos filtros.       

“Medidas simples de higiene ambiental e a lavagem nasal diária com solução fisiológica funcionam como uma primeira barreira física, ajudando a remover os alérgenos da mucosa antes que progridam para um quadro inflamatório mais intenso. No entanto, essas práticas de autocuidado devem ser adaptadas à rotina e ao ambiente em que a pessoa vive”, ressalta. 

Diante de crises frequentes ou prejuízos na qualidade de vida, a orientação é buscar atendimento médico. O uso de medicamentos por conta própria é contra-indicado, especialmente a utilização prolongada de descongestionantes nasais tópicos, que pode causar efeito rebote e agravamento do entupimento nasal. 

“Sintomas recorrentes de rinite não devem ser encarados como um desconforto normal da estação. Quando o quadro prejudica o sono ou as atividades diárias, é fundamental procurar a Unidade Básica de Saúde para uma avaliação médica adequada. O acompanhamento profissional permite controlar a inflamação nasal e prevenir as complicações”, conclui o especialista.

Sobre o CEJAM       

O CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” é uma entidade filantrópica e sem fins lucrativos. Fundada em 1991, a Instituição atua em parceria com o poder público no gerenciamento de serviços e programas de saúde em São Paulo, Rio de Janeiro, Mogi das Cruzes, Osasco, Campinas, Carapicuíba, Barueri, Franco da Rocha, Guarulhos, Santos, São Roque, Lins, Assis, Ferraz de Vasconcelos, Pariquera-Açu, Itapevi, Peruíbe e São José dos Campos.   

 

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