Redação | Saúde no Ar
26 de junho de 2025
📈 Crescimento explosivo da riqueza privada
O mais recente relatório da Oxfam International, intitulado “From Private Profit to Public Power: Financing Development, Not Oligarchy”, apresenta dados preocupantes:
- O 1% mais rico acumulou US$ 33,9 trilhões desde 2015, valor suficiente para eliminar a pobreza global 22 vezes com base no limite de US$ 8,30/dia do Banco Mundial
- Nesse grupo, apenas 3.000 bilionários ampliaram sua fortuna em US$ 6,5 trilhões, correspondendo a 14,6% do PIB mundial
🌍 Impactos sobre o modelo de desenvolvimento
O relatório critica o avanço do chamado “Wall Street Consensus”, que promove o investimento privado em áreas como saúde, educação e infraestrutura — setores públicos essenciais. A Oxfam alerta que tal prática diminuiu os investimentos estatais, financiando o modelo de desenvolvimento voltado ao lucro em detrimento do bem-estar coletivo
Além disso:
- As doações oficiais ao desenvolvimento (ajuda externa) devem cair 28% até 2026, especialmente por parte dos países do G7
- Muitos países de renda baixa estão mais endividados com credores privados do que capazes de investir em saúde ou educação
- A pesquisa revela apoio global: 9 em cada 10 pessoas desejam que os super-ricos paguem mais impostos para financiar serviços públicos e ações contra o clima
💡 Propostas da Oxfam para reverter o quadro
- Taxação dos ultrarricoss: apoio à proposta de Gabriel Zucman para tributar 2% sobre a riqueza dos 3.000 bilionários, gerando até US$ 250 bilhões por ano
- Prioridade ao setor público: investir em saúde, educação, assistência social e saneamento, reduzindo monopólios privados e fortalecendo o estado.
- Reforma da dívida e ajuda global: renegociar dívidas de países vulneráveis e reverter os cortes na ajuda externa, especialmente dos países ricos.
- Cooperação internacional: combate aos paraísos fiscais e acordo global para aplicação de impostos progressivos
🧭 Reflexos para o futuro
A concentração extrema da riqueza e do poder econômico gera um desalinhamento entre os interesses do público e do privado, comprometendo a capacidade dos governos de cumprir compromissos com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Isso pode resultar em:
- Retrocessos no acesso à saúde, redução da mortalidade infantil e segurança alimentar.
- Aumento da injustiça social, afetando principalmente mulheres, pessoas negras e populações vulneráveis
- Intensificação das crises climáticas, pois as políticas responsáveis dependem de financiamento público robusto.
🕊️ Conclusão: repensar o modelo de desenvolvimento
O relatório da Oxfam deixa claro que o atual modelo global está “desviado” — favorece a concentração de riqueza em vez do bem coletivo. Para alcançar um desenvolvimento sustentável e inclusivo, é necessário:
- Reconstruir o financiamento público, fortalecendo o papel do Estado.
- Tributar com justiça, garantindo que os ultrarricoss contribuam proporcionalmente.
- Combatendo a desigualdade como prioridade ética e econômica.
É hora de decidir: vamos continuar nutrindo a concentração de poder e riqueza — ou apostar em uma sociedade que valoriza a justiça, equidade e os bens públicos essenciais?
Seguimos com o propósito de colaborar para construir uma sociedade saudável, próspera e sustentável para todos, pois afinal estamos todos interligados e evoluindo.

