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Exercícios físicos serão receitados para a saúde cerebral e mental

Estudos científicos reforçam que a atividade física pode reduzir sintomas de ansiedade e depressão, melhorar a memória e contribuir para o bem-estar emocional em diferentes fases da vida.

A prática regular de exercícios físicos vai muito além do fortalecimento dos músculos e da prevenção de doenças cardiovasculares. Pesquisas científicas demonstram que movimentar o corpo também traz benefícios importantes para o cérebro e para a saúde mental, ajudando a reduzir sintomas de depressão e ansiedade e contribuindo para a preservação das funções cognitivas.

Uma reportagem publicada pela Agência Brasil nesta terça-feira (3) destaca a defesa de pesquisadores canadenses de que os exercícios físicos devem receber maior atenção dos profissionais de saúde, sendo recomendados de maneira individualizada, com orientação, metas e acompanhamento, como parte das estratégias de proteção da saúde cerebral.

O tema ganhou destaque em um artigo publicado na revista científica Brain Health, assinado por pesquisadores das universidades de Ottawa e Toronto, no Canadá.

COMO OS EXERCÍCIOS BENEFICIAM A SAÚDE MENTAL?

A prática regular de atividades físicas está associada à redução de sintomas depressivos e de ansiedade, além de contribuir para a qualidade do sono e para a sensação de bem-estar.

Os exercícios também podem ajudar a aliviar o estresse e melhorar a disposição para as atividades cotidianas.

Esses efeitos estão relacionados a diferentes mecanismos biológicos e psicológicos, incluindo alterações na atividade cerebral, na regulação do estresse e nos processos envolvidos no humor e nas emoções.

A atividade física também pode proporcionar oportunidades de convivência social, especialmente quando realizada em grupo, favorecendo o contato com outras pessoas e ajudando a reduzir o isolamento.

É importante ressaltar que os resultados variam de pessoa para pessoa. A atividade física pode contribuir para a saúde mental, mas não elimina todas as causas do sofrimento psicológico.

EXERCÍCIOS PODEM AJUDAR NO TRATAMENTO DA DEPRESSÃO?

Sim. Estudos científicos indicam que diferentes modalidades de exercícios podem reduzir os sintomas da depressão.

Uma análise de ensaios clínicos publicada em 2024, citada pela Agência Brasil, identificou benefícios associados a atividades como caminhada, corrida, ioga e treinamento de força.

Uma revisão científica publicada em 2026 na revista Nature Medicine também reuniu evidências de que a atividade física pode ajudar tanto na prevenção quanto na redução dos sintomas depressivos.

Os resultados reforçam o potencial dos exercícios como parte das estratégias de cuidado em saúde mental.

Entretanto, é necessário fazer uma distinção: ajudar a aliviar os sintomas não significa que a atividade física seja suficiente para tratar todos os casos de depressão.

Pessoas com depressão podem precisar de psicoterapia, medicamentos ou outras intervenções indicadas por profissionais de saúde. O exercício pode complementar esses tratamentos, de acordo com as necessidades de cada paciente.

ANSIEDADE E ESTRESSE: O MOVIMENTO TAMBÉM PODE AJUDAR

A ansiedade pode provocar preocupação excessiva, tensão, inquietação, alterações do sono e dificuldade de concentração.

A prática regular de atividades físicas pode contribuir para reduzir esses sintomas e melhorar o bem-estar.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) também reconhece o papel dos exercícios estruturados no cuidado de adultos com transtorno de ansiedade generalizada e transtorno do pânico, embora ressalte que as evidências específicas para essa recomendação ainda apresentam limitações.

Isso significa que a atividade física pode ser uma aliada importante, mas a intensidade dos sintomas e as necessidades de cada pessoa devem ser consideradas.

Quando a ansiedade é persistente, interfere na rotina ou provoca sofrimento significativo, é recomendável procurar avaliação profissional.

EXERCÍCIOS TAMBÉM AJUDAM A PRESERVAR A MEMÓRIA

Os benefícios da atividade física não se limitam ao humor.

A prática regular também está associada à melhora da saúde cognitiva, que envolve funções como memória, atenção, aprendizagem e capacidade de raciocínio.

A Agência Brasil destaca um ensaio clínico publicado em 2011, realizado com adultos mais velhos, no qual o exercício aeróbico foi associado ao aumento do volume do hipocampo anterior, uma região cerebral importante para a memória.

O resultado é relevante porque o hipocampo participa de processos relacionados à formação e à consolidação de lembranças.

Além disso, a atividade física contribui para a saúde vascular e metabólica, fatores importantes para o funcionamento adequado do cérebro.

Embora esses achados sejam promissores, não significam que os exercícios garantam a prevenção do Alzheimer ou de outras formas de demência. A saúde cerebral depende de diversos fatores, e os benefícios devem ser compreendidos dentro desse contexto.

QUAL É A QUANTIDADE DE EXERCÍCIOS RECOMENDADA?

Segundo as recomendações da Organização Mundial da Saúde, adultos devem praticar, por semana:

Essas são recomendações gerais para a saúde. A quantidade ideal para cada pessoa depende da idade, das condições físicas, das doenças existentes e dos objetivos do programa de atividade física.

Quem está começando não precisa atingir essas metas imediatamente. A OMS ressalta que fazer alguma atividade física é melhor do que permanecer completamente inativo.

Uma caminhada curta, por exemplo, pode ser um primeiro passo para quem está há muito tempo sem se exercitar.

O importante é começar de maneira compatível com a própria condição física e aumentar a atividade gradualmente.

QUAL É O MELHOR EXERCÍCIO PARA A SAÚDE MENTAL?

Não existe uma única modalidade ideal para todas as pessoas.

Entre as atividades que podem contribuir para a saúde física e mental estão:

Caminhada: é acessível para muitas pessoas e pode ser incorporada à rotina diária.

Corrida: quando adequada à condição física, é uma opção de atividade aeróbica que pode contribuir para o condicionamento e o bem-estar.

Dança: combina movimento, música e, frequentemente, interação social.

Musculação e outros exercícios de força: ajudam a desenvolver e preservar a força muscular e podem contribuir para a redução de sintomas depressivos.

Ioga e tai chi chuan: combinam movimentos, equilíbrio, concentração e técnicas de respiração, podendo favorecer o bem-estar.

A escolha deve considerar as preferências pessoais, as limitações físicas, a segurança e a possibilidade de manter a prática regularmente.

Uma atividade agradável e adequada às condições individuais pode facilitar a criação de um hábito duradouro.

QUANDO A DEPRESSÃO DIFICULTA ATÉ MESMO O MOVIMENTO

Um dos pontos importantes destacados pelos pesquisadores ouvidos pela Agência Brasil é que a própria depressão pode reduzir a energia, a motivação e a disposição para realizar tarefas simples.

Por isso, recomendar exercícios sem considerar as dificuldades enfrentadas pelo paciente pode não ser suficiente.

Em algumas situações, o primeiro passo pode ser uma caminhada de cinco minutos, alguns movimentos realizados sentado ou uma atividade cotidiana compatível com as condições da pessoa.

A duração e a intensidade podem ser aumentadas progressivamente, conforme a tolerância e a orientação profissional.

O objetivo inicial não deve ser alcançar um desempenho elevado, mas encontrar uma forma possível e segura de começar.

Quem enfrenta depressão não deve ser culpabilizado pela dificuldade de se exercitar. O apoio de familiares, profissionais de saúde e pessoas próximas pode ser importante para facilitar o início e a continuidade da atividade física.

CUIDADOS ANTES DE COMEÇAR

Embora os exercícios ofereçam benefícios importantes, algumas precauções são necessárias.

Pessoas sedentárias, com doenças crônicas, limitações de mobilidade ou problemas cardiovasculares devem avaliar com um profissional de saúde qual atividade é mais adequada.

A intensidade deve respeitar a condição física de cada indivíduo. Dor no peito, falta de ar intensa ou desproporcional ao esforço, tontura importante ou desmaio durante a atividade exigem interrupção do exercício e avaliação médica.

Também é fundamental compreender que a atividade física não substitui automaticamente medicamentos, psicoterapia ou acompanhamento psiquiátrico quando esses tratamentos são necessários.

Quem já realiza tratamento para depressão ou ansiedade deve conversar com o profissional responsável antes de modificar qualquer conduta terapêutica.

CONCLUSÃO

As evidências científicas reforçam que a atividade física é uma importante aliada da saúde mental e cerebral.

Além de contribuir para a prevenção e a redução de sintomas depressivos, os exercícios podem ajudar no controle da ansiedade, melhorar o sono e favorecer funções cognitivas como a memória.

A mensagem principal é que o movimento deve fazer parte das estratégias de promoção da saúde ao longo da vida, respeitando as condições e as necessidades de cada pessoa.

Não é necessário começar com grandes esforços. Para quem está sedentário, pequenos passos podem representar o início de uma mudança importante.

Cuidar do corpo também é uma forma de cuidar da mente. E, quando o assunto é saúde mental, buscar ajuda profissional continua sendo fundamental sempre que houver sofrimento persistente ou sintomas que prejudiquem a vida cotidiana.

FONTES DE PESQUISA

  1. Agência Brasil — Exercício físico deve passar a ser receitado para a saúde cerebral. Publicada em 3 de novembro de 2026.
    Leia a reportagem da Agência Brasil
  2. Organização Mundial da Saúde (OMS) — Physical activity. Informações sobre os benefícios da atividade física para a saúde física, mental e cognitiva, além das recomendações semanais de exercícios.
    Consulte as recomendações da OMS
  3. Nature Medicine — Physical activity for public health in the 21st century. Revisão científica que aborda as evidências sobre atividade física e saúde mental, incluindo a prevenção e a redução dos sintomas depressivos.
    Consulte a revisão científica
  4. American College of Sports Medicine (ACSM) — How to Prescribe Exercise for Brain Health. Publicação sobre os princípios para a recomendação de exercícios voltados à saúde cerebral.
    Consulte a publicação sobre exercícios e saúde cerebral
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