Na manhã da segunda-feira (20 de outubro de 2025), um episódio de violência escolar foi registrado no Centro de Ensino Médio 04 do Guará I, no Guará I, Distrito Federal.
Segundo relatos e boletim de ocorrência da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), o pai de uma aluna, de 41 anos, invadiu uma sala de coordenação da escola, sem autorização, e agrediu fisicamente o professor, de 53 anos, com socos e chutes.
O motivo apontado pelas investigações é uma repreensão dada pelo docente à aluna por uso indevido de celular durante a aula.
Câmeras de segurança registraram o momento da agressão — o professor teria sido agarrado pela camisa, os óculos quebrados e ainda sofreu lesões faciais.
Surpreendentemente, a própria aluna apareceu nas imagens contido o pai, aplicando um golpe estilo “mata-leão” para impedir que ele continuasse a agressão.
Após a intervenção da PM, o agressor foi preso em flagrante, conduzido à Delegacia de Polícia Civil do Guará e liberado após depoimento.
A legislação local e regulamentos, da escola proíbem o uso de celulares em sala, salvo em casos pedagógicos, de acessibilidade ou força maior. A Lei Nº 15.100/2025 do Distrito Federal, sancionada em 13 de janeiro de 2025, determina que aparelhos eletrônicos portáteis pessoais sejam utilizados apenas para fins estritamente educativos ou em casos excepcionais.
Reações e medidas tomadas
A escola, por meio da Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF), afirmou que repudia “qualquer forma de violência no ambiente escolar” e que o caso será encaminhado à sua Corregedoria para apuração das responsabilidades.
Além disso, o Batalhão Escolar da PMDF foi mobilizado para reforçar a segurança da escola nos próximos dias, principalmente nas entradas, saídas e locais de circulação de estudantes.
Por que esse caso importa
- Quebra de tutela educativa: escolas são espaços voltados para o ensino, socialização e desenvolvimento — agressões físicas e invasões por responsáveis comprometem esse ambiente.
- Ambiguidade e tensão entre disciplina e inclusão: o conflito envolve uso de celular, uma aluna alegando necessidade por deficiência visual e o docente aplicando uma regra. Esse conjunto espelha desafios maiores no sistema educacional.
- Impacto na comunidade escolar: alunos e professores ficam vulneráveis, clima de insegurança se instala e pode afetar o desempenho e o convívio.
- Demanda por políticas de prevenção: o episódio reforça a necessidade de protocolos claros para lidar com familiares, violência e mediação de conflitos no âmbito escolar.
O que está por vir
- A investigação da SEEDF e da Corregedoria definirá se o professor, a aluna ou o pai poderão responder por condutas administrativas ou criminais.
- O professor manifestou intenção de acionar judicialmente o pai da aluna por lesão corporal.
- A escola deverá revisar seus protocolos de segurança, acolhimento e comunicação com familiares, bem como reforçar formação de professores para gestão de conflitos.
- Há risco de precedentes: se não houver resposta institucional eficaz, episódios semelhantes podem se repetir — agravando a cultura de intolerância e agressão no ambiente escolar.
Citação oficial
“A SEEDF repudia qualquer forma de violência no ambiente escolar e reafirma seu compromisso com a promoção de um espaço educativo seguro, acolhedor e pautado na cultura de paz.” — Nota da Secretaria de Educação do DF.
Conclusão
O episódio desta semana no Guará I traz à luz uma interseção complexa entre disciplina escolar, responsabilidade parental, inclusão educacional e segurança no ambiente de ensino. Não se trata apenas de mais uma agressão pontual, mas de um sinal de alerta para a necessidade de ações estruturadas — em escolas, em políticas públicas e na cultura de respeito mútuo.
Fonte: Carta Capital

