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Feriadão eleitoral: as ruas voltam ao centro da disputa enquanto as redes sociais ampliam a batalha pelo segundo turno

Especial Eleições 2026 | Saúde no Ar
Tempo estimado de leitura: 10 minutos

Atos públicos, mobilização de jovens, reuniões políticas, WhatsApp, Instagram, vídeos virais e uma crescente guerra contra a desinformação marcaram o feriado prolongado. O balanço mostra estratégias distintas: de um lado, maior ocupação das ruas pelo campo lulista; do outro, a campanha de Flávio Bolsonaro preserva forte capacidade de alcance digital e intensifica a articulação política. A disputa, porém, permanece aberta — e números de redes sociais não devem ser confundidos com intenção de voto.

O segundo turno da eleição presidencial entrou numa nova etapa neste feriadão de 10 a 12 de outubro.

Depois de uma primeira votação em que Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva avançaram para a etapa decisiva, os dois passaram a disputar não apenas os eleitores dos candidatos eliminados, mas também milhões de brasileiros que não compareceram às urnas no primeiro turno.

O feriado de Nossa Senhora Aparecida serviu, portanto, como um primeiro grande teste de capacidade de mobilização. E produziu uma fotografia interessante da campanha.

Nas ruas, houve uma mobilização mais visível do campo de apoio a Lula, com grandes manifestações em São Paulo, Rio de Janeiro e atos em outras cidades. Nas redes sociais, porém, o cenário foi mais equilibrado e até contraditório dependendo da métrica analisada: Lula avançou em engajamento em determinados recortes, enquanto Flávio Bolsonaro preservou forte desempenho em visualizações e crescimento digital.

O que o feriadão revelou é que a eleição deixou definitivamente de acontecer apenas na televisão. Hoje ela ocorre simultaneamente na rua, no celular, nos grupos de WhatsApp, nos vídeos curtos, nos tribunais e até nos espaços religiosos.

O que importa em 30 segundos

A Avenida Paulista voltou a ser palco político

O principal acontecimento de rua do feriadão ocorreu em São Paulo. A Avenida Paulista recebeu uma manifestação de apoio à reeleição de Lula, com presença do presidente, aliados, parlamentares e movimentos sociais.

Uma característica chamou especialmente a atenção: a presença de jovens e organizações estudantis na mobilização.

Há, entretanto, um cuidado necessário quando se fala em tamanho de manifestação. O Saúde no Ar não adota números de público divulgados por campanhas como se fossem estimativas independentes. O que se pode afirmar com segurança é que houve ocupação ampla da avenida e uma manifestação de grande porte.

Uma mobilização que ultrapassou São Paulo

A Paulista não foi um fenômeno isolado. Houve atos de apoio a Lula em outras cidades e, no Rio de Janeiro, apoiadores também ocuparam trechos de Copacabana.

A sequência de manifestações teve um objetivo político evidente: transformar mobilização presencial em energia para o segundo turno. Mas existe uma pergunta que continuará até a votação: multidão na rua consegue converter mobilização em votos fora da própria base?

A história eleitoral mostra que essa conversão não é automática.

Flávio Bolsonaro adotou estratégia diferente no feriadão

Enquanto o campo lulista priorizou manifestações abertas, Flávio Bolsonaro seguiu parte do feriadão com uma agenda de articulação política, reunindo-se com prefeitos, vereadores e aliados.

A estratégia foi menos voltada à demonstração imediata de força nas ruas e mais direcionada à mobilização das estruturas políticas locais.

Prefeitos, vereadores e lideranças municipais possuem importância eleitoral porque operam justamente onde uma eleição é definida: cidades, bairros e comunidades.

A campanha de Flávio também manteve forte mobilização digital e sinalizou novas ações presenciais, indicando que a disputa das ruas ainda deverá ganhar outros capítulos antes do segundo turno.

Nas redes, não existe um único vencedor estatístico

As redes sociais contam uma história mais complexa. Alguns levantamentos recentes apontaram Lula à frente em determinados indicadores de popularidade e engajamento digital durante o feriadão, enquanto Flávio Bolsonaro permaneceu muito competitivo em alcance audiovisual e visualizações.

Ou seja: Lula avançou em determinadas métricas de engajamento, mas Flávio continuou demonstrando grande capacidade de alcance.

Isso ajuda a explicar por que manchetes aparentemente contraditórias podem estar corretas ao mesmo tempo.

Antes do feriado, Flávio havia crescido fortemente em seguidores

Levantamentos realizados logo após o primeiro turno também registraram crescimento expressivo de Flávio Bolsonaro em número de seguidores, enquanto Lula acelerou a mobilização digital em dias posteriores.

Isso revela uma característica decisiva das campanhas modernas: o ambiente muda em horas. Um vídeo, uma declaração, um evento ou uma controvérsia pode alterar radicalmente o volume de interações.

E o que os próprios eleitores percebem?

Há ainda outra métrica: percepção. Pesquisas sobre desempenho de campanha nas redes mostraram uma disputa intensa e percepções diferentes entre os eleitores, especialmente no WhatsApp.

É fundamental compreender que esse tipo de dado mede percepção, não necessariamente alcance técnico real ou intenção de voto.

Temos, portanto, três coisas diferentes: crescimento de seguidores, engajamento real e percepção pública. Misturar essas três medidas produz conclusões erradas.

WhatsApp virou uma espécie de praça pública invisível

Se a Paulista é uma grande praça física da política brasileira, o WhatsApp pode ser considerado uma de suas maiores praças invisíveis.

É ali que milhões de mensagens circulam entre famílias, amigos, igrejas, categorias profissionais e comunidades.

Durante essa eleição, os dois campos montaram estruturas de mobilização e grupos organizados de distribuição de conteúdo. A capacidade de propagação nesses ambientes preocupa especialmente porque mensagens podem chegar ao eleitor fora do ambiente público das redes abertas.

A campanha também está acontecendo dentro do TSE

As duas campanhas intensificaram ações judiciais relacionadas a conteúdos digitais.

O segundo turno passou a incluir pedidos de retirada de vídeos, questionamentos sobre impulsionamento, denúncias de conteúdos falsos e disputas sobre canais de WhatsApp.

O episódio mostra como comunicação política, liberdade de expressão e combate à desinformação passaram a se encontrar diariamente dentro da Justiça Eleitoral.

Um vídeo falso mostrou o tamanho do problema

Outro episódio do feriadão serviu como alerta para a velocidade da desinformação. Um vídeo foi associado a uma manifestação política recente, embora tivesse origem em outro contexto.

O caso evidencia um risco que independe de preferência partidária: hoje uma imagem falsa pode atravessar milhões de celulares antes que sua origem seja verificada. E, quando a correção chega, muitas pessoas já formaram uma opinião.

Também houve problemas nas ruas

As mobilizações presenciais também registraram controvérsias e ocorrências durante dispersões.

Esse tipo de episódio precisa ser tratado com responsabilidade. Atos isolados não devem automaticamente ser atribuídos a todos os participantes de uma manifestação. Mas vandalismo também não deve ser relativizado por afinidade política.

Democracia pressupõe liberdade de manifestação e respeito ao patrimônio público e privado. Esse princípio vale para qualquer candidato e qualquer grupo político.

Nossa Senhora Aparecida também entrou no segundo turno

O fato de o feriado nacional ser dedicado a Nossa Senhora Aparecida adicionou outra dimensão à disputa.

Referências religiosas apareceram nas duas campanhas. A religião faz parte da identidade de milhões de brasileiros, e candidatos possuem o mesmo direito à liberdade religiosa que qualquer cidadão.

Existe, entretanto, uma fronteira importante. A fé pode orientar valores políticos individuais. Mas uma democracia plural exige que nenhum eleitor seja pressionado a acreditar que sua opção eleitoral determina sua fidelidade religiosa.

O Brasil é constitucionalmente um Estado laico justamente para garantir liberdade a católicos, evangélicos, espíritas, religiões de matriz africana, judeus, muçulmanos, ateus e todas as demais convicções.

O verdadeiro prêmio da campanha: os eleitores que ficaram em casa

Existe uma multidão ainda maior do que qualquer manifestação: os brasileiros que não votaram no primeiro turno.

Esse contingente pode ser decisivo. Por isso, as duas campanhas falam tanto em mobilização. Não basta convencer quem já votou. Será necessário também trazer parte dos ausentes novamente para o processo eleitoral.

Esse talvez seja um dos maiores significados políticos das manifestações observadas neste feriadão.

Ruas cheias não são pesquisa eleitoral

Um cuidado jornalístico precisa ser enfatizado:

Rua cheia não é pesquisa eleitoral. Curtida não é voto. Seguidor não é voto. Visualização não é voto. Hashtag não é voto.

As grandes manifestações podem revelar entusiasmo e capacidade de mobilização. As redes podem indicar alcance e velocidade de circulação de uma mensagem. Mas o voto é secreto e somente será conhecido nas urnas.

Por isso, qualquer interpretação responsável precisa separar mobilização popular, métricas digitais, pesquisas eleitorais e resultado eleitoral. São quatro fenômenos relacionados, mas diferentes.

Balanço Saúde no Ar: o que o feriadão realmente mostrou

O primeiro grande feriado do segundo turno produziu uma mudança perceptível no ambiente eleitoral.

O campo lulista demonstrou capacidade relevante de voltar às ruas, sobretudo com participação de jovens e movimentos sociais.

O campo ligado a Flávio Bolsonaro mostrou uma estratégia mais concentrada, naquele momento, em articulação política territorial e manutenção de sua estrutura digital.

Na internet, nenhum dos dois possui domínio absoluto. Lula cresceu fortemente em determinados indicadores durante o feriadão. Flávio continua apresentando números expressivos de alcance e visualizações.

Essa combinação aponta para uma campanha disputada simultaneamente em duas geografias. Uma é física: avenidas, bairros, municípios, igrejas, sindicatos e praças. A outra cabe na palma da mão: Instagram, TikTok, YouTube, WhatsApp e outras plataformas.

E existe ainda uma terceira arena: a Justiça Eleitoral, chamada cada vez mais a decidir onde termina a propaganda legítima e onde começa a manipulação.

Editorial Saúde no Ar | Democracia precisa de participação, mas também de responsabilidade

O retorno das pessoas às ruas é um sinal importante de participação cívica.

Uma democracia viva não existe apenas no domingo da votação. Ela acontece quando cidadãos discutem, questionam, fiscalizam, manifestam-se e confrontam ideias.

Mas participação não deve significar transformar adversários em inimigos.

A polarização brasileira já mostrou que existe uma fronteira perigosa entre divergência e desumanização. Essa fronteira torna-se ainda mais sensível quando algoritmos recompensam conteúdos que provocam raiva, medo e indignação.

Nos próximos dias, brasileiros serão submetidos a uma avalanche de vídeos, mensagens, acusações e narrativas.

O desafio do eleitor talvez seja justamente fazer algo que as redes sociais não estimulam: parar, comparar, verificar e pensar.

O segundo turno precisa ser uma disputa entre projetos de país. Não uma competição entre quem produz a mentira mais viral.

No dia da eleição, nenhum compartilhamento substituirá a urna. E é nela que cada cidadão, de maneira livre e secreta, terá novamente a responsabilidade de decidir qual projeto considera melhor para o Brasil.

Perguntas frequentes

Quem disputa o segundo turno presidencial?
Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva.

Quando será o segundo turno?
25 de outubro de 2026.

Quem teve maior mobilização nas ruas neste feriado?
Os registros disponíveis mostram maior visibilidade das manifestações pró-Lula neste recorte específico. Isso não permite concluir qual candidato possui mais votos.

Quem está melhor nas redes sociais?
Depende da métrica e do período. Levantamentos recentes mostram vantagens diferentes em engajamento, alcance, visualizações e crescimento de seguidores.

Engajamento digital prevê o resultado da eleição?
Não. Redes sociais ajudam a medir mobilização e alcance, mas não constituem uma amostra representativa do eleitorado.

Fontes e referências

Dados e informações desta matéria foram consolidados a partir de cobertura jornalística nacional, levantamentos de monitoramento digital, dados eleitorais oficiais e decisões da Justiça Eleitoral disponíveis durante o período analisado.

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