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Dia Mundial da Pessoa idosa – A capacidade funcional

Especialista da SBGG-SP explica como prevenção, atividade física e acompanhamento de saúde ajudam a preservar autonomia e qualidade de vida ao longo do envelhecimento

 Envelhecer de forma saudável não significa apenas chegar a idades mais avançadas ou manter doenças crônicas sob controle. Para a geriatria e a gerontologia, um dos principais indicadores de saúde na velhice é a capacidade funcional, ou seja, a possibilidade de realizar atividades do cotidiano com autonomia e participar da vida social de acordo com as próprias escolhas.

No Dia Mundial da Pessoa Idosa, celebrado em 1º de outubro, o tema ganha relevância em um cenário de aumento da longevidade. A discussão também está alinhada à Década do Envelhecimento Saudável 2021–2030, iniciativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) que busca melhorar a qualidade de vida das pessoas idosas, suas famílias e comunidades.

“Envelhecimento saudável não significa envelhecer sem nenhuma doença. Significa preservar, pelo maior tempo possível, a capacidade de realizar aquilo que é importante para cada pessoa. Uma doença pode estar controlada, mas, se ela compromete a mobilidade, a autonomia ou a participação social, também precisamos olhar para esse impacto”, explica Fabio Leonel, Presidente da  Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia de São Paulo (SBGG-SP).

A perda funcional nem sempre acontece de maneira repentina. Dificuldades para subir escadas, caminhar distâncias maiores, levantar-se de uma cadeira, preparar as próprias refeições ou realizar tarefas que antes faziam parte da rotina podem ser sinais de que alguma função está sendo comprometida. Quedas recorrentes, redução da força muscular, perda de peso involuntária e isolamento social também merecem atenção.

Por isso, o especialista destaca a importância de identificar essas mudanças precocemente. “A perda de funcionalidade não deve ser encarada como algo inevitável da idade. Muitas vezes, existem fatores modificáveis que podem ser identificados e tratados antes que uma limitação se torne uma dependência”, afirma.

Entre as medidas que contribuem para um envelhecimento mais saudável estão a prática regular de atividade física, especialmente exercícios que trabalhem força, equilíbrio e resistência; alimentação adequada; sono de qualidade; vacinação; acompanhamento de doenças crônicas; estímulo à saúde cognitiva e manutenção dos vínculos sociais.

A atividade física merece atenção especial. A redução da massa e da força muscular, processo que pode se intensificar com o avanço da idade, está associada à maior dificuldade para realizar atividades cotidianas e ao risco de quedas. O estímulo adequado à musculatura, portanto, não está relacionado apenas à disposição ou à estética, mas à manutenção da independência.

Outro ponto importante é não esperar o aparecimento de uma limitação para buscar acompanhamento. Avaliações periódicas podem ajudar a identificar alterações de mobilidade, equilíbrio, força, cognição, nutrição, visão e audição, permitindo que estratégias de prevenção e tratamento sejam adotadas de maneira individualizada.

“Precisamos mudar a ideia de que cuidar da saúde na velhice é apenas tratar doenças. O cuidado também deve ter como objetivo preservar aquilo que permite à pessoa continuar vivendo a própria vida: caminhar, se relacionar, tomar decisões, sair de casa e realizar suas atividades com autonomia”, destaca o especialista.

Embora a capacidade funcional seja especialmente relevante na população idosa, sua preservação começa muito antes dos 60 anos. Hábitos mantidos ao longo da vida podem influenciar a reserva física e cognitiva e a forma como o organismo responde às mudanças relacionadas ao envelhecimento.

Nesse contexto, o Dia Mundial da Pessoa Idosa representa uma oportunidade para ampliar a discussão sobre prevenção e qualidade de vida. Mais do que acrescentar anos à vida, o desafio é criar condições para que esses anos sejam vividos com autonomia, funcionalidade e participação, respeitando as particularidades de cada pessoa.

 

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